Leonore Rachelle Brecher (Botoșani, 14 de outubro de 1886 – Campo de extermínio de Maly Trostinez, 18 de setembro de 1942) foi uma zoóloga austríaca, conhecida sobretudo por suas pesquisas sobre as variações de cor nas pupas de borboletas. Em 1922, ela conseguiu, juntamente com Hans Leo Przibram, uma confirmação parcial dos experimentos de Paul Kammerer sobre a herança de características adquiridas.

Seus trabalhos contribuíram para o desenvolvimento da zoologia experimental e da biologia do desenvolvimento, mesmo em meio a limitações institucionais e preconceitos acadêmicos. Com a ascensão do regime nazista, porém, Brecher foi progressivamente excluída da vida científica devido à sua origem judaica, perdendo acesso a financiamento, cargos e redes acadêmicas, o que interrompeu de forma abrupta uma trajetória de pesquisa promissora e culminou em sua perseguição, deportação e morte durante o Holocausto.

Biografia Leonore nasceu em Botoșani, no então Reino da Romênia, em 1886, em uma família de origem judaica. Frequentou o ginásio feminino em Iași e concluiu o ensino secundário em 1906. Iniciou estudos em ciências naturais na Universidade de Iaşi e, após um ano, deu continuidade na Universidade de Czernowitz, na Ucrânia. No entanto, precisou interromper o curso após o terceiro semestre, pois ambos os pais faleceram, e ela passou a viver com parentes em Bucovina. Somente em 1913 conseguiu retomar os estudos com apoio financeiro da família.

Em 1914, transferiu-se para a Universidade de Viena, onde, a partir de agosto de 1915, trabalhou no Instituto de Pesquisa Biológica da Academia Austríaca de Ciências, sob orientação do zoólogo Hans Leo Przibram.

Carreira até 1933 Em 1916, Brecher obteve o doutorado com um trabalho orientado por Przibram sobre a coloração das pupas da borboleta-branca-da-couve. Em 1917, concluiu o exame para lecionar em escolas secundárias e realizou o estágio pedagógico obrigatório em um ginásio feminino. Depois disso, retornou ao Instituto de Pesquisa Biológica, onde continuou suas investigações como assistente não remunerada de Przibram. Recebeu três bolsas de um ano da Academia de Ciências; no entanto, quando seus parentes interromperam o apoio financeiro em 1920 e ela tentou obter um cargo fixo, não teve sucesso. Sustentava-se por meio de bolsas privadas e ministrando cursos em universidades populares.

Em 1922, apresentou, junto com Przibram, os resultados de seus experimentos com pupas de borboletas e ratos em um congresso da Sociedade Alemã de Genética. Esses resultados pareciam confirmar as teses de Paul Kammerer sobre a herança de características adquiridas. Contudo, estudos posteriores de cientistas britânicos e norte-americanos refutaram as conclusões de Kammerer em anfíbios e répteis.

Em outubro de 1923, Brecher tentou se habilitar como a primeira mulher nas ciências naturais na Áustria. Na época, já contava com mais de vinte publicações científicas. Seu pedido para obter a autorização de docência em zoologia foi inicialmente adiado e, em 1926, acabou rejeitado pela Faculdade de Filosofia da Universidade de Viena.

Uma nova regra introduzida em 1923 exigia que a comissão avaliadora considerasse não apenas a qualificação científica, mas também a "idoneidade pessoal" dos candidatos. Em um contexto de forte antissemitismo na universidade, essa regra servia, na prática, para excluir candidatos judeus. Brecher, que enfrentava preconceitos por ser mulher, judia e originária da Europa Oriental, teve seu pedido negado sob a alegação de que não possuía a "autoridade necessária" para lecionar.

Sem emprego fixo, continuou dependente de bolsas. Em 1923, uma bolsa internacional da American Association of University Women permitiu que passasse um ano na Universidade de Rostock. Em 1924, retornou a Viena e, no ano seguinte, obteve financiamento para trabalhar no Instituto de Patologia da Universidade de Berlim, onde atuou entre 1926 e 1928.

De 1928 a 1931, recebeu uma bolsa de pesquisa do Girton College, em Cambridge, que lhe possibilitou continuar seus estudos em Cambridge, depois em Rostock e, por fim, na Universidade de Quiel. Após esse período, permaneceu em Quiel, novamente dependente de apoio familiar. Um convite da Universidade de Columbia para trabalhar nos Estados Unidos não pôde ser aceito, pois, sem emprego formal na Alemanha, ela não conseguiu visto.

Nazismo Após a ascensão dos nazistas ao poder, Brecher foi excluída de financiamentos científicos devido à sua origem considerada "não ariana". Em 1933, tentou obter apoio para trabalhar em Cardiff, mas não teve sucesso. Seu mentor, Rudolf Höber, foi afastado de seu cargo por motivos raciais e políticos, o que agravou ainda mais sua situação. Ela pediu ajuda ao Academic Assistance Council, na Inglaterra, mas seu pedido foi negado, em parte por avaliações desfavoráveis sobre sua personalidade.

Sem meios de sustento e sem apoio financeiro da família, Brecher retornou a Viena em novembro de 1933, onde conseguiu um emprego mal remunerado no Instituto de Pesquisa Biológica. Após a anexação da Áustria pela Alemanha nazista em 1938, foi demitida junto com outros cientistas judeus. Privada de qualquer atividade científica, passou a trabalhar como professora em uma escola judaica, onde lecionava para uma turma de alunos com deficiência física. Ao mesmo tempo, tentou encontrar trabalho ou apoio no exterior. Diversas organizações internacionais recusaram ajudá-la, e seu último pedido registrado data de maio de 1939.

Morte No final de fevereiro de 1941, a escola onde trabalhava foi fechada e transformada em um centro de detenção para judeus destinados à deportação. Brecher foi deportada em 14 de setembro de 1942 e assassinada quatro dias depois, ao chegar ao campo de extermínio de Maly Trostinez.

Homenagem Em 2018, uma rua no bairro de Meidling, em Viena, foi nomeada Leonore-Brecher-Weg em sua homenagem.

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