Mady Benzecry (Manaus, 19 de fevereiro de 1933 – Rio de Janeiro, 11 de junho de 2003), nome artístico de Messody Benoliel Benzecry, foi uma artista plástica, poetisa e musicista brasileira de origem judaico-sefardita e destacou-se por integrar a cultura amazônica à tradição judaica. Sua obra pictórica, de caráter naïf, alcançou reconhecimento internacional.

thumb|220px|Mady Benzecry - Festival do Mar, c.1970 - Coleção João Cunha

Biografia Mady Benzecry nasceu em Manaus, filha de uma família tradicional de judeus marroquinos. Seu pai, Jacob Paulo Levy Benoliel, era um judeu marroquino-português descrito como severo, o que teria influenciado o temperamento independente e imaginativo da artista. Casou-se aos 16 anos, tendo dois filhos, Jacob Elias Benzecry (Elly) e Norma Nellie. Posteriormente mudou-se para o Rio de Janeiro, onde contraiu segundas núpcias com o escultor Eugênio Carlos, conhecido artisticamente como Batista. Faleceu em junho de 2003.

Obra literária Na juventude, Mady dedicou-se à poesia. Seu primeiro livro, De todos os crepúsculos (1964), apresenta tom grave e apaixonado, explorando temas como o amor e o desejo. Em Sarandalhas (1967), último volume publicado, revisita memórias da infância em Manaus. O livro divide-se em quatro partes — A criação da Bahia, Baú da Infância, 5 Cantilenas e Esparsas — e reflete uma busca pela reconstrução poética do passado.

A obra recebeu elogios de autores como Jorge Amado, que ressaltou "seus altos voos" e o lirismo das recordações de infância, e Luís da Câmara Cascudo, que destacou sua "genialidade" e "lirismo excepcional", elogios registrados nas orelhas de Sarandalhas.

Temas poéticos A poesia de Mady centra-se na memória, nas reminiscências da infância e na herança familiar. Poemas como Baú da Infância evocam lembranças de familiares e de figuras judaico-marroquinas, como a avó Alegria, guardiã simbólica das tradições. A cultura amazônica surge na representação de personagens locais — Carmem doida, velha Saúva, Nêga Charuto, Alfredo Lezo — e em referências à culinária regional, como tacacá, macaxeira, taperebá e tartarugada.

Artes plásticas Após sua fase literária, Mady dedicou-se à pintura. Segundo a biografia de Mário Margutti (2003), foi incentivada pelo crítico Walmir Ayala, desenvolvendo uma linguagem própria de inspiração amazônica.

Autodidata, a artista produziu cenas coloridas e simbólicas, caracterizadas por desenho fino, cores chapadas e composição de aparência bidimensional. Sua obra é associada à Arte Naïf, com temas ligados à maternidade, à mitologia amazônica e à tradição judaica.

Em 13 de janeiro de 2023, a primeira-dama do Brasil Janja da Silva incluiu uma pintura da série Festival do Mar, de autoria de Mady Benzecry, na entrada de seu gabinete no Palácio do Planalto, em Brasília. A obra foi escolhida para integrar a nova ambientação do espaço, voltada a valorizar artistas brasileiros e a representação da diversidade cultural do país.

Temas e obras notáveis Entre suas obras mais conhecidas estão: Festival do mar – representação de baianas em festa de Iemanjá; Cidade Flutuante – representação da vida ribeirinha e do caboclo amazônico; As Amazonas I – releitura da lenda das mulheres guerreiras, ambientada na floresta; Natividade II – cena de maternidade indígena, unindo natureza e ternura; Jardim do Éden – versão amazônica do tema bíblico; Arca de Noé – dilúvio interpretado como travessia fluvial amazônica; O Encontro das Águas – alegoria dos rios Negro e Solimões.

Outras obras incluem a escultura em bronze Moisés e o quadro O violinista no telhado.

Reconhecimento Segundo a biografia de Mário Margutti (2003), Mady e o escultor Batista realizaram turnês e exposições no Brasil e no exterior, com apoio de instituições como o Citibank e a Varig, sendo por ele apresentados como "embaixadores da alma brasileira" — expressão que dá título à obra.

Conforme Margutti (2003), em 1969 Mady foi homenageada pela Academia Amazonense de Letras por sua contribuição à literatura amazônica.

Bibliografia De todos os crepúsculos (1964) Sarandalhas (1967)

Galeria

Referências

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