thumb|250px|Frente do Carnet de la Patria thumb|250px|Verso do Carnet de la Patria, onde se observam os padrões de posicionamento do código QR
O Cartão da Pátria (em espanhol: Carnet de la patria) é um documento de identidade venezuelano que inclui um código QR único e personalizado. Foi criado em 2016 pelo governo venezuelano com o objetivo de conhecer a situação socioeconômica da população e agilizar o sistema das Missões bolivarianas e dos comitês locais de abastecimento e produção (CLAP).
O documento possui uma carteira digital integrada a um sistema de pagamento eletrônico estatal na qual os portadores também podem receber diferentes bônus monetários do Estado venezuelano.
O uso do cartão tem sido relatado como possível método de controle social, política de exclusão social bem como de coerção e compra de votos durante as eleições regionais de 2017, as eleições municipais de 2017, as eleições presidenciais de 2018 e as eleições parlamentares de 2020.
Criação
Foi criado em 18 de dezembro de 2016, quando o presidente Nicolás Maduro anunciou a criação do sistema do Carnet de la Patria em seu programa televisivo semanal Contacto con Maduro. Ele também apontou que a plataforma tecnológica do cartão foi materializada através de acordos com a China. Em 20 de janeiro de 2017, começou o primeiro dia de inscrição para adquirir o Carnet de la Patria.
Processamento
Em princípio, a aquisição do Carnet de la Patria é gratuita e não obrigatória. Para processá-lo, é necessária uma foto, cédula de identidade venezuelana (em espanhol: Cédula de identidad) e informações sobre existência de problemas de saúde, participação em processos eleitorais e se a pessoa é beneficiária de alguma das missões sociais do governo nacional.
Controvérsias
O escritor Leonardo Padrón descreveu o cartão como uma "troca de fome por votos", dizendo: "Dê-me sua assinatura, leve seu CLAP [caixa de alimentos]." Por outro lado, o secretário de organização do partido Alianza Bravo Pueblo, Alcides Padilla, criticou o Carnet de la Patria, dizendo que "através deste cartão, o governo quer racionar alimentos para os venezuelanos." Da mesma forma, o Partido Comunista da Venezuela assegurou que o cartão é uma política de exclusão e que todos os habitantes do país têm direitos constitucionais que não podem depender desse documento.
Em agosto de 2018, pensionistas venezuelanos protestaram em frente às sedes principais do Instituto Venezuelano de Seguridade Social (IVSS), reclamando que a exigência do Carnet de la Patria para receber a pensão limitava seu acesso.
Em setembro de 2018, o Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, disse ter recebido denúncias de pacientes que tiveram tratamento de quimioterapia negado por não possuírem o Carnet de la Patria. A agência de notícias Reuters também recebeu denúncias de médicos estatais que negaram prescrições de insulina a pacientes diabéticos por não estarem inscritos no sistema do Carnet de la Patria. Benito Urrea, um diabético de 76 anos, disse que um médico estatal recentemente lhe negou uma receita de insulina e o acusou de ser membro da direita por não ter se inscrito no sistema.
Eleições Durante as eleições regionais de 2017, as eleições municipais de 2017 e as eleições presidenciais de 2018, houve denúncias do uso do Carnet de la Patria como método de coerção do eleitor.
Relatos de compra de votos também foram frequentes durante a campanha presidencial. Venezuelanos passando fome foram pressionados a votar em Maduro, com o governo subornando potenciais eleitores com alimentos. Maduro prometeu recompensas para cidadãos que escaneassem seu Carnet de la Patria na cabine de votação, o que permitiria ao governo monitorar o partido político dos cidadãos e se eles haviam votado. Estas recompensas, segundo relatos, nunca foram entregues.
Ligações externas
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