O financiamento climático em Tuvalu se refere aos recursos e mecanismos financeiros mobilizados pelo país, bem com aqueles advindos do exterior, para reduzir emissões de gases de efeito estufa e adaptar-se aos impactos das mudanças climáticas.

Ao mesmo tempo em que é um dos países que menos contribui com emissões de gases do efeito estufa, Tuvalu é também um dos locais mais vulneráveis às mudanças climáticas, especialmente por ser um país insular de elevação média de apenas 2 m que poderia ser parcial ou quase totalmente engolido pelo mar, caso este suba. Um relatório de 2016 mostra que Tuvalu foi, à altura, o 7º país que mais recebeu pacotes de ajuda de financiamento climático (a contar desde 2003). De 2014 a 2019, o país recebeu um total de US$115,7 milhões em financiamento climático, sendo 74,3 milhões em acordos multilaterais (incluindo fundos) e 41,4 milhões em acordos bilaterais, tendo o Japão, a Austrália e a União Europeia como principais parceiros. A grande distância entre as ilhas e atóis que formam o arquipélago também dificultam a implementação de medidas de mitigação e adaptação.

Impacto das mudanças climáticas em Tuvalu Tuvalu é um país particularmente vulnerável às mudanças climáticas. Além de ciclones tropicais, altas temperaturas e secas, o país tem como maior ameaça o aumento do nível do mar. Com apenas 26 km² de área terrestre, altitude média de menos de 2 m e um ponto culminante (Niulakita) de apenas 4,6 m, é considerado um dos primeiros países que poderá sumir parcial ou quase totalmente conforme os oceanos subirem. Estimativas apontam que 50% da capital, Funafuti, pode ser inundada até o meio do século XXI, e a proporção pode chegar a 95% até 2100. Plantações podem ser afetadas antes mesmo das enchentes, conforme a água salgada penetra no solo local. Outro estudo aponta que o país talvez até permaneça habitável, pois chegou a ganhar mais terra nas últimas décadas, mas mesmo esta pesquisa enfatiza que as mudanças climáticas ainda ameaçam o bem-estar dos povos do Pacífico e a existência de nações insulares. Indicadores de direitos humanos em Tuvalu também têm sido afetados negativamente pelas mudanças climáticas

Impactos no meio ambiente Tuvalu poderá sofrer mais erosão costeira, penetração de água salgada em aquíferos e aumento de doenças ligadas à água com a subida do nível do mar.

Aquíferos superficiais podem ser contaminados pela água marinha conforme marés mais fortes promovem essa mistura. A maior parte da água potável do país depende de precipitação, e modelos divergem quanto a determinar se as chuvas vão aumentar ou diminuir na região da Polinésia.

Os recifes do país também estão sujeitos a branqueamento por conta do aumento da temperatura das águas e acidificação em decorrência da subida dos níveis de dióxido de carbono. A passagem de ciclones também contribui para esse branqueamento; a título de exemplo, o Ciclone Tropical Tino, em 2020, branqueou 7% dos recifes em Nui. A degradação destes recifes implica na diminuição da proteção costeira que eles outrora provêm e pode afetar profundamente a comunidade local, considerada num estudo de 2016 como uma das mais dependentes de recifes no mundo, inclusive com efeitos profundos na atividade pesqueira local. Uma análise do PNUD de 2023 indica que a degradação de recifes pode aumentar a pobreza e a insegurança alimentar no país.

Mudanças na temperatura e no clima thumb|direita|250px |Gráfico com a mudança de temperatura em Tuvalu de 1901 a 2020. Cada faixa representa a temperatura média de um ano. A média do período 1971–2000 é o limite entre as cores azul e vermelho Relatórios de 2011 e 2020 apontaram que, ao longo do século XXI, em Tuvalu: As temperaturas do ar e do mar à superfície devem seguir subindo (possivelmente numa taxa mais lenta que a média mundial; contudo, um relatório de 2021 indica que é difícil estabelecer modelos preditivos precisos para áreas relativamente pequenas); Índices pluviais anuais e sazonais podem tanto aumentar quanto diminuir, dependendo da projeção; A intensidade e frequência de dias de calor extremo devem aumentar; A intensidade e frequência de dias de chuvas extremas devem aumentar; A incidência de secas deve aumentar; O número de ciclones tropicais deve diminuir (porém sua intensidade deve aumentar; uma projeção sugere que eles podem ficar mais frequentes durante os El Niños e menos frequentes nas La Niñas); A acidificação do oceano deve continuar.

Aumento do nível do mar thumb|esquerda|Uma praia em Funafuti Análises da subida do nível do mar em Tuvalu mostraram que o mar subiu 5 mm por ano a partir de 1993, e 5,9 mm por ano a partir de setembro de 2008, com a área de Funafuti acumulando aproximadamente 9,14 cm de aumento no mesmo período. O ponto mais alto do país tem apenas 4,6 m e fica em Niulakita, mas essas elevações costumam ser apenas dunas estreitas que são facilmente transponíveis por ondas durante ciclones tropicais como o Pam.Bureau of Meteorology (1975) Tropical Cyclones in the Northern Australian Regions 1971-1972 Australian Government Publishing Service No futuro, o país pode ser totalmente submerso com um aumento de 20–40 cm nos próximos 100 anos podendo tornar o local inabitável.Hunter, J. A. (2002). Note on Relative Sea Level Change at Funafuti, Tuvalu . Retrieved 13 May 2006. Os prejuízos anuais com enchentes podem chegar a 70% do PIB no final do século.

Independentemente do que ocorra com as emissões de gases do efeito estufa, o país deverá passar por um aumento de 15 cm no nível das águas até 2054, segundo dados de 2024 da NASA.

