O curso de preparação para o matrimônio (ou curso de preparação para o casamento), mais popularmente referido como curso de noivos, e, formalmente, Encontro de Preparação para a Vida Matrimonial, é uma expressão pastoral amplamente utilizada no Brasil e em outros países de tradição católica para designar a preparação de casais que pretendem celebrar o sacramento do matrimônio. Trata-se de uma prática pastoral consolidada ao longo do século XX, especialmente após o Concílio Vaticano II, com a finalidade de oferecer formação doutrinal, espiritual e prática aos nubentes.
Contudo, a terminologia “curso de noivos” não corresponde propriamente a uma categoria jurídica do direito canônico, mas a uma designação pastoral corrente. Nos documentos oficiais da Igreja, a preparação para o matrimônio é descrita de modo mais amplo e estruturado. Há recentes propostas de outros formatos e modelos de preparação matrimonial a serem integrados, como aquele do catecumenato matrimonial.
História Na década de 40, cursos de preparação matrimonial eram realizados na Inglaterra pelo padre Henry Waterhouse. Na mesma época, nos Estados Unidos, o padre John Delaney, ao observar um movimento de encontros na França, transportou seus métodos a casais, em conferências chamadas Family Renewal Days. Isso foi popularizado pelo padre Edward Dowling, a partir de 1945, com as Conferências de Caná (Cana Conference). A partir de tais conferências, surgiram os cursos pré-matrimoniais, popularizados como "Pre-Cana" nos EUA.
No Brasil, os cursos são promovidos pelos Centros de Preparação para o Matrimônio. Seus primeiros registros se encontram na década de 1940 (especificamente em 1943, na paróquia da Nossa Senhora do Cenáculo, Rio de Janeiro), tendo sido popularizados com o livro Curso de preparação ao casamento do teólogo Paul-Eugène Charbonneau, na década de 60.
Críticas ao termo "curso de noivos" O termo "curso de noivos" não é usado pelo magistério e recomenda-se evitá-lo, porque a preparação matrimonial deveria destinar-se a candidatos ao matrimônio, com objetivo de discernir sobre contrair ou não o sacramento, portanto, não destina-se noivos e não deveria ser visto como um curso. O documento 12 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), intitulado Orientações Pastorais Sobre o Matrimônio, de 1978, apresenta o termo "curso de noivos" entre aspas ao referir-se a preparação matrimonial. O documento da Santa Sé, Itinerários Catecumenais para a Vida Matrimonial (ICVM), orienta que a preparação para o matrimônio deve ser um catecumenato, com duração de meses e que ao final desta preparação, pode ter lugar o rito do noivado. Isso deixa claro que os "noivos" é um público que pode ser atendido nesta preparação, porém, não exclusivamente e não é o público preferencial desta preparação.
O termo "curso de noivos" aparece entre aspas novamente no diretório nacional temático para família, da CNBB sobre o tema, onde esta preparação é chamada de Encontros de Preparação para a Vida Matrimonial. Indica-se, neste documento que "Os candidatos ao matrimônio deveriam participar do encontro com pelo menos seis meses de antecedência em relação à data do casamento", explicando que os casais "Ainda terão oportunidade até para considerarem a conveniência de adiarem, contraírem ou não o matrimônio, em face das responsabilidades que o Encontro venha a descortinar."
Preparação para o matrimônio na disciplina da Igreja O Código de Direito Canônico determina que os pastores devem oferecer aos fiéis adequada preparação para o matrimônio e documentos do Magistério da Igreja Católica estabelecem regras mais específicas sobre como desenvolver essa preparação.
A preparação formal para o sacramento do matrimônio refere-se a Etapa Próxima do chamado Catecumenato Matrimonial. Nesta etapa, é prevista uma fase formativa ou instrucional, com temas específicos que devem ser apresentados como sexualidade, paternidade-maternidade responsável, educação dos filhos, métodos naturais de monitoramento da fertilidade, entre outros temas, indicados no documento da Santa Sé publicado em 2022.
Os temas a serem apresentados nesta preparação, conforme o documento Preparação para o Sacramento do Matrimônio, publicado pelo Vaticano em 1996, incluem ainda:
"o conhecimento em ordem à liberdade de consentimento como fundamento da sua união", "a unidade e indissolubilidade matrimonial, a recta concepção de paternidade-maternidade responsável", "os aspectos humanos da sexualidade conjugal", "o acto conjugal com as suas exigências e finalidades", "a recta educação dos filhos."
A exortação apostólica Familiaris Consortio, de João Paulo II, sistematizou essa preparação em três etapas:
Preparação remota – iniciada na infância e juventude, por meio da formação cristã integral. Preparação próxima – voltada aos candidatos ao matrimônio e envolvendo catequese específica. Preparação imediata – realizada nos meses que antecedem a celebração, incluindo exame canônico e preparação litúrgica.
O chamado “curso de noivos” situa-se, em geral, no âmbito da preparação próxima. Com frequência, gera confusão e passa a ser considerado "etapa imediata", contudo, a etapa imediata não é a fase que cumpre o requisito do direito canônico que é proporcionar experiências e catequese para decidir contrair ou não o sacramentro do matrimônio. A etapa imediata é voltada a noivos como preparação para o casamento. A etapa próxima é voltada a "candidatos o matrimônio", que podem ser namorados, noivos ou coabitantes, que precisam discernir a decisão e preparar-se para vida matrimonial.
Posteriormente, a exortação Amoris Laetitia, do Papa Francisco, reforçou a necessidade de superar modelos meramente formais ou breves, propondo processos mais amplos e personalizados de acompanhamento.
Catecumenato matrimonial A expressão catecumenato matrimonial é uma categoria mais recente no magistério, inspirada no modelo do catecumenato antigo para adultos que se preparavam para o batismo. Ela foi desenvolvida sobretudo a partir do pontificado de Francisco e recebeu sistematização no documento do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida intitulado Itinerários catecumenais para a vida matrimonial (2022).
Nas Orientações Pastorais sobre Matrimônio, é considerado menos formal que o "curso de noivos", podendo ser realizado nos domicílios e com ênfase na participação comunitária. O catecumenato matrimonial propõe:
Um processo gradual e prolongado, não reduzido a encontros pontuais; Inserção na vida comunitária; Acompanhamento personalizado por casais e agentes pastorais; Continuidade após a celebração do matrimônio.
Diferentemente do “curso de noivos”, que frequentemente assume formato concentrado (retiro ou encontros breves), o catecumenato matrimonial é concebido como um itinerário orgânico, com dimensão vocacional, mistagógica e comunitária.
Categoria:Casamento Categoria:Rituais religiosos