"Colonel Homer" (no Brasil, "Coronel Homer") é o 20.º episódio da terceira temporada da série de televisão animada norte-americana The Simpsons. Foi ao ar pela primeira vez em 26 de março de 1992 na Fox Broadcasting Company. No episódio, Homer e Marge discutem depois de uma situação constrangedora em um cinema. Homer acaba em um bar de música country, onde conhece Lurleen Lumpkin, cantora e compositora de grande talento. Impressionado, decide se tornar seu empresário, sem perceber o interesse amoroso da artista. As suspeitas de Marge sobre uma possível traição acabam criando um clima de tensão entre os dois.
Escrito por Matt Groening, criador da série, e dirigido por Mark Kirkland, o episódio se destaca por ser o único com roteiro creditado exclusivamente a Groening. A convidada Beverly D'Angelo estrelou como Lurleen, sendo a primeira aparição da personagem, que após várias aparições especiais, volta a protagonizar um episódio dezesseis anos depois, em "Papa Don't Leech". A produção faz menções a canções, como "Funkytown", de Lipps Inc., e "There's a Kind of Hush (All Over the World)", de Herman's Hermits, e também a filmes como Deliverance, Look Who's Talking e Honey, I Shrunk the Kids.
A obra teve recepção positiva dos críticos, e em sua transmissão original marcou 14,8 pontos; sendo o segundo programa de maior audiência da emissora naquela semana. Seguidamente, o episódio foi incluído na coletânea The Last Temptation of Homer, lançada em 9 de novembro de 1998. Um conjunto de bonecos inspirado em "Coronel Homer" foi lançado em março de 2002, e duas canções de Lurleen foram incluídas no álbum Songs in the Key of Springfield.
Enredo Depois de uma briga com Marge, Homer sai dirigindo pela noite e acaba parando em um bar de música country, onde conhece Lurleen Lumpkin, uma bela garçonete e cantora talentosa. Encantado pela voz e pela melancolia das letras, decide ajudar a artista a gravar suas músicas. A gravação desperta o interesse de uma rádio local e, de repente, Lurleen se torna um sucesso em Springfield. A nova parceria desperta o ciúme e a desconfiança de Marge, que teme que a relação vá além do profissional.
Com o sucesso crescente, Homer passa a dedicar quase todo o tempo à carreira da cantora, que se mostra cada vez mais próxima. Presentes, elogios e canções com segundas intenções tornam a convivência ainda mais delicada. Marge, magoada, sente-se deixada de lado, especialmente ao descobrir que as economias da família foram usadas na gravação de um novo disco. Apesar das aparências, Homer insiste que sua motivação é apenas o desejo de ver o talento de Lurleen reconhecido.
Quando a situação chega ao limite, uma tentativa de sedução faz Homer perceber o risco que corre. A decisão é imediata: encerrar sua parceria com Lurleen, reconhecendo que o amor e a fidelidade à esposa valem mais do que o sucesso ou a aventura. No fim, Homer retorna para casa, e Marge, tocada por sua lealdade, o perdoa.
Produção Roteiro e direção miniatura|direita|200px|"Coronel Homer" foi escrito pelo criador da série, Matt Groening, sendo o primeiro (e único) episódio que este escreveu individualmente. Escrito por Matt Groening, o episódio é o único da série, além dos curtas de Tracey Ullman, em que o criador recebeu crédito individual como roteirista, além de colaborar em outros títulos como "Some Enchanted Evening", "The Telltale Head" e "22 Short Films About Springfield". O enredo de "Coronel Homer" foi parcialmente inspirado em Coal Miner's Daughter (1980), obra que retrata a vida da cantora country Loretta Lynn. Groening buscava retratar o dilema de Homer entre a fama e a família, com o personagem optando pela segunda. Os roteiristas propuseram então parodiar Coal Miner's Daughter (1980) e fazer de Homer o empresário de uma artista country.
