"The Royale" é o décimo segundo episódio da segunda temporada da série de ficção científica estadunidense Star Trek: The Next Generation. É o 38º episódio geral da série e foi exibido pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão em 27 de março de 1989. Foi escrito por Tracy Tormé e dirigido por Cliff Bole. The Next Generation se passa no século XXIV e acompanha as aventuras da tripulação da nave estelar USS Enterprise-D. Neste episódio, o comandante William Riker, o tenente-comandante Data e o tenente Worf ficam presos em um estranho hotel em um planeta aparentemente sem vida.

A ideia original criada por Tormé se chamava "The Blue Moon Hotel" e era muito mais surrealista e cômica, com o astronauta humano desempenhando um papel mais ativo. Entretanto, o coprodutor executivo Maurice Hurley achou que a história era muito parecida com um episódio de Star Trek: The Original Series, com o roteiro sendo reescrito a ponto de Tormé pedir para ser creditado sob um pseudônimo. "The Royale" teve bons números de audiência na sua estreia e a recepção foi mista para negativa, com as principais críticas sendo para o enredo desinteressante e falta de perigo para os personagens.

Enredo A encontra os destroços de uma nave da Terra orbitando um planeta sem vida. Partes dos destroços são recuperados e a tripulação encontra uma insígnia da NASA e uma bandeira dos Estados Unidos, datando a nave para a segunda metade do século XXI e estabelecendo que ela viajou muito além das capacidades da época. Análises do planeta revelam uma pequena área capaz de abrigar vida, assim o comandante William Riker, o tenente-comandante Data e o tenente Worf descem para investigar e descobrem uma porta giratória no meio de um vazio negro. Eles entram e vão parar em um hotel e cassino no estilo da Terra do século XX chamado Hotel Royale, também perdendo contato com a Enterprise.

Os três logo descobrem que estão presos e assim decidem explorar o edifício. Em um quarto encontram o corpo dessecado mas preservado do coronel Stephen Richey, um astronauta da NASA, seu diário e um romance pulp chamado The Hotel Royale. O diário conta que a nave de Richey foi lançada em 2037, mas que foi contaminada por um alienígena desconhecido e transportada para longe por um buraco de minhoca, com ele tendo sido o único sobrevivente. Os alienígenas tiveram pena de Richey e criaram o Hotel Royale para ele por acharem que o romance representava o modo como os humanos preferiam viver. Richey achou a situação insuportável pela qualidade ruim do livro, mas viveu no local por 38 anos até morrer.

Riker, Data e Worf percebem que o enredo do romance foi recriado pelos alienígenas e está ocorrendo na frente deles, supondo que talvez consigam escapar caso cumpram o que a história exige. Eles assumem o papel de três investidores estrangeiros descritos no livro que acabam conseguindo deixá-lo depois de comprá-lo por 12,5 milhões de dólares. Data começa a jogar dados, detectando que eles estão manipulados para favorecer a banca, mas consegue reajustá-los em seu favor e acaba conseguindo ganhar um total de 24 milhões de dólares. Os três então anunciam serem investidores comprando o hotel, conseguindo sair e sendo teletransportados de volta para a Enterprise.

Produção O conceito original de "The Royale" foi criado pelo roteirista Tracy Tormé e se chamava "The Blue Moon Hotel", tendo sido proposto durante a primeira temporada mas só liberado para ser desenvolvido na segunda. A história tinha um tom mais surrealista com elementos de comédia e sátira sutil, sendo parcialmente inspirada pela série de televisão The Prisoner. O enredo teria um papel muito maior para o astronauta, cuja vida no hotel seria baseada em uma memória agradável que os alienígenas tinham tirado de sua mente. Entretanto, essa a memória se tornaria desagradável por o astronauta não ter permissão de sair. Ele seria usado para entreter os membros da equipe avançada da e uma tripulante mulher dessa equipe escolheria ficar para trás fazendo companhia para o astronauta, com o resto da tripulação sendo liberada para ir embora.

