Alex Nain Saab Morán (nascido em 21 de dezembro de 1971) é um empresário colombiano naturalizado venezuelano, que atuou como Ministro da Indústria e Produção Nacional da Venezuela de 18 de outubro de 2024 a 16 de janeiro de 2026.
Saab foi alvo de investigações jornalísticas por realizar negócios estimados em 135 milhões de dólares com o governo venezuelano, enquanto outros empresários colombianos haviam parado de exportar para a Venezuela devido à incerteza quanto a pagamentos e rígidos controles cambiais. O nome de Saab apareceu em múltiplos vazamentos do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), incluindo os Papéis do Panamá, Papéis de Pandora e os Arquivos do FinCEN.
Saab enriqueceu-se com o fornecimento de materiais para a Missão Habitação na Venezuela. O portal investigativo Armando.info, da Venezuela, reportou que Saab recebeu 159 milhões de dólares do governo venezuelano para importar materiais de construção entre 2012 e 2013, mas entregou apenas 3 milhões em produtos. Posteriormente, vendeu alimentos para a Venezuela por mais de 200 milhões de dólares em um contrato assinado pelo presidente Nicolás Maduro. Os alimentos foram revendidos na Venezuela por 112% a mais do que o preço original.
Saab foi investigado pelas autoridades colombianas por suposta lavagem de 25 milhões de dólares entre 2004 e 2011. Em 8 de maio de 2019, a Procuradoria-Geral da Nação (Colômbia) o acusou formalmente de lavagem de dinheiro, associação criminosa, enriquecimento ilícito, exportações e importações fictícias, além de fraude agravada, por fatos relacionados à sua empresa Shatex. Durante essas investigações, seus auditores contábeis foram presos e acusados pelo Ministério Público. Tanto Saab quanto seu contador foram absolvidos das acusações na Colômbia em maio de 2024.
Durante uma escala em Cabo Verde, em 12 de junho de 2020, Alex Saab foi preso quando viajava da Venezuela para o Irã em um jato particular. Saab foi detido em conformidade com um alerta vermelho da Interpol, relacionado à sua acusação nos Estados Unidos, por lavagem de dinheiro. Sua extradição aos Estados Unidos foi aprovada pelo Tribunal de Apelações de Barlavento, pelo Supremo Tribunal de Justiça de Cabo Verde e por sua Corte Constitucional.
O governo venezuelano negou ou ignorou por anos qualquer relação com Saab, mas após sua prisão em Cabo Verde iniciou uma campanha de apoio para evitar sua extradição, usando contas oficiais nas redes sociais e enchendo Caracas com outdoors, murais e grafites pedindo sua libertação, organizando manifestações em seu favor, e lançando uma série no YouTube sobre ele.
Foi extraditado aos Estados Unidos em 16 de outubro de 2021 e acusado de oito crimes de lavagem de dinheiro, acusado de movimentar 350 milhões de dólares da Venezuela para contas controladas nos Estados Unidos e em outros países, além de falsificar documentos para obter contratos de construção de habitações populares. Enfrentava até vinte anos de prisão nos EUA. O governo Maduro suspendeu as negociações com a oposição política em resposta. Segundo documentos judiciais divulgados em 2022, Saab tornou-se informante da Administração de Fiscalização de Drogas (DEA) em 2018, período em que forneceu informações sobre propinas pagas a funcionários venezuelanos e contratos com o governo.
Em dezembro de 2023, Saab foi libertado da prisão e enviado de volta à Venezuela em troca de dez prisioneiros norte-americanos detidos no país, em um acordo de troca de prisioneiros.
Carreira Alex Saab é filho de um imigrante libanês, Luis, que se estabeleceu na cidade de Barranquilla e abriu diversos negócios, incluindo a Textiles Saab, alcançando sucesso na indústria têxtil da Colômbia. Alex Saab estudou no Colégio Alemão de Barranquilla, uma escola privada de elite.
