Patrícia França Monteiro de Oliveira França (Recife, 28 de setembro de 1971) é uma atriz e empresária brasileira. França começou a atuar na televisão estrelando a minissérie Tereza Batista em 1992, mas sua carreira ganhou maior destaque ao protagonizar a 1ª fase de Renascer e a novela Sonho Meu (ambas em 1993), que a fez ser nomeada ao Troféu Imprensa de Revelação na TV daquele ano. A partir daí, tornou-se uma das atrizes mais proeminentes da televisão durante a década de 1990.
França iniciou sua carreira no teatro ainda adolescente atuando no espetáculo A Menina que Queria Dançar, em 1987. Em seguida, passou a participar de campanhas publicitárias até ser convidada para protagonizar a minissérie Tereza Batista, na TV Globo, no personagem-título. No entanto, consagrou-se no papel de Maria Santa na novela Renascer (1993), pelo qual foi nomeada ao Troféu Imprensa de revelação do ano e recebeu elogios da crítica e do público, tornando-se mais conhecida do público. Após esse trabalho, foi convidada para protagonizar inúmeras produções.
No teatro, ainda destacou-se nos espetáculos Peer Gynt (1994), Aladim (1994), onde interpretou Jasmine, Péricles, Príncipe de Tiro (1995) e A Beata Maria do Egito (2006). No cinema, protagonizou diversas produções, atuando como Zélia em O Calor da Pele (1994), Tieta em sua juventude e Imaculada em Tieta do Agreste (1996), Eurídice em Orfeu (1999) e a camponesa Maria em As Tranças de Maria (2003), pelo qual concorreu ao prêmio de melhor atriz no festival de cinema Cine Ceará.
Na televisão, também foi elogiada pelas atuações em telenovelas, como a sofredora Cláudia em Sonho Meu (1993), a cantora Lucilene em O Fim do Mundo (1996), a heroína Madalena em Salsa e Merengue (1996), a vingativa Clarisse em Suave Veneno (1999), as vilãs Blanca de Sevilla em A Padroeira (2001) e Rosa em A Escrava Isaura (2004), a policial Diana Alba em Prova de Amor (2005) e a polêmica secretaria Nina em Poder Paralelo (2009). Entre seus destaques recentes, incluem a batalhadora Delma em Malhação: Sonhos (2014) e a misteriosa Bila em Gênesis (2021).
Primeiros anos
Adolescência e início da vida artística Nascida em Recife em 28 de setembro de 1971, a vida artística de Patrícia França Monteiro de Oliveira teve início ainda na sua adolescência quando, aos 16 anos, protagonizou a peça infantil A Menina que Queria Dançar, de Marcelino Freire, em sua cidade natal. Foi em 1987 que Patrícia conquistou o prêmio de melhor atriz no Festival de Teatro de Bolso com seu primeiro papel. No ano seguinte, ela subiu aos palcos em mais dois espetáculos e também se tornou a garota propaganda da capital pernambucana, estrelando comerciais de televisão. Rapidamente, seu rosto se tornou conhecido em todo o país, sendo reconhecida não apenas por sua beleza, mas também por sua simpatia e profissionalismo.
Carreira
Primeiros trabalhos e protagonismo (1992—1994) Em abril de 1992, Patrícia estreou na televisão com então 19 anos como protagonista da minissérie Tereza Batista, da TV Globo, onde interpreta a personagem-título Tereza Batista, uma jovem órfã criada pela tia, Felipa (Maria Gladys), que a maltrata e a vende para o violento Capitão Justo (Herson Capri). O papel na minissérie alçou Patrícia ao estrelato nacional e a fez se convidada para diversos projetos na televisão. No final de 1992, foi convidada para apresentar o especial de fim de ano Roberto Carlos Especial, logo após ter estrelado o videoclipe musical Mulher Pequena, do cantor Roberto Carlos. Na emissora carioca, realizou trabalhos importantes nos anos subsequentes, principalmente, como protagonista de telenovelas na década de 1990.
