Anu-preto (nome científico: Crotophaga ani), também chamado anum-preto, anum, anu-pequeno ou coró-coró é uma ave cuculiforme da família Cuculidae que ocorre da Flórida à Argentina, estando presente nas ilhas do Caribe e em toda a porção leste da América do Sul, desde o leste da cordilheira dos Andes na Venezuela, Guianas e Brasil, até o norte do Uruguai. Foi introduzido nas ilhas Galápagos na segunda metade do século XX, trazendo impacto negativo ao se apresentar como predador de espécies endêmicas.Cooke, S.C., Anchundia, D., Caton, E. et al. Endemic species predation by the introduced smooth-billed ani in Galápagos. Biol Invasions 22, 2113–2120 (2020).

Mede entre 35 e 36 centímetros de comprimento, sendo que metade deste tamanho é da cauda; e pesa entre 76 e 222 gramas. As fêmeas da espécie em geral apresentam peso menor que os machos. Tem plumagem e olhos pretos, cauda longa, e apresenta bico grande lateralmente achatado e cume na maxila (bico alto elevado).

Gosta de sol e toma banho na poeira, ficando a plumagem às vezes com a cor da terra ou de cinza e carvão. Vive em bandos com seis a quinze indivíduos. Prefere lugares úmidos. Pela manhã e após as chuvas pousa de asas abertas para enxugar-se. À noite, para se esquentar, junta-se em filas apertadas ou aglomera-se em montões desordenados. Procura moitas de taquara para pernoitar.

Nomenclatura Anu deriva do termo tupi anu ou anũ.FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.134 Dessa mesma origem tupi vem o nome do distrito de Anutiba (ES).NAVARRO, E, Dicionário de Tupi Antigo. 2013

Seu nome científico significa (do grego): krotön = carrapato; e -phagos, phagein = comer; crotophaga = comedor de carrapatos. Em inglês, é chamado de smooth-billed ani. Em espanhol, é conhecido como garrapatero piquiliso.

O nome anu-preto foi selecionado como nome vernáculo técnico para a espécie Crotophaga ani pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO) em 2021.

Habitat O anu-preto vive em áreas abertas com moitas e em capões entre pastos e jardins. Não voa bem em lugares muito abertos, pois seu voo é lento, mas é bem adaptado para voar em áreas de mata não muito fechadas ou mistas com campos. Sempre anda em pequenos bandos de sete a quinze indivíduos que voam de um lugar para o outro (no máximo a distâncias de cinquenta metros), sempre saindo primeiramente o líder. Habitante de paisagens abertas, com moitas e capões entre pastos e jardins, também pode ser encontrado na cidade, vivendo em terrenos baldios e outras áreas tomadas pelo capim.

Morfologia De corpo fino, bico alto, forte e curto, cauda comprida. Totalmente de cor preta. Sem dimorfismo sexual. Possui um cheiro forte que atrai morcegos e animais carnívoros.

Alimentação esquerda|150px|thumb|Crotophaga ani. Alimenta-se de artrópodes como gafanhotos, percevejos, aranhas, miriápodes e pequenos vertebrados como lagartixas e camundongos, peixes, capturam pequenas cobras e rãs; periodicamente comem frutas, bagas, coquinhos e sementes. Caçam coletivamente no campo: o bando espalha-se no chão, em um semicírculo, distantes uns dos outros por dois ou três metros. Ficam imóveis e atentos e, ao aparecer um inseto, a ave mais próxima salta e o apanha.

Nos campos, os bandos de anus-pretos acompanham os animais maiores e tratores para se alimentar dos pequenos animais que são espantados, ou se espalham em bandos pelo chão, imóveis e atentos até aparecer um inseto, que o indivíduo mais próximo captura. Depois de um tempo, o bando avança. Há dúvidas quanto a se alimentarem de carrapatos, pois são vistos frequentemente pousados sobre o gado. Apesar da opinião geral, não há registro de carrapatos em conteúdos estomacais. Às vezes, saqueiam ninhos de outros pássaros e pescam em águas rasas. Principalmente durante as secas, alimentam-se de frutos, coquinhos e sementes.

Reprodução O macho dança em torno da fêmea, no solo. Seus ninhos são grandes e profundos, em formato de uma grande xícara aberta, pondo grandes ovos azul-esverdeados e cobertos por uma crosta calcária de cerca de 14% do peso da fêmea. Embora possuam ninhos individuais, mais frequentemente se unem a um ou dois casais para formar um ninho coletivo, pôr ovos e criar a prole juntas, com a colaboração de machos e filhotes crescidos. O macho costuma trazer comida quando visita a fêmea no ninho. Um ninho coletivo pode ser ocupado por 6 a 10 aves; o número médio é de 9 ovos por ninho, mas pode conter mais de 20 ovos. A postura de uma fêmea é estimada em 4 a 7 ovos. DE incubação curta, 13 a 16 dias, meia dúzia de filhotes por vez conseguem ser criados com sucesso. A boca aberta vermelha do filhote do anu-preto é marcada por três sinais amarelos. Os filhotes deixam o ninho antes de poder voar, com a cauda curta, e são alimentados ainda durante algumas semanas. Os filhotes ainda pequenos são facilmente espantados e fogem para todos os lados sobre os galhos em torno do ninho, mas costumam regressar ao mesmo quando o perigo passa. Seus ninhos abandonados às vezes são aproveitados por outros pássaros, pequenos mamíferos, sobretudo marsupiais, e cobras.

Filhotes resgatados para serem reintegrados à natureza podem ficar mais de um mês na dependência de alimentação, uma mistura de papa de filhotes à base de frutas e ovo em pó (encontrada em pet shops), misturada em igual proporção com tenébrios triturados em pó fino e ração de cachorro. Preparar na hora que for alimentar o filhote para estar sempre fresca e descartar o restante. Pode ser alimentado com seringa no início e depois passam a comer a papa mais firme direto na colher. Também aceitam bem minhocas, formigas, mosquitos, libélulas, filhotes de lagartixa, lagartas de couve, abelhas sem ferrão, besouros em geral, oferecendo a comida com uma pinça. O filhote aceita água se for introduzida quando com quase um mês de vida, pois a ração úmida já supre suas necessidades quando novinhos. Oferecer a comida de hora em hora no começo e depois espaçar. Gostam de dormir aninhados em caixa com papel picado para se aquecerem (fazer furos). Podem ficar apegados aos tutores, porém lembrar que é uma ave de bando, o comportamento natural fica prejudicado, por isso recomenda-se reintroduzir na natureza quando possível.

Manifestações Sonoras O anu-preto emite vários tipos de sons. Os mais importantes são o para reunir o grupo e avisar que há perigo na redondeza e avisar os outros caso apareçam aves de rapina, quando emite um pequeno grito parecido com o de um falcão.

Ver também Lista de aves do Brasil Cuculidae

Referências

Ligações externas

Anu

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