Saab iniciou sua carreira em Barranquilla aos 18 anos, vendendo chaveiros promocionais de empresas e, posteriormente, uniformes de trabalho. Aos 19 anos, abriu uma fábrica de camisetas.
No início dos anos 2000, formou uma rede de organizações exportadoras com familiares listados como administradores. Saab juntou-se a um grupo de empresários colombianos que exportava mercadorias da Venezuela para a Colômbia utilizando o sistema cambial CADIVI. Segundo uma fonte da Univisión, durante esse período Saab acumulou dívidas milionárias após a suspensão de pagamentos de divisas pelo governo venezuelano, que por sua vez alegou que alguns empresários haviam fraudado milhões do sistema Cadivi, embora Saab não tenha sido acusado formalmente. Saab processou o jornalista Gerardo Reyes, da Univisión, nos EUA, após este noticiar tais questões.
De acordo com uma investigação do Noticias Caracol, o empresário César Ruiz Sandoval foi peça-chave na rede de Saab a partir de 2008 e teria recebido compensações financeiras de empresas ligadas a ele, chegando a 260 milhões de pesos provenientes da HSC Capital, Golden Sun Trading de Colombia, Promotora Dubera e outras. Ruiz era dono da empresa Marmocol de Colombia, que depois passaria a se chamar Criadero Porcino Casa Blanca, e tinha como referência comercial a Shatex, empresa de Saab. Ruiz também aparece como fundador e acionista da Soft Solutions (mais tarde Intratex International), junto com outros sócios de Saab. César Ruiz foi assassinado em 4 de junho de 2022, e a Procuradoria-Geral da Nação (Colômbia) abriu investigação sobre seu homicídio.
Saab também se beneficiou com contratos de fornecimento da Missão Habitação na Venezuela. De acordo com o Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), em 2009 Saab e seu sócio Álvaro Pulido venceram "um contrato governamental superfaturado para construir 25.000 unidades habitacionais de baixa renda por três ou quatro vezes o valor original do custo da construção." A partir de 2011, Saab trabalhou com os enteados de Maduro, Walter, Yosser e Yoswal, conhecidos como Los Chamos, que tinham acesso direto a Maduro e ao então vice-presidente Tareck El Aissami, para garantir contratos governamentais.
Em 28 de novembro de 2011, a empresa de Saab em Bogotá, a Fondo Global de Construcción (Fundo Global de Construção), assinou um acordo com o governo venezuelano, resultando em um contrato de 685 milhões de dólares para a construção de casas pré-fabricadas na Venezuela, como parte da Grande Missão Habitação, A assinatura contou com a presença dos presidentes Juan Manuel Santos e Hugo Chávez, e do então chanceler Nicolás Maduro. O advogado de Saab, Abelardo De La Espriella, afirmou que ele não tinha ligação com o Fundo Global de Construção. O portal Armando.info noticiou que Saab recebeu 159 milhões de dólares para importar materiais entre 2012 e 2013, mas entregou apenas 3 milhões em produtos. A empresa foi investigada pelo governo do Equador por suposta lavagem de dinheiro através de exportações falsas para a Venezuela via Colômbia; embora Saab não tenha sido acusado, em 2013 promotores equatorianos alegaram que a empresa teria lavado mais de 130 milhões de dólares, mas o caso foi arquivado após alguns anos. Uma investigação paralela da aduana colombiana foi arquivada em 2014, quando o investigador pediu demissão e se mudou para o exterior após receber ameaças de morte.
Em 2014, o primeiro-ministro de Antígua e Barbuda, Gaston Browne, convidou Saab a tornar-se enviado econômico especial para a Venezuela, concedendo-lhe cidadania antilhana. Ele firmou um contrato para construir uma fábrica no país destinada a produzir painéis de habitação, mas a obra nunca saiu do papel.
