Em 22 de fevereiro de 2019, durante o Envio de ajuda humanitária à Venezuela em 2019, o Exército Venezuelano enviou tropas para a fronteira com o Brasil, passando por Kumarakapay, território da etnia pemon. Indígenas locais e líderes comunitários tentaram impedir o avanço dos veículos blindados com um bloqueio na estrada, conseguindo deter alguns soldados. Os militares abriram fogo contra eles, matando pelo menos onze pemón e ferindo cerca de doze.
Contexto
Em 2019, uma coalizão de países das Américas, Europa e Ásia anunciou ajuda internacional à Venezuela. Nicolás Maduro, que retratou os esforços como uma tentativa internacional de derrubá-lo, aplicou um programa para obstruir a entrada da ajuda. Diversos confrontos ocorreram entre as forças governamentais e os pemón.
Massacre
Em 22 de fevereiro de 2019, o Exército Venezuelano enviou tropas para a fronteira com o Brasil, atravessando Kumarakapay, apesar da autonomia da comunidade sobre a localidade. Indígenas e líderes locais tentaram deter os veículos blindados construindo um bloqueio na estrada, conseguindo deter alguns soldados.
Os demais militares abriram fogo, matando cinco pemón e ferindo cerca de doze. Relatos indicam que o exército perseguiu manifestantes até dentro de suas casas, onde também foram baleados. Centenas de pemón fugiram para as florestas e comunidades vizinhas. Outros 23 foram presos e torturados pelos militares. Entre os mortos estavam o guia turístico Rolando García e sua esposa, Zoraida Rodríguez, assassinada na porta de sua casa.
O governador de Bolívar, Justo Noguera, afirmou que a tentativa dos pemón de parar os veículos militares foi um ato terrorista, negando que os mortos fossem civis.
Consequências No dia seguinte, moradores de San Francisco de Yuruaní tentaram parar outro grupo de soldados a caminho da fronteira. O general venezuelano José Montoya, comandante regional, tentou interceder em favor dos pemón.
O exército reagiu mais rápido, prendendo Montoya e quatro indígenas quase imediatamente. Testemunhas ouviram um oficial gritar: "Vocês, pemón, acham que são fortes? Vão morrer aqui". Montoya e os demais nunca mais foram vistos.
Entre 966 e 1.500 indígenas da região fugiram para o Brasil, temendo novas represálias, configurando um dos maiores êxodos da história sul-americana. O prefeito da cidade também fugiu para o Brasil.
Posteriormente, o exército matou 11 pessoas em Santa Elena de Uairén.
O ex-governador Andrés Velásquez declarou que 14 pessoas foram mortas, muitas com tiros na cabeça, indicando uso de franco-atiradores. Também afirmou que "muitos morreram por falta de atendimento, pois o hospital de Santa Elena não tinha sangue, soro fisiológico, reagentes, oxigênio ou salas de operação". Ao final, o deputado , líder pemón na Gran Sabana, afirmou que pelo menos 25 indígenas foram mortos, classificando os fatos como um massacre cometido pelas tropas venezuelanas. A Assembleia Nacional acrescentou que 80 pemón desapareceram após o massacre.
Reações As autoridades venezuelanas acusaram os pemón de serem apoiados por governos estrangeiros. Jorge Arreaza afirmou: "Do Peru entram pela Colômbia e recebem apoio também no Brasil. É uma estratégia de golpe para gerar violência, morte e desestabilização política na Venezuela". Jorge Rodríguez fez declarações semelhantes.
O líder da oposição, Juan Guaidó, declarou no Twitter que o incidente em Kumarakapay, assim como o tratamento de indígenas em geral por Maduro, foi "assassinato" que "não ficará impune".
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