Romão Gonçalves, também conhecido como Tenor Romão, foi um artista de variedades, empresário, ator e produtor de cinema mudo, cantor de ópera e pugilista amador, conhecido como uma das figuras públicas mais excêntricas e singulares da sociedade portuguesa das décadas de 1920 e 1930. Praticante de várias “acrobacias públicas”, destacou-se pela mistura de autopromoção, humor, proezas físicas e estilo extravagante.

Biografia direita|376x376px Natural da Madeira, Romão Gonçalves tornou-se gradualmente conhecido na década de 1910, quando, como cantor lírico amador, começou a realizar vários espetáculos a título próprio, nomeadamente no clube noturno A Fila, situado na Rua 1º de Dezembro, na Baixa de Lisboa, do qual era proprietário. As suas atuações tornaram-se rapidamente célebres na capital portuguesa, não tanto pelo seu talento mas pela sua gestualidade exagerada, aparência excêntrica e robustez física, sendo noticiado que era frequentemente vaiado pelo público, o que por sua vez reforçava a sua notoriedade. Com dentes de ouro e diamantes, patilhas negras e roupas luxuosas, chegou a atuar no Campo Pequeno. Homem de vários ofícios, ganhou também reputação por ter participado em várias rixas, como forma de testar os seus dotes de pugilista, ou ainda pelas suas demonstrações públicas de natação e automobilismo, para além de ter criado e comercializado o licor Romanini, onde o seu rosto era representado em desenho ou fotografia nos rótulos das garrafas e assim publicitada a sua imagem em vários jornais da época.

Entre 1919 e 1920, protagonizou e produziu a sua primeira experiência cinematográfica com Romão, Chauffeur e Mártir, um filme de comédia e ação, realizado por Ernesto de Alburque, que retratava o tenor a executar várias peripécias e acrobacias automobilísticas na Avenida da Liberdade. Ainda no mesmo ano, atuou nos filmes Romão Gonçalves, Boxeur e Atleta (1920) e Romão Gonçalves, Cantor e Nadador (1920), este último também referido como A Visita do Rei dos Belgas a Lisboa, onde se atirou ao rio Tejo e nadou na direção do navio dos monarcas belgas, enquanto cantava o seu hino. Ainda fruto das suas experiências cinematográficas, foi convidado para participar, em 1924, como ator, no filme Aventuras de Agapito (1924) da autoria de Maurice Mariaud, ao lado de Nestor Lopes. Em 1927, adquiriu o Cine-Tortoise, em Campolide, Lisboa, que renomeou de Cinema Tenor Romão e estreou o seu último filme As Aventuras do Tenor Romão – O Dó de Peito (1927), realizado por Rino Lupo.

Posteriormente, Romão Gonçalves desapareceu lentamente da vida pública. Viria a falecer em maio de 1944, em Penafiel, terra onde casou com a sua companheira de vários anos, após ter estado hospitalizado por uma "grave enfermidade" no Porto. Nenhum exemplar ou cópia dos filmes que protagonizou foi preservado, tendo desaparecido toda a sua obra cinematográfica.

Filmografia

Romão, Chauffeur e Mártir (1920) Romão Gonçalves, Boxeur e Atleta (1920) Romão Gonçalves, Cantor e Nadador ou A Visita do Rei dos Belgas a Lisboa (1920) Aventuras de Agapito (1924) As Aventuras do Tenor Romão - O Dó de Peito (1927)

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