A eleição presidencial no Brasil em 2026 será realizada em 4 de outubro para eleger o Presidente e o Vice-presidente da República, e faz parte das eleições gerais desse ano no país. Conforme as regras eleitorais vigentes, caso nenhum candidato obtenha maioria dos votos válidos no primeiro turno, será realizado um segundo turno no domingo dia 25 de outubro. "A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-se-á, simultaneamente, no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato presidencial vigente" O Presidente e o Vice-presidente eleitos serão empossados em 5 de janeiro de 2027, para um mandato de quatro anos.

Treze candidaturas estão em disputa neste pleito: o atual incumbente, ex-metalúrgico e ex-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT) pela Federação Brasil da Esperança (FE Brasil); o senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, empresário e advogado Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL); o ex-governador de Goiás, professor e médico Ronaldo Caiado, do Partido Social Democrático (PSD); o ex-governador de Minas Gerais, o administrador e empresário Romeu Zema, do Partido Novo (NOVO); o ativista político, empresário e músico Renan Santos, do Partido Missão; o psiquiatra e escritor Augusto Cury, do Avante; o economista e professor Edmilson Costa, do Partido Comunista Brasileiro (PCB); o professor e músico Hertz Dias do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU); a ativista política e cirurgiã-dentista Samara Martins do Unidade Popular (UP); o jornalista Rui Costa Pimenta, do Partido da Causa Operária (PCO); o veterinário e empresário Wilson Grassi do Democrata; e a advogada Clariana Barão pelo Democracia Cristã (DC).

Contexto e sistema eleitoral

miniaturadaimagem|A máquina de votação usada na Eleição presidencial no Brasil em 2022 Lula venceu a eleição presidencial de 2022 pela menor margem da história brasileira, derrotando o presidente em exercício Jair Bolsonaro por 1,8% (ou 2 139 645 votos). Lula tornou-se o primeiro presidente brasileiro a conquistar um terceiro mandato e recebeu o maior número de votos em uma eleição no Brasil. Ao mesmo tempo, Bolsonaro, eleito em 2018, tornou-se o primeiro presidente em exercício a perder uma tentativa de reeleição desde a emenda constitucional de 1997, que permitiu a reeleição consecutiva.

Em resposta à derrota, parte dos apoiadores de Bolsonaro foram às ruas e às portas dos quartéis pedir por um golpe militar para impedir a posse de Lula, enquanto o presidente derrotado tentou arregimentar apoio dentro das forças armadas para subverter o processo de transição e permanecer no poder. Por conta disso, Jair Bolsonaro foi condenado à pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Por se encontrar inelegível, Bolsonaro declarou apoio à candidatura de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro.

Segundo o artigo 77 da Constituição Federal do Brasil, o presidente e o vice-presidente do Brasil são eleitos em chapa conjunta por meio do sistema de dois turnos. O primeiro turno das eleições é realizado no primeiro domingo de outubro, que em 2026 será em 4 de outubro. Um candidato que receba mais de 50% do total de votos válidos no primeiro turno é eleito. Se nenhum candidato atingir o limite de 50%, os dois candidatos mais votados no primeiro turno participam de um segundo turno de votação, realizado no último domingo de outubro (neste caso, 25 de outubro de 2026), e o candidato que receber uma pluralidade de votos no segundo turno é eleito.

Calendário eleitoral

Candidaturas São treze candidaturas na disputa presidencial, enquanto uma candidatura foi indeferida pela Justiça Eleitoral por irregularidades. Embora o total de chapas registradas seja a mesma de 2022 (13), em termos de representação de gênero há duas mulheres titulares das chapas e outras cinco na posição de vice, menos que a quantidade da eleição de 2022. No recorte racial, há apenas dois titulares que são pessoas negras e, na interseção, há apenas uma mulher negra disputando na cabeça da chapa presidencial. No tocante a patrimônio declarado, são quatro candidatos com fortunas acima de 50 milhões de reais. Já considerando o espectro político de esquerda e direita, são várias candidaturas ao longo do espectro, contudo o campo da esquerda se apresentou de forma mais coordenada e concentrada, enquanto a direita política, mais dispersa e fragmentada comparativamente.

Indeferimentos

Presidente Vice-presidente ColigaçãoTempo de horário eleitoral Candidato(a) Partido Cargo político anterior Candidato(a) Partido Cargo político anterior 28 100px Pablo Marçal PRTB 100px Leonardo Avalanche PRTB Presidente nacional do PRTB(2024–2026) Candidatura cassada por irregularidades na filiação partidária e inelegibilidade decorrente de condenações eleitorais.

Clariana Barão (DC) Em todas as eleições presidenciais entre os anos de 1998 e 2022, a Democracia Cristã (DC) — antigo Partido Social Democrata Cristão (PSDC) — lançou o ex-deputado federal José Maria Eymael à Presidência da República. Em 2025, entretanto, Eymael deixou a presidência do partido e decidiu ficar de fora das eleições do ano seguinte. Sob a presidência de João Caldas, ex-deputado federal por Alagoas, o partido passou por uma série de pré-candidatos: em 31 de janeiro, a DC anunciou o ex-ministro Aldo Rebelo, que foi lançado com um discurso nacionalista e crítico ao Supremo Tribunal Federal. Rebelo chegou a receber apoio individual de Ciro Gomes, já filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira, entretanto, foi substituído, em maio, pelo ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, o que acabou provocando um racha no partido e à uma tentativa de expulsão de Aldo Rebelo do DC. No dia 17 de julho, Joaquim Barbosa acabou desistindo de se candidatar. Caldas, dias depois, em entrevista ao G1, afirmou que a desistência do ex-ministro foi motivada pela falta de estrutura do partido.