Em 1993, foi chamada para atuar na primeira fase da novela Renascer no papel da ingênua Maria Santa. Sua personagem é uma mulher reprimida, cuja criação foi marcada por um rigor extremo imposto por seu pai, devido à gravidez prematura e subsequente expulsão de sua irmã mais velha de casa. No momento em que ela conhece José Inocêncio (Leonardo Vieira) e é beijada pela primeira vez por um homem, sua inocência e ingenuidade a levam a pensar que ficará grávida. Após esse episódio, Santinha é abandonada pelo pai, que se muda para o vilarejo com a mãe, deixando a filha no bordel de Jacutinga (Fernanda Montenegro). O casamento com Zé Inocêncio é perfeito, mas infelizmente a morte os separa após o nascimento do quarto filho. O papel de Maria Santa lhe proporcionou elogios da crítica e grande aceitação do público, tornando-se um de seus principais trabalhos. Inicialmente, participaria apenas da fase inicial, mas o carinho do público pela personagem a fez aparecer por toda a novela, como fantasma. Pelo desempenho, foi indicada ao Troféu Imprensa de revelação do ano.
Após o sucesso de Renascer, foi escalada para protagonizar a novela Sonho Meu, novamente ao lado de Leonardo Vieira como seu par romântico. Na trama, que foi ao ar entre setembro de 1993 a maio de 1994, interpreta Cláudia, a heroína da história, uma mulher de origem humilde, porém extraordinariamente inteligente, astuta, corajosa e ambiciosa. No passado, ela se casou por amor com Geraldo (José de Abreu), com quem teve uma filha chamada Carolina (Carolina Pavanelli). No entanto, em uma situação extrema, ela teve que fugir dele. Carolina acaba se apaixonando por Lucas (Leonardo Vieira) e enfrenta a perseguição do irmão dele, Jorge (Fábio Assunção). Em 1994, atua no curta-metragem Chuvas e Trovoadas como a filha de um professor e protagoniza o filme O Calor da Pele, que também é estrelado por B. de Paiva, Esther Góes e Denise Milfont, interpretando Zélia, afilhada do dono de uma tecelagem Américo. No mesmo ano, volta ao teatro no papel de Solveig em uma montagem do clássico Peer Gynt, além de dar vida a Jasmine, protagonista feminina do espetáculo infantil Aladim.
Destaque no cinema e estreia na comédia (1995—1997) esquerda|miniaturadaimagem|Patrícia ao lado Antônio Nóbrega em A Farsa da Boa Preguiça, em 1995. Em março de 1995, apareceu em uma participação especial como a freira Irmã Isabel na minissérie Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados. Em abril, atua no episódio "Pacto de Silêncio" do seriado Você Decide, como Dalva. Em dezembro, protagoniza o telefilme A Farsa da Boa Preguiça, exibido dentro do programa Caso Especial, da TV Globo. A história, baseada na obra homônima de Ariano Suassuna, narra a jornada do poeta e cantador Joaquim Simão (interpretado por Antônio Nóbrega) e sua esposa Nevinha (interpretada por Patrícia França), que enfrentam uma série de desafios impostos por pessoas inescrupulosas, assim como seres divinos e malignos. Ainda em 1995, protagoniza uma montagem do espetáculo Péricles, Príncipe de Tiro, sob direção de Ulysses Cruz, no papel de Marina.
Em 1996, atua no filme Tieta do Agreste, de Cacá Diegues, que foi selecionado para representar o Brasil como Melhor Filme Estrangeiro na 69ª edição do Oscar. No filme, interpreta dois personagens, sendo que na fase inicial dá vida a Tieta em sua juventude, papel compartilhado com Sônia Braga na fase adulta, e na segunda parte do filme interpreta a jovem religiosa Imaculada. Em maio do mesmo ano, aparece de peruca loira e lentes azuis na novela O Fim do Mundo, produção que inicialmente foi concebida como minissérie mas acabou sendo remanejada para o horário nobre por atrasos na produção de O Rei do Gado, trama que a substituiu na faixa da emissora. Na trama, ela interpreta Lucilene, uma cantora na boate Starlight, irmã de Vadeco (Tato Gabus Mendes) e namorada de Nado (Marcos Winter). Ela possui o sonho de se tornar uma grande artista, mesmo tendo pouco tempo para se dedicar à sua paixão, já que trabalha em uma fábrica de fumo durante o dia. Após a prisão de seu namorado, ela se envolve com Maninho (Marcelo Faria) e acaba se tornando cúmplice de um assassinato.
