miniatura|Túmulo cristão vandalizado em Belém. A pixação em hebraico diz "morte aos árabes". Violência contra cristãos em Israel é violência religiosamente motivada contra cristãos em Israel. Em seu relatório de 2024, o Rossing Center for Education and Dialogue identificou que a maioria dos ataques provém de jovens judeus ultra-ortodoxos, "pertencentes aos círculos do extremismo religioso-nacionalista". Aproximadamente 80% dos cristãos residindo em território israelense (cerca de 180 mil pessoas) é de origem árabe, o que representa 7% da população árabe total no país. Os atos de violência, particularmente na cidade de Jerusalém, incluem episódios frequentes de agressão verbal e física (incluindo cusparadas e pedradas), vandalismo contra igrejas, cemitérios e propriedades de cristãos. As autoridades israelenses pouco ou nada fazem para conter tais ataques, e mesmo quando seus perpetradores são eventualmente presos, a polícia costuma alegar que se trata de pessoas com problemas mentais, o que os exime de qualquer responsabilidade.

Embora o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu demonstre estar publicamente preocupado com a situação dos cristãos em países como a Nigéria, seu ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, declarou em 2023 que cuspir em cristãos é "um antigo costume judaico" e que as pessoas deveriam parar de "caluniar Israel".

Em 2018, os líderes das igrejas católica, grega ortodoxa e armênia em Jerusalém fizeram um pronunciamento conjunto em frente à Basílica do Santo Sepulcro, na qual denunciaram uma "campanha sistemática contra as igrejas e a comunidade cristã na Terra Santa", por parte da prefeitura de Jerusalém.

Contexto da violência Embora agressões contra cristãos ocorridas após a fundação de Israel (1948) não sejam uma novidade, elas cresceram consideravelmente a partir do conflito em Gaza e da chegada ao poder do grupo político liderado por Benjamin Netanyahu, o mais direitista e fundamentalista religioso da história de Israel.

Em 2024, o Rossing Center registrou um total de 111 atos de violência contra cristãos (contra 94 em 2023), "incluindo, mas não limitados a ataques contra o clero". Embora a maioria dos ataques tenham sido direcionados a indivíduos, "35 casos envolveram vandalismo contra igrejas, mosteiros e sinalização religiosa pública".

Em relação ao ano de 2025, o Rossing Center registrou 155 casos de violência contra cristãos, um aumento de mais de 40% em relação a 2024. Contudo, não houve menção ao cerceamento de liberdade religiosa.

A crescente influência do extremismo nacionalista religioso promovido pelo governo israelense, criou um ambiente de "ameaça constante para as minorias religiosas, e particularmente para os cristãos". Diante desta realidade, numa pesquisa efetuada pelo Rossing Center, 48% dos cristãos israelenses com idade inferior a 30 anos, disseram estar considerando a possibilidade de deixar em definitivo a região e emigrar. Dentre estes, 77% declararam que a principal razão para embasar tal decisão era justamente a "crescente discriminação e violência sofrida pelos cristãos", bem como a "deterioração geral da situação sociopolítica".

Estatísticas De acordo com informações divulgadas pelo Israel Central Bureau of Statistics, em 31 de dezembro de 2024 a população de Israel era de 10,027 milhões de residentes, dos quais 7,707 milhões (76,9%) eram judeus e 2,104 milhões (21%) eram de origem árabe. Dos 0,216 milhões restantes (2,1%), os cristãos são a maior minoria, com cerca de 180.300 indivíduos (1,8% da população israelense), dos quais 78,8% são de origem árabe, constituindo 6,9% da população árabe de Israel.

Arcabouço legal Israel não possui uma constituição, os princípios jurídicos são assegurados através de Leis Básicas. Todavia, a Declaração de Independência define o caráter do Estado. Segundo esta, Israel garantiria:

Uma Lei Básica de 1992, a "Dignidade Humana e Liberdade", aborda a proteção dos direitos humanos e descreve Israel como um estado "judeu e democrático". Mas em 2018, outra Lei Básica aprovada, "Israel: O Estado-nação do povo judeu", declara que:

Esta lei, conforme apontaram à época lideranças religiosas, viabilizava uma "base legal e constitucional para a discriminação" contra minorias, "minando os ideais de igualdade, justiça e democracia". Como enfatizou o patriarca Teófilo III, "isso nos faz lembrar de leis de natureza semelhante que foram promulgadas contra os judeus durante períodos sombrios na Europa".