Após todas essas desistências e substituições, a Democracia Cristã decidiu por lançar oficialmente, no dia 5 de agosto, a candidatura da advogada Clariana Barão à Presidência, que seria acompanhada pela também advogada Fabiana Torquato.

Edmilson Costa (PCB) Em 1.º de agosto, convenção nacional do Partido Comunista Brasileiro (PCB) oficializou a candidatura do economista Edmilson Costa a Presidente e Cleusa Santos a Vice-presidente da República.

Augusto Cury (AVANTE) Em 3 de agosto, convenção nacional do Avante oficializou a candidatura de Augusto Cury a Presidente. Em 5 de agosto, convenção nacional do Agir oficializou a apoio formal à candidatura de Augusto Cury (Avante) à Presidência da República, formando a coligação Brasil dos Nossos Sonhos. Em sua primeira eleição, a candidatura recebeu questionamentos se seria estratégia mercadológica de crescimento de seus negócios (venda de livros e cursos), em analogia à candidatura de Pablo Marçal à Prefeitura Municipal de São Paulo, o que não foi apoiado por Cury. Como vice na chapa, está o advogado Júlio Delgado, que foi deputado federal e já disputou a Prefeitura Municipal de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

No serviço de rede social virtual Instagram, o escritor contava com 8,3 milhões de seguidores, mais que a maioria das demais candidaturas, exceto Lula e Flávio Bolsonaro. Após a participação no debate eleitoral em 23 de agosto, organizado pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação e outros veículos, Cury obteve o maior crescimento de seguidores no Instagram e de buscas no Google. Também houve crescimento de publicações sobre a candidatura e do alcance delas. Tal desempenho chegou a ser associado a um crescimento não orgânico possivelmente motivado por Marçal, que teve sua candidatura lançada no mesmo pleito pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro mas encontra-se em processo de avaliação de impugnação por crimes eleitorais cometidos. Embora tenha apresentado sua candidatura e simultaneamente declare apoio a Flávio Bolsonaro, Marçal também ofereceu auxílio a Cury quando o recebeu em seu podcast. Entretanto, Sérgio Lima, publicitário da campanha de Cury, e Júlio Delgado, vice da chapa do AVANTE, negaram tanto a colaboração de Marçal dentro da campanha para o desempenho ascendente no ambiente virtual, quanto a contratação de influenciadores digitais para a amplificação e impulsionamento digitais coordenados (o que é proibido pela legislação eleitoral).

Flávio Bolsonaro (PL) O Partido Liberal (PL) trabalhava com nova candidatura presidencial de Jair Bolsonaro, que foi deputado federal pelo Rio de Janeiro entre 1991 e 2018 e Presidente do Brasil entre 2019 e 2023. Ele continuou a se apresentar que concorreria nas eleições de 2026, muito embora em 30 de junho de 2023, Bolsonaro tenha sido declarado inelegível até 2030 por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação após atacar o sistema eleitoral brasileiro em uma reunião com embaixadores estrangeiros em 18 de julho de 2022, transmitida por uma rede de televisão estatal. Além disso, em 11 de setembro de 2025, foi condenado a 27 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado de 2022–2023. Nesse cenário de inegibilidade, circularam outras possibilidades de candidaturas. Seu filho Eduardo Bolsonaro passou a se apresentar para concorrer no lugar do pai, mas seu mandato de deputado federal por São Paulo iniciado em 2015 foi cassado em 2025. Após cassado, Eduardo Bolsonaro declarou desistência à corrida presidencial e apoio ao seu irmão, Flávio Bolsonaro. Adicionalmente, ficou inelegível, por 12 anos, ao ser condenado em 16 de junho de 2026 pelo STF, por crime de coação no processo de investigação pela trama golpista de 2022.

Paralelamente, Michelle Bolsonaro, primeira-dama do Brasil entre 2019 e 2023, também foi citada como possível nome para substituir Jair Bolsonaro.; Deputados federais chegaram a articular mudança na Constituição brasileira para diminuir a idade mínima exigida para ser Presidente do Brasil (que é de 35 anos), o que possibilitaria a candidatura de Nikolas Ferreira, vereador de Belo Horizonte entre 2021 e 2023 e então deputado federal por Minas Gerais. Com a impossibilidade de Jair Bolsonaro concorrer ao cargo, este delegou ao filho Flávio Bolsonaro, então senador pelo Rio de Janeiro, em 5 de dezembro de 2025, a disputa à Presidência em seu lugar, lançando-se como o candidato do campo bolsonarista. No mesmo dia, Eduardo e Michelle Bolsonaro declararam apoio a ele. Em 25 de julho, convenção nacional do PL oficializou candidatura de Flávio Bolsonaro a Presidente.

Em 2 de junho, Bolsonaro se encontrou com outros dois então pré-candidatos presidenciais, Ronaldo Caiado, filiado ao Partido Social Democrático (PSD), e Romeu Zema, filiado ao Partido Novo (NOVO), durante a exposição Megaleite, em Belo Horizonte, e defenderam conjuntamente a união da direita no segundo turno contra a candidatura de Lula, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT). Ainda antes do registro da candidatura, houve tentativa de angariar o eleitorado de Zema com a desistência de sua candidatura numa negociação que envolveria apoio do PL à candidatura ao governo de Minas Gerais de Mateus Simões, filiado ao Partido Social Democrático (PSD) e apadrinhado por Zema, o qual disputaria uma das duas vagas ao Senado Federal por Minas no lugar da Presidência da República.

Hertz Dias (PSTU) No dia 31 de julho, a convenção nacional do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) oficializou a candidatura de Hertz Dias a Presidente e Vanessa Portugal a Vice-presidente.

Leonardo Avalanche (PRTB)