Os atóis demonstraram resiliência ao aumento gradual do nível do mar, pois conseguem crescer sob as condições climáticas atuais e gerar areia e fragmentos de coral que acabam acumulando em ilhas durante ciclones. Por outro lado, parmanece o risco de que esta resposta dinâmica não gere ilhas estáveis, pois os mesmos ciclones podem suprimir a vegetação e o solo das mesmas. É o que aconteceu em Tepuka Vili Vili após a passagem do Ciclone Meli em 1979, bem como em Vasafua, no Ciclone Pam de 2015. Este último afetou quase metade da população inteira do país (45% dos habitantes teve de se deslcar) e causou prejuízos equivalentes a mais de um quarto do seu PIB.

Na temporada de tormentas de 2024, a estrada mais importante da ilha principal, que serve como única ligação terrestre entre vários pontos do local, ficou comprometida por inundações e detritos.

Nas pessoas Habitação e habitabilidade Já foi sugerido que a população de Tuvalu (estimada em pouco mais de 9,6 mil pessoas em 2024) fosse deslocada para a Austrália, Nova Zelândia ou Fiji, mas em 2006 o então primeiro ministro Maatia Toafa disse que o governo não considerava o aumento do nível do mar como algo tão grave que forçaria a saída de toda a população.Political Parties Cautious On Tuvalu-Kioa Plan, Pacific Magazine, 21 February 2006. Em 2013, o então primeiro ministro Enele Sopoaga classificou a ideia como "autoderrotista" e apelou ao mundo que conversasse com legisladores e se mobilizasse para "fazer a coisa certa".

Em 2023, o então primeiro ministro Kausea Natano propunha fortalecer áreas para suportar o aumento do nível dos mares e as mudanças climáticas, embora reconhecesse simultaneamente um "plano B" para evacuar a população local e criar meios de preservação digital da cultura tuvaluano, incluindo uma reprodução do país em realidade virtual. Em novembro de 2023, a Austrália anunciou que ofereceria residência permanente a 280 cidadãos tuvaluanos deslocados pelas mudanças climáticas, como parte de um acordo bilateral entre os dois países; em julho de 2025, mais de 80% da população do país havia manifestado interesse pelo visto. Apesar das ameaças de submersão, os riscos climáticos não são uma razão prevalente para emigrar do país e a população local parece preferir permanecer no país por questões de estilo de vida, cultura e identidade. Por outro lado, segundo relatório de 2021, cerca de 15% da população deixou o país entre 2005-15 e a maioria não considerava emigrar por falta de recursos para arcar com o deslocamento. Além disso, muitas pessoas no país acreditam que ele já ficará inabitável em 5-10 anos (fonte de 2024).

O primeiro ministro atual, Feleti Teo, no cargo desde fevereiro de 2024, apontou as mudanças climáticas como "a maior prioridade do governo".

Um estudo de 2021 apontou que Tuvalu já testemunhava migrações entre ilhas, mas sugeriu que o risco de perda de terras pode ter sido exagerado e que fluxos migratórios atuais eram em geral mais ligados a questões socioeconômicas. Além disso, a população já estaria acostumada a um ecossistema dinâmico; porém, as mudanças climáticas podem impulsionar esse dinamismo, criando novas dificuldades ao povo.

Saúde Projeta-se que as mudanças climáticas em Tuvalu podem aumentar os índices de certas doenças, como diarreia e doenças respiratórias, bem como comprometer a segurança dos alimentos (tanto pela degradação de áreas de cultivo quanto pela contaminação da água potável). doenças ligadas ao calor também são previstas, dado o provável aumento da temperatura média do planeta. O fornecimento de água potável também pode ser afetado com a diminuição das chuvas e aumento das secas. São particularmente vulneráveis em termos de saúde as crianças, as pessoas idosas, as pessoas socialmente isoladas e as pessoas com pré-condições de saúde.

Na economia Agricultura e pesca As mudanças climáticas devem comprometer a pulaka, um cultivo típico do país e importante fonte de nutrientes; e reduzir a população de peixes, por conta da mudança na temperatura e na salinização das águas. Em 2021, cerca de 42% da renda nacional estava ligada à pesca. Além disso, por conta da disponibilidade muito limitada de terras para cultivo, os peixes acabam sendo componente crucial da dieta local.

Na constituição Em 27 de outubro de 2021, o Comitê Selecionado Parlamentar de Revisão Constitucional, presidido pelo ministro do exterior Simon Kofe, publicou seu relatório final com recomendações de emendas à constituição do país. Em 5 de setembro de 2023, o parlamento local aprovou as mudanças, que entraram em vigor a partir de 1 de outubro.

As mudanças estipularam uma maneira nova de se compreender as fronteiras de Tuvalu, determinando que o país será delimitado por coordenadas geográficas independentemente de alterações causadas pelas mudanças climáticas, embora o governo reconheça que não há convenções internacionais que possam corroborar o novo status do país, pois a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar não aborda as mudanças climáticas.

Histórico de pacotes e metas internas Em janeiro de 2014, o então primeiro ministro Enele Sopoaga criou o National Advisory Council on Climate Change (Conselho Consultivo Nacional de Mudanças Climáticas, em tradução livre), que tem como função facilitar a eficiência energética, o uso de energias renováveis, a redução de emissões de gases do efeito estufa por parte do setor privado e ONGs, a resposta do governo a tragédias climáticas e adaptação/mitigação das mudanças climáticas. No mesmo ano, foi estabelecida a meta de se adotar 100% de energia renovável no país até 2020.