Jorge do Nascimento Cabral (Ponta Delgada, Açores, 11 de março de 1948Rolim, ML, 23 de julho de 2010. Morreu o jornalista Jorge do Nascimento Cabral. Expresso. (19 de novembro de 2025)https://expresso.pt/sociedade/morreu-o-jornalista-jorge-do-nascimento-cabral-1948-2010=f595502 – Ponta Delgada, Açores, 22 de julho de 2010) foi um político e jornalista português, reconhecido pela defesa intransigente das Causas Açorianas. Fundou o PPDAAssembleia Geral, PSD (2010), Voto de Pesar (consultado em 2025) http://base.alra.pt:82/Doc_Voto/IXva3514_10.pdf ao lado de Mota Amaral e foi diretor do Correio dos Açores.Cabral, CR, 7 de outubro de 2023, 50 anos de jornalismo no coração, Correio dos Açores, 20 de novembro de 2025 https://correiodosacores.pt/2023/10/07/50-anos-de-jornalismo-com-o-correio-no-coracao/

Vida Pessoal Jorge Manuel do Nascimento Medeiros Cabral, filho de Maria Cecília Soares de Medeiros e Fernando Anatólio Cabral, foi o único rapaz entre duas irmãs, Margarida do Nascimento Cabral e Graça do Nascimento Cabral.FamilySearch (n.d.), 16 de novembro de 2025.https://ancestors.familysearch.org/pt/LVPK-Q26/jorge-nascimento-cabral-1950-2010

Jorge cresceu em Ponta Delgada, onde concluiu os seus estudos no Liceu de Ponta Delgada, tendo desenvolvido muito cedo aptidão para a escrita, o que o levou a ganhar dois primeiros prémios nos Jogos Florais, realizados naquele liceu, na categoria “Conto”, nas edições de 1968 e 1969.

Jorge passou grande parte das suas férias num acampamento perto do Nordeste, na margem da Ribeira do Guilherme, junto à foz, onde era possível alugar pequenas casas. A sua estava sempre cheia de animação e de debates políticos. O seu amigo João Pacheco de Melo partilha que: “Naquele acampamento, por vezes, qual urbana sala de visitas, havia noites de grande actividade social.”

Casou, a 30 de setembro 1972, com Maria da Conceição de Medeiros do Nascimento Cabral, com quem teve quatro filhos: Pedro Miguel de Medeiros do Nascimento Cabral (19 de julho de 1973), Paulo do Nascimento Cabral (20 de agosto de 1981), Ricardo Jorge de Medeiros do Nascimento Cabral (31 de agosto de 1976) e Tiago Manuel de Medeiros do Nascimento Cabral (12 de agosto de 1987). Considerado um grande homem de família, os filhos afirmam que “aprenderam com os pais que a família é o nosso grande pilar”.Paz, J, 13 de janeiro de 2024, Face a Face!… com Paulo Nascimento Cabral: “Quando os nossos interesses não estão salvaguardados temos de ‘mover montanhas’ em Bruxelas”, Correio do Açores, 14 de novembro de 2025 https://correiodosacores.pt/2024/01/13/face-a-face-com-paulo-nascimento-cabral-estar-na-politica-e-nao-precisar-da-mesma-para-viver-e-sem-duvida-um-enorme-acto-de-coragem-e-de-amor-a-causa-publica/

Faleceu com 62 anos, a 22 de julho de 2010, no Hospital de Ponta Delgada, Açores, devido a complicações cardíacas que culminaram num acidente cardiovascular.

Vida Profissional Jorge de Nascimento Cabral é uma figura de destaque na história política e mediática dos Açores. Além da sua atividade pública, exerceu igualmente funções de responsabilidade na comunidade, tendo sido vice-presidente e, posteriormente, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada.

Foi também um dos fundadores do Lions Clube de S. Miguel, uma organização que promoveu diversas iniciativas sociais, incluindo ações em parceria com a ACAPO destinadas a apoiar a inclusão e a igualdade de oportunidades para pessoas com deficiência visual. Jorge do Nascimento Cabral foi ainda membro da Comissão Diocesana para a Comunicação Social, órgão dentro da Igreja Católica, a nível diocesano, que tinha como objetivo promover e divulgar a fé através dos diversos canais de comunicação social.

Foi também um dos fundadores da Cooperativa de Ensino “A Colmeia, C.R.L” instituição de ensino pré-escolar e 1º ciclo.

Jornalismo Deu início à sua carreira profissional no antigo Emissor Regional dos Açores, onde iniciou o seu percurso no jornalismo. Ao longo da sua carreira profissional nos meios de comunicação social, exerceu diversas funções. Primeiramente, como chefe de serviço de Programas da RDP Açores (Emissor Regional dos Açores da Emissora Nacional de Radiodifusão, em 1974; Radiodifusão Portuguesa E.P., atualmente pertencente à RTP), tendo sido também coautor e apresentador do programa Voz académica. Desempenhou ainda outras responsabilidades, em áreas como a direção da informação, a coordenação de canal, a gestão de programação e a supervisão geral. Posteriormente, exerceu o cargo de diretor do jornal Correio dos Açores, entre 1 de março de 1981 e 31 de julho de 1997, onde subscreveu vigorosos editoriais em defesa das questões açorianas.

