A dieta da selva é uma , popularizada no Brasil, que prioriza o consumo de alimentos in natura, como carnes, ovos, frutas, raízes, folhas e tubérculos, e desestimula a ingestão de alimentos processados, cereais, grãos, pães e massas. A dieta é baseada em interpretações equivocadas e não consensuais da história alimentar humana, frequentemente associadas a alegações pseudocientíficas. A exclusão ou restrição prolongada de determinados grupos alimentares pode favorecer deficiências nutricionais e aumentar o risco de doenças crónicas de saúde. Além disso, o elevado consumo de alimentos de origem animal, ricos em gorduras saturadas, pode contribuir para o aumento do colesterol LDL, e a adoção de padrões alimentares muito restritivos pode estar associada, em alguns casos, ao desenvolvimento de comportamentos alimentares disfuncionais ao longo do tempo.
História Antes de a expressão ganhar visibilidade nas mídias sociais, já circulavam, no Brasil e no exterior, dietas populares com propostas semelhantes, como a dieta carnívora e a paleodieta. A chamada "dieta da selva" surgiu nesse contexto de reinterpretação de tendências alimentares internacionais associadas à alimentação "ancestral" e ao consumo de alimentos minimamente processados.
A expressão passou a ser associada, no Brasil, ao engenheiro civil Roberto Brandini, que a divulgou como um método voltado ao emagrecimento, ao aumento de foco e de energia, apesar de não possuir formação na área da saúde. A partir de 2025, o termo passou a aparecer com maior frequência em vídeos e perfis de redes sociais brasileiros.
A dieta também ganhou maior visibilidade ao ser associada ao apresentador do programa MasterChef Brasil, o chef Henrique Fogaça, que declarou ter perdido 17 kg após adotar esse padrão alimentar.
Em janeiro de 2026, o Conselho Federal de Nutrição afirmou que "não há comprovação científica que sustente a segurança, a eficácia ou os supostos benefícios dessa dieta quando aplicada de forma generalizada à população."
Desinformação Entre as alegações difundidas por defensores da dieta, incluem-se afirmações de que uma dieta tradicional, associada ao consumo de gorduras vegetais, estaria associada à feminização de homens, bem como a caracterização do consumo de arroz e feijão, prato tradicional da alimentação brasileira, como "ração do governo". Brandini também defende, sem respaldo científico, que o consumo de óleo de coco auxiliaria no emagrecimento. Além disso, há a divulgação de outras alegações infundadas, incluindo críticas ao uso de protetores solares e antitranspirantes, bem como informações enganosas sobre o consumo de leite cru, apesar dos riscos sanitários reconhecidos.
Preocupações de saúde Não há evidências de que a dieta da selva ofereça benefícios à saúde. O consumo elevado de produtos de origem animal, ricos em gorduras saturadas, eleva os níveis de colesterol LDL. Organizações científicas e de saúde recomendam o consumo de óleos vegetais ricos em ácidos graxos insaturados como parte de uma dieta saudável. A maior ingestão de gordura insaturada é associada a menor risco de mortalidade geral e por doenças cardiovasculares, enquanto maior consumo de gordura saturada, encontrada em maior proporção em produtos de origem animal e no óleo de coco, é associado a maior risco desses desfechos. Uma dieta rica em carne vermelha aumenta os riscos de câncer de cólon e de gota. A elevada ingestão de proteínas em uma dieta da selva pode levar ao comprometimento da função renal. A dieta da selva pode levar a baixa ingestão de fibras, essenciais para o bom funcionamento gastrointestinal, o que pode acarretar em constipação.
Ver também
Dieta carnívora Paleodieta
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