Tormé escreveu um roteiro que, segundo o próprio, foi bem recebido por membros do elenco e da equipe, apesar do diretor Cliff Bole afirmar que era excessivamente caro. Entretanto, o coprodutor executivo Maurice Hurley achou que a história era muito parecida com o episódio "A Piece of the Action" de Star Trek: The Original Series, comentando que "Haviam criminosos neste aqui, criminosos naquele, e ambos são baseados em um livro. Parecia derivativo para mim". Hurley e Tormé discutiram e Tormé acabou removido do episódio por motivos que ele achou pessoais em vez de profissionais. O roteiro foi reescrito e boa parte dos elementos surrealistas e cômicos foram removidos. Tormé pediu para ser creditado sob o pseudônimo Keith Mills e deixou a equipe de roteiro de Star Trek: The Next Generation, ficando apenas como consultor.

A trilha sonora de "The Royale" foi composta por Ron Jones. Como toda a equipe de produção estava insatisfeita com o episódio, Jones aproveitou a oportunidade para criar um pastiche de trilhas sonoras cafonas de bandas de Las Vegas, comentando que "Eles nem se importaram com o que eu fiz". O compositor decidiu que trataria o que se passava dentro do hotel como se fosse um livro, enquanto tudo fora seria mais sintético e solitário. As músicas do hotel tinham uma veia mais cômica e alguns elementos de jazz, com a orquestra sendo composta por 35 músicos: oito violinos, quatro trompas, quatro trombones, quatro saxofones, um EWI, um violão, três teclados e cinco instrumentos de percussão. As músicas fora do hotel foram tocadas com sintetizados e instrumentos de percussão. A faixa original composta para a cena em que Riker, Data e Worf encontram o corpo do astronauta não foi utilizada, sendo em vez disso substituída por uma faixa que Jones tinham composto para o episódio "Skin of Evil" da primeira temporada.

Repercussão Audiência "The Royale" foi exibido pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão na semana de 27 de março de 1989. Teve um índice Nielsen de 10,6, refletindo a porcentagem das residências que assistiram ao episódio na estreia. Foi a sexta maior audiência da temporada e um aumento em relação aos 10,2 do episódio anterior, "Contagion".

Crítica Keith R. A. DeCandido da Reactor descreveu o episódio como "besta" e "sem sentido", mas mesmo assim afirmou que "provavelmente sou a única pessoa no mundo que adora este episódio". DeCandido comentou que como já tinha trabalhado como editor de livros no passado, ele leu vários romances ruins e assim gostou dos diálogos "terríveis" e música cafona que lembravam o estilo pulp, escrevendo que tudo era "hilariamente atraente". Zack Handlen da The A.V. Club achou que "The Royale" era uma "distração moderadamente divertida" com muitos elementos de comédia ruins envolvendo Data e os jogadores do cassino. Ele achou que a premissa não funcionava tão bem quanto deveria e a solução não era complicada ou profunda o suficiente, mas achou que o fato de todos criticarem a ambientação vinda do livro como ruim servia como uma boa piada.

James Hunt da Den of Geek achou que o episódio era divertido e que a melhor parte era a atuação de Brent Spiner como Data jogando os jogos de azar. Handlen achou que não existia muito perigo para os tripulantes, especialmente um perigo mais imediato, também comentando que a história lembrava um episódio do holodeque por envolver uma ambientação de época e uma narrativa semi-interativa. Jamahl Epsicokhan da Jammer's Reviews escreveu que o episódio "não demonstra quase nenhum interesse ou mérito", achando que o fato dos personagens ficarem comentando como o livro base para o hotel era ruim também era um meio de encobrir o fato do episódio ser ruim. Epsicokhan afirmou que "Não há mistério, maravilha ou suspense, mas apenas clichês ruins ... e uma premissa lenta que nunca chega perto de justificar seus elementos de fantasia".

Mídia caseira "The Royale" foi lançado em LaserDisc nos Estados Unidos em 20 de julho de 1994 junto com o episódio "Contagion", enquanto no Japão foi lançado no mesmo formato em 10 de dezembro de 1995 como parte da coleção da primeira metade da segunda temporada. Foi lançado em DVD nos Estados Unidos em 7 de maio de 2002 como parte da coleção da segunda temporada. Foi remasterizado e lançado em Blu-ray nos Estados Unidos em 4 de dezembro de 2012 como parte da coleção da segunda temporada.

Bibliografia

Ligações externas

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