Antonio Caso Andrade (19 de dezembro de 1883–6 de março de 1946) foi um filósofo mexicano cristão. Foi reitor da então chamada Universidade Nacional de México (atual Universidade Nacional Autônoma do México) de dezembro de 1921 a agosto de 1923. Junto com José Vasconcelos, fundou o Ateneo da Juventude, grupo humanista oposto à filosofia positivista imperante na época. A geração do Ateneo tinha rompido com a filosofia de Augusto Comte e de Herbert Spencer, voltando-se, entre outros, a Henri Bergson, Arthur Schopenhauer, e José Enrique Rodó. Contra o racionalismo imperante, os ateneístas defendiam a ideia de um ser humano moral, voluntarioso e espiritual.Vertebración, No. 17. Instituto de Investigaciones Humanísticas. "Antonio Caso, Filósofo Cristiano ", por José Maria Romero Baro de la Universidad de Barcelona. Universidad Popular Autónoma de Puebla. Año 4/91 p. 17.
Vida Antonio Caso nasceu na Cidade do México em 19 de dezembro de 1883. Casou-se com Josefina Muñoz Allende. Tiveram seis filhos: Antonio, José, María Concepción, María Elena Caso, Enrique e Agustín. Antonio Caso era cristão não denominacional, doutrina que influenciou sua filosofia a partir da crença na autoridade moral e definitiva de Jesus Cristo e dos Evangelhos.
Foi diretor da Escola Nacional Preparatoria em 1909, secretário da Universidade Nacional em 1910, reitor da própria casa de estudos (1920–1923), diretor da Faculdade de Filosofia e Letras (1930–1932) e professor emérito da UNAM. Defendeu a autonomia universitária e a liberdade de cátedra. Durante trinta e cinco anos foi professor de Ética, Estética, Epistemología, História da Filosofia e Filosofia da História na Faculdade de Filosofia e Letras, de Sociologia na Faculdade de Direito e de Lógica e Metodologia em outras instituições. esquerda|miniaturadaimagem|Caricatura de Caso por Alonso em Caras y Caretas (1921) Em 4 de janeiro de 1921 ingressou como membro numerário da Academia Mexicana da Língua ocupando a cadeira III. Em 1933 a Universidade Nacional Autónoma de México outorga-lhe a distinção doutor honoris causa. Em 1943 foi membro fundador do Colégio Nacional. As universidades de Havana, Lima, Guatemala, Buenos Aires e Rio de Janeiro outorgaram-lhe o título de doutor Honoris causa. Outorgou-lho as Palmas Académicas com o grau de Caballero da Legión de Honra na França, Grande Cruz da Ordem do Sol no Peru, Cruz da Ordem ao Mérito de primeira classe no Chile e a medalha Goethe Für Kunst und Wissenschaft ena Alemanha, entre outras.
Antonio Caso Morreu na Cidade de México em 6 de março de 1946, seus restos foram transladados à Rotonda das Pessoas Ilustres em 19 de dezembro de 1963. Foi irmão mais velho de Alfonso Caso, arqueólogo e, como ele, também reitor da UNAM.
A cadeira número 6 da Escola Nacional Preparatória da Universidade Nacional Autónoma de México, localizado na delegação Coyoacán do Distrito Federal, leva seu nome em sua honra e memória desde 1º de fevereiro de 1968.
Obra filosófica Em 1906 participou na fundação da revista Savia Moderna com os irmãos Pedro e Max Henríquez Ureña, Jesús T. Acevedo, Ricardo Gómez Robelo, Roberto Argüelles Bringas, Rafael López, Carlos González Peña e Manuel Bringas. No verão de 1909, Caso apresentou suas críticas ao positivismo num ciclo de conferências recolhidas mais tarde na terceira edição de Conferências do Ateneu da Juventude. No entanto, sua obra mais importante é A existência como economia, como desinteresse e como caridade. Ensaio sobre a essência do cristianismo, inspirado na tradição filosófica cristã, em particular em Pascal e Tolstói.
No ensaio, Caso distingue três esferas da existência humana: a econômica, a estética (ou do desinteresse) e a moral (ou da caridade). Caso recusava a tese de Gabino Barreda e de Justo Sierra segundo a qual o porvir do México devia se erigir fundamentalmente sobre as bases de uma doutrina científica. No ensaio “Catolicismo, Jacobinismo e Positivismo”, incluído no livro Discursos à nação mexicana, Caso aprofunda sua crítica a duas das ideologias hegemônicas no final do : o jacobinismo (ou liberalismo extremo) e o positivismo. Caso acusa os jacobinos de ignorarem a realidade, enquanto critica os positivistas de submeterem-se a um suposto fatalismo da realidade.
Antonio Caso é um pioneiro da filosofia mexicana que desenvolveriam mais tarde Samuel Ramos, Leopoldo Zea e Octavio Paz, entre outros. Em seu livro O problema de México e a ideologia nacional, publicado em 1924, Caso argumenta que o problema mais grave do México é sua falta de unidade (racial, cultural e social). Ao final de sua vida, Caso recebe a influência das filosofias de Husserl, Scheler e Heidegger, especialmente nas obras A filosofia de Husserl, O ato ideatório, A pessoa humana e o estado totalitário, O Povo do Sol (livro escrito por seu irmão, Alfonso Caso) e O perigo do homem.
Obras
A filosofia da intuição (1914) Problemas filosóficos (1915) Filósofos e Doutrinas Morais (1915) A existência como economia, como desinteresse e como caridade (1916) O conceito da história universal (1918) Discurso à nação mexicana (1922) O conceito da história universal na filosofia dos valores (1923) O problema do México e a ideologia nacional (1924) Princípios de estética (1925) História e antologia do pensamento filosófico (1926) Sociologia genética e sistêmica (1927) O ato ideatório (1934) A filosofia de Husserl (1934) Novos discursos à nação mexicana (1934) Positivismo, neopositivismo e fenomenologia (1941) A pessoa humana e o Estado totalitário (1941) O perigo do homem (1942) Filósofos e moralistas franceses (1943) México (apontamentos de cultura pátria) (1943)
Referências
Bibliografia complementar
HURTADO, Guillermo. El búho y la serpiente. Ensayos sobre la filosofía en México en el siglo XX. Cidade de México: Programa Editorial da Coordenação de Humanidades (UNAM), 2007. 276 p. KOLTENIUK, Rosa Krauze de. La filosofía de Antonio Caso. México, UNAM, 1990.
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