A Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, no município de Campos dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro, Brasil, foi construída no século XVIII pela Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte no terreno doado pela Câmara Municipal, substituindo a primitiva capela edificada pela confraria de pardos, e atualmente é administrada pela diocese.

Confraria Para professarem a sua fé na então vila de São Salvador, capitania da Paraíba do Sul, atual município de Campos dos Goytacazes, os pretos formaram uma confraria em louvor a São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, enquanto os pardos formaram uma confraria em louvor a Nossa Senhora da Boa Morte.

A Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes havia concedido um terreno para a confraria de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário estabelecer a sua irmandade, mas como decidiram se estabelecer noutro lugar (na atual Praça Batalhão Tiradentes), os pardos, representados por Constantino Soares, Juiz da confraria de Nossa Senhora de Boa Morte, pediram aos vereadores o terreno antes concedido aos pretos e situado na atual Avenida Alberto Torres. Satisfazendo o pedido, a Câmara Municipal fez a doação aos pardos em 28 de abril de 1736 com a seguinte escritura:miniaturadaimagem|Escritura de doação do terreno para a construção da Igreja da Boa MorteOs juízes e oficiais da Câmara desta vila de S. Salvador da Paraíba do Sul, em o presente ano de 1736, na forma da lei de Sua Majestade, que Deus Guarde, etc. Fazemos saber aos que esta nossa carta de data virem, que atendendo o representar-me por sua petição os Irmãos da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, que na paragem onde se tinham concedido aos Irmãos de São Benedito para fazerem sua Igreja e por terem determinado para outra parte a fatura da dita Igreja, nos pediram lhes concedéssemos a dita data para fazermos a dita Igreja, como mais longamente consta da sua petição retro. Lhe pusemos o nosso despacho: Passe carta de data, não prejudicando a terceiro ou a outra qualquer pessoa, como nela se contém, por cuja razão e por virtude desta nossa carta de data, sendo primeiro por nós assinada e selada com o selo deste Concelho. Fazemos mercê aos suplicantes dos chãos que pedem, não prejudicando a terceiro, ou a algum direito que algumas pessoas possam ter. A qual capela se levantará dentro de um ano, e não o fazendo dentro do dito tempo, ficarão devolutos e se darão a quem no-las pedir, as quais terras gozarão eles para efeito da dita capela, sem foro ou tributo algum, livres e isentos de tudo, porém com a obrigação de trazer limpa a sua testada.

Dada em Câmara aos 28 do mês de Abril de 1736.

E eu, José da Silva do Rosário, escrivão da Câmara, o fiz escrever e subscrevi. Gregório Gomes Crespo, Eusébio Cordeiro de Alvarenga, Manoel de Souza Tavares, Francisco Gomes Rangel, Antônio Dias Ferreira. Juiz da Irmandade, Constantino Soares.De posse do terreno doado pela Câmara Municipal, os pardos levantaram uma capela em louvor a Nossa Senhora da Boa Morte, que só depois, por licença episcopal do Bispo Diocesano Fluminense, D. Frei Antônio do Desterro Malheiros, datada de 3 de outubro de 1772, foi substituída pela atual construção.

Irmandade e Ordem Terceira Depois de erigida a atual Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte com a licença episcopal de D. Frei Antônio do Desterro Malheiros, a diretoria da confraria reunida em 6 de setembro de 1784 elaborou um estatuto para a Irmandade, que foi aprovado pela rainha D. Maria I de Portugal em 9 de julho de 1787.

Mais tarde, a diretoria da Irmandade reunida em 3 de fevereiro de 1836, por ocasião do centenário da confraria, mandou organizar novos estatutos, sendo o texto aprovado em 24 de julho do mesmo ano. No mês seguinte, em 14 de agosto, na festa da padroeira, a nova regra entrou em vigor ao ser instalada a Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte pelo Comissário Cônego Agostinho dos Santos Colares.

Referências

Categoria:Campos dos Goytacazes