Foram realizadas as eleições gerais na Guiné-Bissau em 23 de novembro de 2025 para eleger o presidente e os membros da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau. Originalmente, estavam previstas eleições parlamentares e presidenciais separadas; as eleições parlamentares estavam agendadas para 24 de novembro de 2024, após o presidente Umaro Sissoco Embaló dissolver o parlamento controlado pela oposição em 4 de dezembro de 2023, na sequência de uma alegada tentativa de golpe de Estado na Guiné-Bissau em 2023. No entanto, Embaló adiou as eleições parlamentares no início de novembro de 2024. As eleições presidenciais estavam agendadas para dezembro de 2024. Posteriormente, também foram adiadas e o mandato de Embaló terminou em 27 de fevereiro de 2025. Contudo, ele permaneceu no poder e candidatou-se à reeleição em 2025. A oposição e a sociedade civil têm chamado o ocorrido de "golpe institucional".

Antecedentes Em 2019, Umaro Sissoco Embaló venceu o segundo turno das eleições presidenciais contra Domingos Simões Pereira, com 54% dos votos contra 46%. Simões Pereira contestou os resultados. Embora nem o Supremo Tribunal da Guiné-Bissau nem o Parlamento tivessem dado a sua aprovação à cerimónia oficial de posse, Embaló organizou uma cerimónia alternativa num hotel em Bissau para se declarar presidente legítimo da Guiné-Bissau. Vários políticos na Guiné-Bissau, incluindo o primeiro-ministro Aristides Gomes, acusaram Embaló de orquestrar um golpe de Estado, embora o presidente cessante, José Mário Vaz, tenha renunciado para permitir que Embaló assumisse o poder.

Em 2022, Embaló dissolveu o parlamento, levando a uma vitória da oposição nas eleições parlamentares de 2023. Embaló dissolveu o parlamento novamente em 4 de dezembro de 2023, alegando que uma "tentativa de golpe" o havia impedido de retornar da conferência climática COP28. Em resposta à dissolução, o presidente do parlamento, Domingos Simões Pereira, acusou o presidente de realizar um "golpe de Estado constitucional". O presidente em exercício, Embaló, demitiu o primeiro-ministro Geraldo Martins, que havia sido nomeado pela Assembleia Nacional liderada pelo PAIGC, e nomeou Rui Duarte de Barros por decreto presidencial.

Embaló, que é elegível para concorrer a um segundo mandato, deu sinais contraditórios sobre as suas intenções. Em setembro de 2024, após uma reunião do Conselho de Ministros, anunciou que decidiu não concorrer depois de uma conversa com a sua esposa, mas em novembro de 2024 declarou a sua intenção de permanecer como presidente "por muitos anos", para além de 2030.

Em 23 de fevereiro de 2025, Embaló marcou a data das eleições presidenciais e legislativas para 30 de novembro de 2025. Ao mesmo tempo, surgiram controvérsias sobre quando terminaria seu mandato como presidente, já que grupos de oposição afirmavam que seu mandato expiraria em 27 de fevereiro de 2025, enquanto o Supremo Tribunal Federal decidiu que expiraria em 4 de setembro de 2025. Em 3 de março, Embaló anunciou que concorreria novamente à presidência nas eleições. Em 7 de março, Embaló adiou a data das eleições para 23 de novembro de 2025.

Em 7 de agosto de 2025, Embaló destituiu o primeiro-ministro, Rui Duarte de Barros (membro do Parlamento pelo PAIGC), e nomeou Braima Camará como membro do Movimento para Alternância Democrática (Madem G-15), com a missão explícita de organizar as eleições. Embora Camará tivesse criticado fortemente Embaló e assinado um acordo com Domingos Simões Pereira para "salvar a democracia e o Estado de direito", rumores de sua reconciliação com o presidente circulavam desde julho de 2025.

Sistema eleitoral O presidente é eleito através do sistema de dois turnos. O artigo 33.º da Lei Eleitoral da Guiné-Bissau proíbe a publicação de quaisquer sondagens de opinião.