O seu trabalho jornalístico foi marcado por uma notória ligação à realidade social e política açoriana, ficando reconhecido pela sua postura crítica e frontal, com que defendia afincadamente diversas questões acerca da sua terra natal. Presença assídua na imprensa escrita, publicou numerosos artigos sobre temática diversa, com especial ênfase na política social e cultural dos Açores.

Foi nas Casas dos Açores da Nova Inglaterra e de Ontário que refletiu sobre o fenómeno da emigração açoriana, sendo esta a sua mais ilustre reflexão: “Emigrar é um destino que sangra um povo. É aperto no coração. É dor de alma. Emigrar é dizer ‘até um dia, se Deus quiser. Mas regressar é uma festa, é riso nervoso, é brilho no olhar, é dia de sol, é peito que se enche...’”.

Política Na vertente política, Jorge de Nascimento Cabral foi cofundador do Partido Popular Democrático dos Açores (PPDA, atual PSD/Açores), integrando, posteriormente, a comissão instaladora do partido.

Jorge foi o autor do texto que consagra o papa João Paulo II como “Cidadão Honorário da Região Autónoma dos Açores” pela Assembleia Legislativa dos Açores a 28 de maio de 1991.Menezes, FMM, (21 de outubro de 2003), VOTO DE CONGRATULAÇÃO, REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES ASSEMBLEIA LEGISLATIVA REGIONAL, Gabinete do Presidente, (18 de novembro) http://base.alra.pt:82/Doc_Voto/VIIvoto2999.pdf

Enquanto membro do Partido Social Democrata (PSD), exerceu o cargo de deputado da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos AçoresGoleiro, JM, Não é a democracia que faz o democrata, são os democratas que fazem a democracia, PSD Açores, (21 de novembro) https://psdacores.pt/50-anos-do-psd-acores/, tendo, durante cinco anos consecutivos, desempenhado também funções de secretário de Mesa (1984, 1988, 1992), foi ainda durante estes anos que Jorge levantou a questão da independência dos Açores diretamente na Assembleia Legislativa. Surgiu ainda, por diversas vezes, como relator em intervenções parlamentares e comissões, na década de 80. Na mesma época, mais precisamente em 1989, foi eleito vereador da Câmara Municipal de Nordeste.

Desempenhou também funções como a de moderador em debates sobre diversos temas e atuou como orador oficial em várias iniciativas de caráter político, social e cultural. Para além disso, integrou a Comissão de Toponímia da Câmara Municipal de Ponta Delgada.

Reconhecimento e Legado Foi-lhe atribuído, pelas cidades norte-americanas de Fall River, New Bedford, Providence e pelos Senados Estaduais de Massachusetts e Rhode Island, bem como pelo Governo da Província de Ontário, Canadá, um reconhecimento denominado de “Citações de Apreço”.

Como reconhecimento do seu contributo à vida pública e cultural da região, foi-lhe atribuída uma rua em Ponta Delgada, em seu nome.

Cumprindo o serviço militar obrigatório em plena Guerra Colonial, foi mobilizado para a então Província Ultramarina da Guiné-Bissau, onde recebeu um louvor do chefe do Estado-Maior e lhe foi atribuída a Medalha Comemorativa das Campanhas da Guiné.

Organizou e concretizou os “Primeiros Jogos Florais da RDP/Açores” do Emissor Regional dos Açores, o que motivou um voto de louvor do então Conselho de Administração da RDP-E.P., que destacou e valorizou o seu desempenho na cobertura do devastador sismo de 1 de janeiro de 1980, tendo permanecido cerca de 48 horas seguidas ao microfone da RDP/Açores. Durante vários anos, foi a “Voz de ouro” que levou, através dos microfones da rádio, as Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres à comunidade emigrante dos Açores espalhada pelos Estados Unidos da América e Canadá.

O Sindicato dos Jornalistas deixou as suas condolências, sublinhando a relevância do colega nos ramos do jornalismo e da política. Carlos César, antigo presidente do Governo dos Açores, referiu ainda que o seu falecimento foi “uma perda para a democracia”, devido ao seu afincado espírito crítico e contribuições políticas e jornalísticas prestadas em vida.

A Assembleia Legislativa dos Açores aprovou por unanimidade um voto de pesar pelo seu falecimento e atribuiu-lhe a “Insígnia Autonómica de Mérito Cívico” em 2011. Foi ainda “Cidadão Honorário” do concelho do Nordeste, na ilha de São Miguel, Açores. Jorge do Nascimento Cabral é recordado como um homem lúcido e frontal, “que não pestanejava para dizer ou escrever o que pensava, independentemente do que isso pudesse desagradar a quem quer que fosse. E fazia-o sem confundir amizades pessoais com disputas políticas, ou duras pugnas em defesa de causas!”.

Referências

Ligações externas

Escola A Colmeia PSD Açores

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