Em setembro de 1996, estreia a novela Salsa e Merengue, de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, que a trouxe novamente no posto de protagonista. Sua personagem é Madalena Sobral, uma jovem mulher do interior, de personalidade simples, inteligente e corajosa. No entanto, ela acaba se apaixonando pelo homem errado: Eugênio (Marcello Antony), um milionário e dono de uma empresa de mineração que é responsável pela contaminação por mercúrio em Roseira Santa. Madalena, que era tecelã em sua cidade natal, acaba se tornando uma artista famosa no Rio de Janeiro, guiada por um casal rico e amigável, Laís (Maria Lúcia Dahl) e Tito (Ricardo Petraglia). Durante sua jornada, ela se envolve romanticamente com Valentim (Marcos Palmeira).
Amadurecimento da carreira e papéis antagônicos (1998—03) miniaturadaimagem|280x280px|França em cena na novela Suave Veneno, em 1999. Em 1998, volta à televisão em mais duas participações no seriado Você Decide, nos episódios "Guerra Suja" e "O Doce Sabor do Sucesso", exibidos originalmente em maio e outubro, respectivamente. No mesmo ano, interpreta Ângela no episódio "Correndo Atrás" da série dramática Mulher, a qual é estrelada por Eva Wilma e Patrícia Pillar. Entre janeiro e setembro de 1999, atua como uma das protagonistas da novela Suave Veneno, de Aguinaldo Silva. Na trama, interpreta Clarisse, uma advogada recém-formada que se dedica a casos de menor complexidade. Além disso, é a filha não reconhecida de Waldomiro (José Wilker). Ela é a responsável por armar a entrada de Maria Inês (Glória Pires) na vida do empresário, movida pelo desejo de se vingar de seu pai. No entanto, sua trajetória trágica culmina em sua morte, sendo assassinada por Augusto Ivan (Tarcísio Filho).
Em 1999, atua em seu terceiro longa-metragem, tendo mais uma vez a oportunidade de trabalhar com Carlos Diegues, sendo escalada para interpretar a personagem principal em Orfeu, contracenando ao lado do cantor e ator Toni Garrido. Nessa produção, ela assume o papel de Eurídice, a heroína trágica da renomada peça teatral Orfeu da Conceição, escrita por Vinícius de Moraes. Eurídice vive um amor intenso e fatal com Orfeu, um relacionamento que atravessa as fronteiras da vida e da morte. No mesmo ano, atua no especial Oliver & Didi, que faz parte do conjunto de especiais de A Turma do Didi, interpretando Nanci. Em 2000, trabalha no curta-metragem Chega de Cangaço, uma sátira que conta a história de dois cangaceiros que se perdem em um set de filmagens de um filme, onde ela interpreta uma atriz.
Em 2001, volta às novelas no papel da vilã espanhola Blanca de Sevilla na novela A Padroeira, de Walcyr Carrasco. Sua personagem é uma mulher que escapou da Espanha, temendo perseguição da Inquisição devido à sua origem cigana. Chegando a Guaratinguetá, finge estar procurando pelo marido desaparecido, mas na verdade veio ao Brasil para se reunir com Molina (interpretado por Luís Melo), com quem foi casada na juventude. Juntos, eles formam uma dupla de vilões determinada a roubar o mapa das minas a qualquer custo. Blanca é encarregada de conquistar a confiança de Valentim (interpretado por Luigi Baricelli) como parte do plano traçado com Molina. No entanto, as coisas se complicam quando Blanca se apaixona pelo rapaz, e o encanto vira-se contra ela mesma.