O showrunner Mike Reiss teve dúvidas sobre o episódio, acreditando que não fazia sentido Homer aceitasse outro emprego enquanto ainda estava empregado na Usina Nuclear de Springfield. Reiss concordou em seguir com a ideia, e os roteiristas tentaram justificar a situação em episódios seguintes, sugerindo que Homer fora demitido da usina e recontratado posteriormente. Segundo Groening, alguns membros da equipe apontaram que Homer se comportava de maneira tola no episódio. O criador esclareceu que tal atitude resultava de seu esforço em ajudar Lurleen a se tornar uma cantora de sucesso, sem se dar conta de suas investidas amorosas até o desfecho da trama.
Mark Kirkland afirmou ter gostado de dirigir o episódio por considerar as emoções dos personagens "muito humanas e reais". O mesmo acreditava que o público se identificaria com essas emoções, identificando-se com essas emoções e se conectando emocionalmente aos personagens. A cena em que Homer irrita algumas pessoas no cinema surgiu de uma lembrança de Groening. Durante uma sessão quase vazia, duas mulheres sentaram-se à frente dele e de um amigo. Após pedirem para que mudassem de lugar, uma delas retrucou: "Agora vocês estão satisfeitos?", e ouviu em resposta: "Não ficarei satisfeito até ver vocês queimando no inferno".
Participações especiais e música A cantora e atriz norte-americana Beverly D'Angelo, conhecida por interpretar Patsy Cline em Coal Miner's Daughter, foi escolhida para interpretar a personagem Lurleen Lumpkin após conhecer Groening em uma festa na casa de Frank Zappa e ser aprovada em um teste de canto. D'Angelo compôs duas canções para o episódio: "Your Wife Don't Understand You", cantada por Lurleen no Beer 'N' Brawl, onde Homer a ouve pela primeira vez, e "Bagged Me a Homer". Ambas foram compostas em cerca de uma hora e apresentadas a Groening durante a leitura do roteiro. Diferentemente de outros convidados, que gravam suas falas e seguem para outros compromissos, D'Angelo passou o dia com a equipe de produção e sugeriu diversas piadas para a trama. A Entertainment Weekly listou o desempenho de D'Angelo entre as dezesseis melhores participações especiais de The Simpsons. Enquanto Tom Nawrocki, da Rolling Stone, apontou suas canções como algumas das melhores da história do programa.
Animação miniatura|esquerda|190px|O showrunner Al Jean afirmou que é difícil criar pessoas reais com a "aparência dos Simpsons", especialmente mulheres. Lurleen fez sua estreia em The Simpsons neste episódio, criada por John Rice. Kirkland considerou o primeiro esboço insatisfatório e decidiu basear a personagem em D'Angelo, adicionando "todos os clichês de garotas bonitas". Groening reagiu com um "uau" ao ver o resultado. Al Jean afirmou que uma das maiores dificuldades ao adaptar pessoas reais para The Simpsons é deixar as mulheres atraentes, já que a sobremordida e a anatomia facial dos personagens complicam o processo. O sobrenome de Lurleen, Lumpkin, foi inspirado em Tony Lumpkin, personagem da peça cômica She Stoops to Conquer (1773), de Oliver Goldsmith.
Nancy Cartwright, responsável pela voz de Bart, escreveu em sua autobiografia My Life as a 10-Year-Old Boy que o roteiro do episódio apresenta ao público uma narrativa repleta de detalhes visuais e sonoros. No estúdio de gravação do episódio, Lurleen grava suas canções com a família Simpson em duas salas separadas por uma divisória de vidro. Cartwright destacou que os animadores acrescentaram detalhes realistas ao ambiente de gravação, como rachaduras nas paredes, teto ligeiramente deteriorado e o isolamento acústico aparentando desprender-se, conferindo um "toque especial" ao ambiente. Os animadores fizeram uma visita ao Sun Studio para se inspirar nos adereços do estúdio, como a luz vermelha de gravação, a mesa de mixagem, os instrumentos musicais e os medidores de volume de som. No cenário, cores como laranja, malva, cinza e marrom se harmonizavam, e a cabine do engenheiro explorava tons mais escuros para realçar o terno branco de Homer. A aparência do engenheiro de som foi inspirada em John Boylan, produtor musical responsável pelo álbum The Simpsons Sing the Blues (1990). Projetada para ser "minúscula" e "muito isolada", a casa de Lurleen tornou mais íntima a interação entre Homer e Lurleen, criando uma atmosfera romântica e intimista.