Saab utilizou os serviços da Mossack Fonseca, o escritório de advocacia no centro do escândalo dos Papéis do Panamá, para criar empresas no exterior. Entre essas estavam Seafire Foundation, Lintel Overseas e PI Proment International Sociedad Anónima Kingstone Team Inc. O advogado de Saab disse que nenhuma dessas empresas chegou a ser utilizada. Entre as companhias estava também a Group Grand Limited, da qual Saab era coproprietário e que foi usada para fornecer alimentos ao programa dos Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP). Em agosto de 2015, uma pequena empresa de transporte e comércio, a Trenaco, sediada na Suíça, mas em grande parte administrada a partir da Colômbia, venceu um contrato da Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA), no valor de cerca de 4,5 bilhões de dólares, para um projeto de perfuração na Faixa do Orinoco, a maior reserva de petróleo cru do mundo. Após reclamações de parceiros estrangeiros da PDVSA, incluindo a Chevron e a Rosneft, o acordo desmoronou no início de 2016. Executivos da Trenaco disseram à Reuters que Saab administrava a empresa desde 2012–14. A empresa compartilhava um endereço com o Fondo Global, e executivos disseram que Saab trabalhava ao lado de Carlos Gutiérrez, filho de um magnata agrícola colombiano, e do empresário colombiano Álvaro Pulido.
Em 2019, Saab moveu duas ações judiciais em Miami contra a rede de televisão Univisión por causa de reportagens sobre seus negócios. Em 2020, Saab já havia transferido sua base de operações para a Turquia.
Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP)
O programa Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), estabelecido em 2016, importa alimentos para os pobres na Venezuela no contexto da escassez de alimentos no país. Saab havia vendido alimentos para a Venezuela por mais de US$ 200 milhões em um contrato assinado pelo presidente Nicolás Maduro por meio de uma empresa registrada em Hong Kong. Em 23 de agosto de 2017, a ex-procuradora venezuelana Luisa Ortega Díaz afirmou que Alex Saab era coproprietário da empresa mexicana que fornecia alimentos ao CLAP, a Group Grand Limited, junto com Álvaro Pulido e Rodolfo Reyes, que Ortega afirmou ser "presumivelmente o presidente Nicolás Maduro". Os alimentos teriam sido revendidos pela Group Grand Limited por 112% acima do preço original no México. Saab teria conhecido Pulido em 2012, quando se dedicava a fornecer produtos para a empresa de Saab, mas essa atividade teria cessado em 2014.
Em 2018, o governo venezuelano começou a pagar pelas importações do CLAP utilizando recursos de ouro. O Departamento do Tesouro dos EUA disse que o governo estava pressionando mineradores a vender ouro a Saab a uma taxa inflacionada. "O ouro seria enviado por avião para os Emirados Árabes Unidos e para a Turquia. A empresa de Saab, Mulberry, sediada na Turquia, supostamente ajudaria a facilitar os pagamentos pela venda de ouro e mercadorias de volta a clientes venezuelanos."
Investigação do Armando.info Em abril e setembro de 2017, quatro jornalistas investigativos publicaram reportagens no portal venezuelano Armando.info sobre preços inflacionados de alimentos dentro da iniciativa CLAP, expondo a relação de Saab com o governo venezuelano. O primeiro relatório mostrou as conexões de Saab com a Grupo Grand, baseada em Hong Kong (incluindo a listagem de seu filho como beneficiário e a empresa compartilhando um endereço com outra das empresas de Saab; Saab rejeitou as alegações) e que cobrava do governo venezuelano preços muito acima do valor de mercado. O segundo relatório investigou as alegações de Luisa Ortega sobre o programa CLAP. Um relatório conjunto entre a Universidade Central da Venezuela e o Armando.info mostrou que o leite em pó fornecido pela empresa de Saab não era nutritivo, apresentando altos níveis de sódio, baixos níveis de cálcio e apenas 1/41 da quantidade de proteína do leite normal.
Após a publicação, o Armando.info e os jornalistas foram ameaçados e tiveram suas informações pessoais divulgadas nas redes sociais. Saab entrou com um processo alegando difamação continuada e injúria agravada, acusações que preveem pena de até seis anos de prisão, levando os repórteres a fugir da Venezuela.