Boletim do Ministério da Justiça foi uma revista mensal portuguesa de ciências jurídicas, propriedade do Ministério da Justiça, lançada em 1947 e extinta em 2001, contendo quer doutrina jurídica, quer jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça, Supremo Tribunal Administrativo e dos tribunais de segunda instância, na época, isto é durante a vigência do BMJ: Tribunal da Relação de Lisboa, Tribunal da Relação do Porto, Tribunal da Relação de Coimbra e Tribunal da Relação de Évora, e ainda, até 1975, também das relações de Luanda e Lourenço Marques, e de Goa até 1961, bem como, a partir de 1982, do Tribunal Constitucional, e ainda os pareceres da Procuradoria Geral da República e os discursos proferidos pelo Presidente da República, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Procurador-Geral da República e Bastonário da Ordem dos Advogados, nas sessões solenes de abertura dos anos judiciais.
Os acórdãos apareciam na sua versão integral, comportando o respetivo sumário, sendo, no entanto, alguns arestos apenas sumariados.
A execução gráfica/impressão esteve a cargo da «Mirandela - Artes Gráficas» e da «Rainho & Neves, L.da».
De circulação nacional, a sua distribuição era gratuita para os juízes de direito, desembargadores e conselheiros, magistrados do Ministério Público e auditores de justiça (formandos do Centro de Estudos Judiciários, destinados às magistraturas judicial e do Ministério Público de Portugal e dos PALOP), por força dos respetivos estatutos, sendo para os restantes interessados adquirida, em regra, por assinatura, que no ano de 2000 era de 26 000 escudos (cerca de 130 euros) para Portugal e PALOP e de 37 500 escudos (cerca de 188 euros) para outros destinos fora de Portugal.
O seu público-alvo era constituído, em primeira linha, por professores e estudantes de Direito, magistrados, conservadores, notários, advogados e solicitadores, e ainda bibliotecas do mundo da lusofonia.
Cada volume variava entre 300 e 500 páginas.
Ao longo das mais de cinco décadas em que foi publicado, comportou também números especiais anuais, com mais de 700 páginas, contendo as listas de antiguidade dos funcionários dos diversos serviços e estabelecimentos, no âmbito do Ministério da Justiça, e relações dos ministros da Justiça.
Na sua última edição, a n.º 501, em dezembro de 2000, a sua tiragem foi de 5 500 exemplares, sendo seu diretor o Procurador-Geral da República e editor o Gabinete de documentação e direito comparado da Procuradoria Geral da República.
A sua extinção ocorreu no início do século XXI, com o desenvolvimento das tecnologias da informação, expansão da internet e aparecimento de bases de dados jurídico-documentais online de fácil pesquisa e livre acesso, como foi o caso da criada no âmbito do Direção-geral dos serviços informáticos do Ministério da Justiça / Instituto de gestão financeira e equipamentos da justiça, I.P..
No século XIX já tinha existido em Portugal outra publicação também intitulada «Boletim do Ministério da Justiça», que convém não confundir com esta do século XX.
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