Amar ibne Iacir (; m. ) foi um dos companheiros do profeta islâmico Maomé e um comandante nas primeiras conquistas islâmicas.

Vida

Amar ibne Iacir era filho do maula Iacir ibne Amir, pertencente ao ramo iamita da tribo , que partiu do Iêmem a Meca para procurar um irmão desaparecido. Colocou-se sob a proteção de , da tribo dos maquezumitas, e ali se estabeleceu ao casar-se com Sumaia, uma escrava manumissa (alforriada) de seu senhor. Dessa união nasceu Amar. Ele foi um dos primeiros sete a aceitar o Islã e a proclamá-lo publicamente, convertendo-se enquanto Maomé se encontrava na Casa de Alarcame. Seus pais e seu irmão Abedalá também abraçaram o Islã por sua iniciativa. A família de Iacir, incluída entre os primeiros quarenta muçulmanos, por não dispor em Meca de quem os protegesse, foi submetida a severas opressões e torturas pelos idólatras coraixitas. Alguns maquezumitas, entre eles Abu Jal, levavam Amar e sua família a um lugar fora de Meca chamado Abta ou Bata, onde os deitavam sobre areia e pedras incandescentes para torturá-los. Para isso, eram vestidos com armaduras de ferro e deixados durante horas sob o sol escaldante (Musnade, I, 404).

A mãe de Amar foi morta por Abu Jal em consequência dessas torturas, tornando-se a primeira mártir da história islâmica. Seu pai Iacir também foi torturado e morto no mesmo dia (provavelmente em 615). Diz-se que, em certa ocasião, para fugir da perseguição, Amar foi forçado a dizer os nomes das deusas Alate e Uza e falar mal de Maomé, mas o profeta o tranquilizou afirmando que, por não ter abandonado sua fé, podia dizer essas palavras se voltasse a ser torturado. Deste episódio, surgiu o versículo corânico que declara que não são responsáveis pelas palavras ditas aqueles que são forçados a renegar a fé enquanto seus corações permanecem firmes na crença. Diz-se que Amar acabou por emigrar para a Abissínia; após a Hégira, retornou a Medina. Por ocasião da muʾāḫāt entre os muajiritas e os ançares, Maomé o emparelhou com . Sabe-se também que ele teve envolvimento ativo na construção da Mesquita do Profeta. Participou das primeiras campanhas e combateu em Badre, em Uude e, de modo geral, em todas as batalhas de Maomé.

Sob Abu Becre , perdeu uma orelha na Batalha de Iamama. Em 21/641, foi nomeado governador de Cufa por Omar e nessa qualidade tomou parte na Batalha de Niavende e na conquista do Cuzestão. Amar opôs-se às medidas de Otomão, criticando a nomeação de membros dos Banu Omaia e o exílio de Abu Darre Alguifari para . Apesar disso, o califa enviou-o ao Egito para investigar certas atividades realizadas contra ele. Quando Abedalá ibne Maçude foi sepultado sem que Otomão fosse informado, o califa pensou em exilar Amar de Medina, mas Ali interveio e impediu a medida. Após o assassinato de Otomão, Amar prestou juramento de fidelidade a Ali. H. Reckendorf sugeriu que já fosse partidário desde o começo, com seus laços se estreitando em 656, quando Ali depositou nele confiança excepcional. Antes da Batalha do Camelo, Amar ajudou a mobilizar a população de Cufa em favor dele, e foi um dos que conduziram prisioneira a Baçorá a viúva do profeta, Aixa.

Amar perdeu a vida na Batalha de Sifim (37/657), em idade extremamente avançada. A morte de Amar provocou grande comoção no exército de Moáuia. Entre os que se alarmaram ao recordar o hádice segundo o qual ele seria morto por um "grupo rebelde" estava Anre ibne Alas, que, profundamente entristecido, declarou que preferiria ter morrido vinte anos antes a presenciar tal acontecimento. Moáuia tentou consolá-lo dizendo: "Não fomos nós que o matamos; quem o trouxe até aqui foi que o matou". Vários séculos depois, seu túmulo, nas proximidades de Sifim, ainda era indicado. Amar era considerado detentor de excelente conhecimento das tradições do profeta e, além disso, devia sua fama à grande piedade e à devoção ao Islã. Posteriormente, autores hostis aos omíadas não deixaram de glorificá-lo, inventando hádices em seu favor e descobrindo no Corão alusões que a ele se refeririam. A eles são atribuídos 72 hádices, dos quais seis constam no Ṣaḥīḥ de Muslim ibne Alhajaje e no Ṣaḥīḥ de Albucari.

Era alto, moreno escuro, de olhos castanhos e ombros largos. Levava uma vida simples e recatada, e diz-se que jamais deixou de cumprir uma oração em seu tempo. Certa vez, numa expedição com Omar, teve um sonho erótico, mas, não encontrando água para o banho ritual, rolou sobre a terra e rezou. Ao retornar a Medina e relatar o fato a Maomé, este lhe ensinou o taiamum e disse que, nessa situação, ele era suficiente. Foi a primeira pessoa na história islâmica a reservar uma parte de sua casa como mesquita. Albucari incluiu em seu Ṣaḥīḥ a seguinte afirmação de Amar: "Quem reunir três coisas alcança a plenitude da fé: agir com justiça mesmo contra si próprio, saudar a todos, e dar esmola mesmo sendo pobre". Uma espada atribuída a Amar é conservada na seção das Relíquias Sagradas do Museu do Palácio de Topkapı (Inventário, n.º 21/149). Amar teve um filho, Maomé, também célebre por seu conhecimento de hádice, e uma filha, Ume Aláqueme.

Bibliografia

Categoria:Pessoas envolvidas na Primeira Guerra Civil Islâmica Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Muajiritas