Desdobramentos políticos O desenrolar da guerra de Gaza ao longo de 2024 e 2025, afetou diretamente as comunidades cristãs em Israel de forma geral e de Jerusalém, em particular, por dependerem do influxo de turistas afastados pela guerra. A polarização política, exacerbada pelo conflito, e o incremento da criminalidade (e de assassinatos) em comunidades árabes, também colocou em risco a existência de cristãos em tais entornos. Diante de tais desafios, tornou-se perceptível uma inação ou omissão por parte das autoridades israelenses, invocando muitas vezes falta de efetivo policial para não se envolver em disputas.

Em relação à liberdade religiosa, deve ser destacado que a atividade missionária não é proibida em Israel (desde que limite o proselitismo a maiores de 18 anos e não ofereça incentivos financeiros para a conversão), e comunidades religiosas e seus locais de culto estão isentas do pagamento de impostos. Todavia, essa isenção não abrange propriedades religiosas usadas para outros fins, como escolas, hostels ou hospitais: estas podem ter taxas impostas por municipalidades (denominadas "Arnona"), como efetivamente ocorreu a partir de 2024 em Jerusalém, Tel Aviv, Ramla e Haifa.

De todos os grupos cristãos ameaçados em território israelense, um dos menores e certamente o que enfrentava o maior risco de eliminação física, era aquele existente em Gaza. A cobertura dos relatórios do Rossing Center não os incluem, já que se trata de uma zona de guerra.

Repressão à dissidência Os ataques de 7 de outubro de 2023 não somente endureceram as ações do governo israelense contra qualquer manifestação crítica às ações militares retaliatórias, mas também a demonstrações de compaixão ou simpatia pelo destino dos civis na Faixa de Gaza. Cidadãos israelenses (e não somente os de origem árabe) foram detidos pela polícia sob a acusação de serem simpatizantes ou membros de organizações terroristas, apenas por exporem seus pensamentos sobre o conflito em redes sociais. Estas ações, como não poderia deixar de ser, também afetaram as comunidades cristãs, e terminaram por relegar suas queixas sobre assédio e agressões para o segundo plano; ao menos, na cobertura da mídia local.

Ataques por tipo Assédio Incluem assédio verbal, ataques e protestos durante reuniões cristãs, propaganda anticristã. 2023 2024 2025 11 13 28

Agressões Incluem cusparadas, uso de spray de pimenta, agressão física. 2023 2024 2025 37 46 61

Vandalismo Incluem-se pichações, invasão de propriedade, danos a estátuas, arremesso de pedras e lixo nas dependências de igrejas, incêndio criminoso e depredação de sinalização pública. 2023 2024 2025 41 49 52

Violações da liberdade de religião ou crença Inclui pedidos para remover símbolos religiosos, limitações de acesso a locais religiosos, restrições à liberdade de movimento para participar de cultos religiosos, etc. 2023 2024 2025 5 3 -

Incidente da Basílica do Santo Sepulcro em 2026 Em 29 de março de 2026, a polícia israelense impediu o acesso à Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, pelo Patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, e do Custódio da Terra Santa, padre Francesco Ielpo, que iriam celebrar ali a missa do Domingo de Ramos. Conforme destacaram os dignitários em nota conjunta, foram parados por policiais no trajeto para a basílica, "enquanto seguiam de forma privada e sem qualquer característica de procissão ou ato cerimonial" e obrigados a recuar, o que caracteriza "a primeira vez em séculos" que líderes da Igreja são impedidos de "celebrar a Missa do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro". Em 30 de março, o embaixador de Israel junto à Santa Sé, Yaron Sideman, prestou esclarecimentos sobre o ocorrido, em audiência com o secretário de estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin. Diante da pressão internacional (que incluiu países como Brasil, Espanha, Itália e França), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, informou que estaria liberando o acesso e autorizando a realização de cerimônias religiosas "conforme desejasse" o Patriarca.

Ver também Iqrit Cristãos palestinos

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