Maria Antonieta Tatagiba ou, em seu nome de solteira, Maria Antonieta de Castro Siqueira (São Pedro de Itabapoana, 17 de setembro de 1896 – São Pedro de Itabapoana, 13 de maio de 1928) foi uma professora, escritora e poeta capixaba.É considerada a primeira mulher capixaba a ter um livro editado e publicado. A obra que lhe rendeu tal título, Frauta agreste, é um livro de poemas, lançado em 1927.

Biografia Antonieta nasceu em São Pedro de Itabapoana, hoje distrito de Mimoso do Sul, em 17 de setembro de 1896. Ainda bebê, mudou-se com os pais – o comerciante Artur Antunes Siqueira e Maria Rita Cássia de Castro — para Campos dos Goytacazes, terra onde o casal morava. Antonieta estudou, até o quinto ano, no Liceu de Humanidades, na cidade fluminense. Por volta de 1908, seu pai morreu e, com problemas financeiros, a mãe e as duas filhas mudaram-se para a capital do país, onde abriram uma pensão.

Diferentemente do que se esperava das mulheres de sua época, Maria Antonieta não almejava ser professora, mas fazer o curso de Farmácia. Contudo, a mãe adoeceu e a família teve de retornar para São Pedro de Itabapoana, mais precisamente para a Fazenda União, propriedade de um tio e onde ela nasceu.

Maria Antonieta Tatagiba era leitora assídua de obras literárias, especialmente brasileiras e francesas e, desde cedo, dedicou-se à escrita de contos e poesias. Aos 18 anos, concluiu o curso de Humanidades no Ginásio Espírito-santense, primeira escola de estudos secundários para mulheres que atualmente carrega o nome de Colégio Estadual do Espirito Santo, a intuição localiza-se em Vitória.

Filha mais velha, assumiu desde cedo as responsabilidades econômicas da casa. Antonieta chegou a ir para o Rio de Janeiro algumas vezes com o objetivo de cursar Farmácia, mas não obteve sucesso. Decidiu, então, trabalhar na área da educação. Foi aprovada em um dos primeiros lugares no concurso público de magistério no Espírito Santo, sendo nomeada professora da escola feminina de São Pedro de Itabapoana.

Casou-se em 23 de maio de 1922 com José Vieira Tatagiba, também poeta e romancista, e que futuramente se tornou juiz de direito. Conhecida por sua excelência, a professora Tatagiba também passou a ministrar cursos particulares, à noite, para adultos, em uma sala no térreo da sua casa.

Maria Antonieta teve quatro filhos com José Tatagiba. Alguns pesquisadores acreditam que ela teria adoecido após a morte do caçula Raul, que faleceu com apenas 11 meses. A escritora costumava ir todos os dias pela manhã ao túmulo do filho, expondo sua saúde a todo tipo de clima. Foi internada no Rio de Janeiro para tratar seu quadro de tuberculose, mas não resistiu e faleceu em São Pedro do Itabapoana no dia 13 de maio de 1928, aos 31 anos de idade.

Carreira Maria Antonieta Tatagiba dedicou-se intensamente à produção literária. Publicou seu primeiro conto, "A Cruz da estrada", em 12 de outubro de 1922, no periódico carioca O Jornal. No ano seguinte, escreveu outros três contos para um concurso promovido pelo mesmo jornal, e que não chegaram a ser publicados na época: “O pedido de casamento” (20/03/1923), “A boa companheira” (19/04/1923) e “A última vontade” (20/07/1923).

A crítica literária Karina de Resende Tavares Fleury, em Escritoras Brasileiras do Século XIX, explica que o conto “A cruz da estrada” tem como personagem central uma mulher. O texto apresenta sentimentos, desejos e frustrações de uma jovem do início do século XX indo contra as regras da sociedade da época. Para a pesquisadora, embora seja um ensaio, "A cruz da estrada" ultrapassa o tipo de escrita que se esperava das escritoras brasileiras do século XIX, pois apresenta uma personagem mulher fragmentada, tentando (re)construir o lugar que ocupa no mundo.

Maria Antonieta também publicou poemas em jornais e revistas do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Dentre eles, na revista Vida Capichaba, o órgão mais atuante no campo literário das décadas de 1920 a 1940 no Estado. A publicação deu visibilidade às figuras intelectuais do período, incluindo a participação de mulheres.

Em 1925, a poeta foi convidada pelos editores da Vida Capichaba para inaugurar a seção “Página Confidencial”, sendo anunciada como um nome de destaque entre as escritoras capixabas da época. Em 1926, a revista publicou uma “Secção Biographica” em sua homenagem – sinal de seu prestígio em vida.

Além de contribuir com a imprensa local, Maria Antonieta também foi gerente do jornal A Semana, então editado na cidade. Foi nomeada para dirigir o periódico em setembro de 1926, permanecendo na gerência até o final de 1927 – ano em que lançou seu único livro, Frauta agreste, composto por 42 poemas. A obra também chama a atenção pela sua capa, produzida pelo artista gráfico da Belle Époque brasileira, Raul Pederneiras, um desenhista e caricaturista de destaque e irmão do poeta Mário Pederneiras.

Paulo Sodré, responsável pela publicação da edição modernizada de Frauta agreste, também observa que a crítica literária foi favorável à poesia de Tatagiba já na sua primeira obra. De acordo com ele, Jairo Leão e Maria Eugenia Celso, do Jornal do Brasil, e Mendes Fradique, de O Jornal, elogiaram seus versos. No mesmo período, Cecília Meireles escreveu à autora, cumprimentando-a pelos poemas.  

Homenagens O nome de Tatagiba consta no quadro de “Honra ao Mérito - Intelectualidade Feminina Espírito-Santense” publicado na revista Vida Capichaba em 1928. Este periódico que publicou diversos de seus textos, inseriu seu nome no quadro de Honra ao Mérito como forma de homenagem póstuma.

Em 2019, institui-se o Dia Estadual da Poetisa Capixaba, celebrado anualmente em 13 de março, em homenagem à Maria Antonieta Tatagiba.

Obras publicadas

Conto

"A cruz da estrada" (1922).

Poesias

Frauta agreste (1927).

Ligações externas

Conto: A cruz da estrada

Frauta agreste: livro de poemas

Referências

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