Harura () era uma localidade da Arábia, variadamente referida como aldeia ou distrito (cora), perto de Cufa.
História
Harura era uma aldeia ou distrito (cora), perto de Cufa. No período pré-islâmico e, pelo menos, no do Islã, situava-se às margens do Eufrates ou de um de seus canais, pois um verso de Alaxa (Atabari, II.730) menciona o "rio de Harura"; contudo, no ela é descrita como estando no deserto (ṣaḥrāʾ) pelo tradicionista (m. 283/896). O sistema hidrográfico da região provavelmente havia passado, portanto, por uma transformação. Sem importância do ponto de vista comercial ou agrícola, Harura deve sua notoriedade a um acontecimento histórico ali ocorrido: foi o local onde os partidários de Ali que se opunham à arbitragem proposta por Moáuia em Sifim realizaram sua primeira secessão.
Alguns indivíduos haviam manifestado sua oposição em Sifim apenas clamando lā ḥukma illā li-llāh ("não há julgamento senão o de Deus"), mas seu número aumentou durante o retorno do exército de Ali a Cufa. Aqueles que se reuniram em Harura (de onde passaram a ser conhecidos como haruraítas) em Rabi Alual de 37/agosto–setembro de 658 eram vários milhares, talvez cerca de 12 mil. Tratou-se de um verdadeiro motim, pois, embora esses opositores se limitassem inicialmente à escolha provisória de um dirigente para conduzir a oração () e de um chefe militar (), já não reconheciam a autoridade de Ali. Proclamaram que a baia deveria ser prestada a Deus e segundo o preceito do al-amr bi-l-maʿrūf wa-l-nahy ʿan al-munkar ("ordenar o que é correto e proibir o que é reprovável"), e que um conselho (xura) deveria então escolher o chefe da comunidade. Isso não impediu que os dissidentes, antes de partirem para Narauã, tomassem como líder Abedalá ibne Uabe Arracibi.
Preocupado com a secessão dos haruraítas, Ali enviou a Harura, para negociar em seu nome, seu primo Ibne Abas, e depois foi ele próprio discutir a questão com os dissidentes. Os argumentos utilizados pelos haruraítas nessas discussões não foram reproduzidos em Atabari nem em outras fontes sunitas ou favoráveis a Ali, enquanto os argumentos deste e de Ibne Abas o foram. Ibne Abas lembrou inutilmente a seus oponentes os versículos do Alcorão (IV.35; V.1–2) sobre a nomeação de árbitros em certos casos; os haruraítas responderam que toda questão para a qual existisse uma decisão (ḥukm) de Deus não podia ser submetida à arbitragem. Nas discussões, os haruraítas recorreram ainda a outros argumentos e a outros versículos do Alcorão para justificar sua secessão. Ibne Abas foi compelido a reconhecer sua validade; quanto a Ali, ele conseguiu persuadir os dissidentes a abandonar a secessão, embora não esteja muito claro como o fez. Segundo , em seu Kitāb al-Nahrawān, Ali prometeu retomar a guerra contra Moáuia e reforçou essa promessa com as garantias mais firmes.
Algum tempo depois de seu retorno a Cufa, Ali declarou claramente sua intenção de respeitar o acordo de Sifim, e os haruraítas, que haviam retornado à cidade com ele, enfureceram-se. Foi em consequência dessa declaração de Ali que os dissidentes passaram a realizar reuniões secretas, levantando a questão de saber se permanecer em um país onde reinava a injustiça era compatível com os deveres devidos a Deus; os que sustentaram que era necessário abandoná-lo retiraram-se para a clandestinidade, convidaram os dissidentes de Baçorá a fazer o mesmo e reuniram-se em Narauã, separando-se assim pela segunda vez. Em Harura, ou em suas proximidades, ocorreram duas batalhas: uma em 67/686, na qual Almoquetar Atacafi foi derrotado pelo exército de Muçabe ibne Azobair; a outra em 9 de Xaual de 315/8 de dezembro de 927, quando o sájida Iúçufe ibne Abi Açaje, lutando pelo califa Almoctadir contra o soberano cármata do Barém, Abu Tair Aljanabi, foi derrotado e capturado (deve-se observar, porém, que a maioria das fontes não menciona Harura em conexão com essa batalha, limitando-se a dizer que ela ocorreu fora de Cufa ou às portas dessa cidade).
Bibliografia
Categoria:Localidades do Califado Ortodoxo Categoria:Localidades do Califado Omíada Categoria:Localidades do Califado Abássida