Os 102 membros da Assembleia Popular Nacional são eleitos por dois métodos: 100 por representação proporcional de lista fechada em 27 círculos eleitorais plurinominais e dois em círculos eleitorais uninominais representando cidadãos expatriados na África e na Europa.

Processo eleitoral e problemas Vários partidos da oposição criticaram o presidente em exercício, Embaló, acusando-o de autoritarismo e de querer estabelecer uma ditadura. Para além do resultado das eleições, o processo eleitoral ficou marcado pelo imperativo de estabelecer e manter o ímpeto para um sistema de governação estável e com liberdades democráticas, tendo em vista o perfil autoritário de Vaz e Embaló — presidente anterior e presidente atual. Central a essa pauta, serão os esforços para fortalecer as estruturas institucionais que servem de salvaguardas contra o abuso de poder.

Segundo observadores, as condições para as eleições não foram cumpridas devido a desafios organizacionais. Um dos principais problemas é o término dos mandatos dos membros da comissão responsáveis pela supervisão das eleições. Normalmente, esses membros seriam nomeados pelo parlamento, mas, como o parlamento foi dissolvido, não existe nenhuma entidade para facilitar a nomeação de novos membros da comissão.

Em 25 de setembro de 2025, o Supremo Tribunal da Guiné-Bissau desqualificou a coligação da oposição PAI–Terra Ranka da disputa eleitoral, alegadamente após esta não ter apresentado uma lista de candidatos 72 horas antes do prazo final para o registo de candidatos, em 25 de setembro.

Em 14 de outubro de 2025, o Supremo Tribunal da Guiné-Bissau desqualificou da sua candidatura o antigo Primeiro-Ministro e Presidente da Assembleia Nacional Popular, Domingos Simões Pereira, que tinha regressado de um exílio de nove meses após ameaças sofridas. Como Pereira não pôde candidatar-se, será a primeira eleição desde a independência em que o maior partido da nação e maior e mais organizada agremiação de oposição, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), não estará representado.

Outras questões que antecederam o dia da votação foram as denúncias de que o presidente Embaló estava promovendo silenciamento forçado da oposição, sessões de tortura contra opositores e proibição de manifestação política de apoio a outros candidatos de fora da coligação governista Plataforma Republicana – "Nô Kumpu Guiné".

Candidaturas CandidatoPartido1José Mário VazPartido da Convergência Nacional para a Liberdade e o DesenvolvimentoCOLIDE–GB2Mamadú Iaia DjalóAliança Para a RepúblicaAPR3Herculano Armando BequinsaPartido da Renovação DemocráticaPRD4Fernando Dias da CostaPlataforma Aliança Inclusiva – Terra RankaAPI-Cabas GarandiPAI–Terra RankaAPI-Cabas Garandi5João de Deus MendesPartido dos TrabalhadoresPT6Honorio Augusto LopesFrente da Luta pela Independência da Guiné-BissauFLING7João Bernardo VieiraPartido Africano para a Liberdade e o Desenvolvimento da Guiné-BissauPALDG8Gabriel Fernando IndiPartido Unido Social DemocráticoPUSD9Mario da Silva JuniorOrganização Cívica para a Democracia – Esperança RenovadaOCD–ER10Baciro DjáFrente Patriótica de Salvação NacionalFREPASNA11Umaro Sissoco EmbalóPlataforma Republicana "Nô Kumpu Guiné"PRNKG12Sigá BaptistaIndependente

Golpe de Estado e suspensão do processo eleitoral O processo eleitoral foi suspenso após o golpe de Estado na Guiné-Bissau em 2025, desferido em 26 de novembro de 2025, três dias após as eleições nacionais. O líder da oposição Domingos Simões Pereira foi um dos presos, além do próprio presidente Umaro Sissoco Embaló. No entanto, o movimento golpista passou a ser considerado um estratagema político de Embaló, dado que Fernando Dias da Costa, candidato independente apoiado por Pereira e sua coligação, era franco favorito à vitória presidencial, e prometia restaurar os direitos do parlamento eleito em 2023. Além disso, Embaló conseguiu facilmente ser liberto, enquanto Pereira permenece preso desde o dia 26 de novembro de 2025.

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