Referências culturais Tanto o título do episódio quanto o traje de Homer fazem alusão a Colonel Tom Parker, empresário de Elvis Presley. No início do episódio, no Springfield Googolplex, estão em exibição Honey, I Hit a School Bus e Look Who's Oinking, ambos paródias de Honey, I Shrunk the Kids (1989) e Look Who's Talking (1989), respectivamente. Além de Ernest Cuts the Cheese, estrelado pelo personagem fictício Ernest P. Worrell. No trajeto até um parque de trailers, Homer vê um garoto tocando banjo na varanda, aludindo a uma cena do filme Deliverance (1972). O personagem reaparece seguidamente no estúdio, aguardando em uma fila acompanhado de seu banjo. William Irwin explica, em Philosophy and the Interpretation of Pop Culture,que o trecho possui significado próprio, mesmo que a referência a Deliverance passe despercebida pelo público: "O simples som do banjo transmite a sensação de um lugar caipira e remoto, fazendo com que mesmo os que não conhecem Deliverance entendam o contexto em que Homer se encontra".
O filme Urban Cowboy (1980) serviu de inspiração para o bar Beer 'N' Brawl, que vende cigarros da marca Laramie. Após voltar do Beer 'N' Brawl, Homer não consegue parar de pensar na canção de Lurleen e chega a cantá-la para sua bola de boliche. Seu colega Lenny decide imitá-lo, cantando "There's a Kind of Hush (All Over the World)" para sua bola. Homer lembra que, antes de ouvir "Your Wife Don't Understand You", de Lurleen. "Funkytown", do grupo Lipps Inc., ainda ecoava em sua cabeça. Lurleen se apresenta no programa de comédia Ya-Hoo!, que tem como referência a série Hee Haw (1969–93)..
Repercussão Audiência e análise da crítica O episódio foi, em grande parte, bem recebido pelo público e pela crítica. Em sua exibição original nos Estados Unidos, "Colonel Homer" marcou 14,8 pontos de audiência, conforme a Nielsen Ratings, onde terminou em 22.º nas classificações semanais da semana de 23 a 29 de março de 1992. Foi o programa de maior audiência da Fox Broadcasting Company naquela semana.
Nate Meyers, do Digitally Obsessed, avaliou o episódio com nota máxima (5/5), classificando-o como "mais um ótimo" retrato do amor entre Homer e Marge, com seus "altos e baixos". Afirmando que as canções de Lurleen apresentam sagacidade, e destacou o jeito atrapalhado de Homer como elemento que solidifica o episódio como um "clássico". Paralelamente, o roteiro de Matt Groening, com seus estereótipos exagerados, pode desagradar fãs de música country. Para Colin Jacobson, do DVD Movie Guide, depois do ótimo "Dog of Death", seria de se esperar uma queda de qualidade com "Colonel Homer", mas isso quase não acontece. A narrativa se destaca, com a participação memorável de D'Angelo, as trapalhadas de Homer que divertem e uma sátira certeira ao cenário da música country. Gary Russell e Gareth Roberts, autores do livro I Can't Believe It's a Bigger and Better Updated Unofficial Simpsons Guide, consideraram o episódio um "bom exemplo de como The Simpsons exploram um tema específico (neste caso, música country e o western) explorando ao máximo o lado cômico da situação". Segundo Hock Guan Teh, da DVD Town, o episódio agrada, mesmo sem o "nível habitual" de humor da série, graças ao "rico desenvolvimento dos personagens", que faz valer a pena assisti-lo mais de uma vez. Por outro lado, quem não gosta de música country pode optar por não assistir.