O Sanatório Grandella, igualmente conhecido como Sanatório Albergaria Grandella, foi um estabelecimento hospitalar planeado mas nunca concluído, situado na freguesia de Lousa, no concelho de Loures, em Portugal.
Descrição e história O edifício situava-se a meia encosta do Cabeço de Montachique, a cerca de duzentos metros de altitude. Parte do complexo era em forma de estrela de sete pontas, configuração pouco comum, e que foi em parte inspirada pelos símbolos da maçonaria. Previa-se que, quando fosse concluído, teria espaço para 36 doentes, além de quartos para os vigilantes, uma cozinha de grandes dimensões e um refeitório, varanda de cura, enfermaria de isolamento, farmácia, sala de pensos, banhos, um forno crematório para os pensos, e uma sala para desinfecção. Contaria igualmente com catorze moradias, onde ficariam os doentes mais abastados, e jardins.
Na década de 1910, a chamada Sociedade dos Makavencos promoveu a construção de um sanatório em Montachique, que seria destinada a combater a tuberculose. Um dos membros, o comerciante Francisco de Almeida Grandella, ofereceu em 1918 um terreno de 3.500 m² em Montachique para ali ser instalado o sanatório. Aquele local situava-se a uma elevação de duzentos metros, e estava muito afastado dos centros urbanos, condições consideradas essenciais para a instalação de um hospital deste tipo. O edifício foi desenhado pelo arquitecto Rosendo Carvalheira, tendo sido descrito na obra Arquitectura Portuguesa de Julho de 1918 como «muito simples, gracioso e pitoresco e fortemente inspirado em motivos portugueses». As obras iniciaram-se em 1919, já após o falecimento de Rosendo Carvalheira, tendo sido financiadas através da venda de rifas. Na cerimónia do lançamento da primeira pedra do edifício participaram Francisco de Almeida Grandella, o engenheiro Alexandre Soares, e o secretário da Sociedade dos Makavencos, Tavares de Melo.
Porém, os trabalhos foram suspensos pouco tempo depois, devido à falta de recursos financeiros, tendo Francisco Grandella entrado em falência devido à crise económica que se seguiu à Primeira Guerra Mundial. Nunca chegaram a ser concluídos. Em 1925 já o complexo estava em ruínas, como referido no jornal Domingo Ilustrado de 17 de Maio: «Deixamos Lumiar, Loures, abre-se em seguida o vale, e logo o Cabeço de Montachique surge com o Sanatorio Grandela em ruinas, e estamos já no logarejo dos arrabaldes - Montachique».
Posteriormente surgiram várias propostas para o reaproveitamento do complexo, incluindo uma que planeava a sua reconversão num lar de terceira idade, mas que não chegou a avançar, devido a problemas com a autarquia de Loures. Surgiu depois a ideia de instalar ali um hotel, que também não teve seguimento. Em 2020 começou a ser discutida a demolição das ruínas, medida que foi duramente criticada, tendo chegado a ser criada uma petição pública para a preservação do complexo, alegando que «as antigas ruínas do Sanatório Grandella representam não só a memória coletiva da população do Cabeço de Montachique, como marcam a importância histórica da zona, em determinado contexto sócio cronológico, nomeadamente no combate ao surto de tuberculose que atingia proporções epidémicas em toda Europa e Portugal na primeira década do século XX». Porém, apesar destes esforços, as ruínas foram demolidas em 2024.
Ver também Sanatório das Penhas da Saúde
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