Cortejo do Czar no Bois de Boulogne (título original em francês: Cortège du Tzar au Bois de Boulogne) é um curta-metragem mudo francês de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès e lançado pela Star Film. Registrado sob o número 50 do catálogo Star Film, classifica-se como filme de atualidade e documenta o cortejo do Czar Nicolau II da Rússia pelo Bois de Boulogne, o grande parque a oeste de Paris, durante a visita oficial do soberano russo à França em outubro de 1896. O filme é atualmente considerado perdido.
Descrição
O conteúdo do filme não pode ser confirmado em detalhe: nenhuma cópia sobreviveu. Com base no título e na classificação como atualidade, o filme registrava o cortejo imperial em deslocamento pelo Bois de Boulogne durante a visita de Nicolau II da Rússia à França em outubro de 1896. O Czar é listado no elenco como participante de si mesmo — com a ressalva de que essa identificação é presumida, não confirmada por documentação direta.
Produção
Terceiro filme da série imperial
Cortège du Tzar au Bois de Boulogne é o terceiro título de uma série de três filmes que Méliès dedicou à visita de Nicolau II da Rússia à França em outubro de 1896. O primeiro, Revue navale à Cherbourg (#47), registrava a chegada do Czar ao porto normando em 5 de outubro; o segundo, Cortège du Tzar allant à Versailles (#48), documentava o cortejo imperial rumo ao palácio nos dias 7 e 8 de outubro; e o terceiro, Cortège du Tzar au Bois de Boulogne (#50), registrava o cortejo pelo grande parque parisiense. É possível que Grandes Manœuvres (#56) constitua um quarto filme da série, correspondendo à revista militar de Châlons de 9 de outubro de 1896 — terceiro e último ato da visita imperial —, embora essa hipótese não esteja confirmada por fontes primárias.A posição do número 56 no catálogo Star Film, imediatamente após os três filmes dedicados à visita do Czar, e o caráter público e espetacular da revista militar de Châlons de 9 de outubro de 1896 — descrita pela imprensa da época como "a festa militar e a união fraterna das duas exércitos" — sugerem que Grandes Manœuvres pode constituir um quarto filme da série imperial. Os Lumière, que cobriram os demais atos da visita, não parecem ter filmado Châlons, o que abre espaço para que Méliès tenha registrado esse evento. A cobertura em série de um único evento diplomático por três títulos consecutivos é um dos primeiros exemplos de reportagem cinematográfica sistemática na história do cinema.
O Bois de Boulogne e a recepção popular
O Bois de Boulogne era, em 1896, o principal espaço de lazer e representação da alta sociedade parisiense. O percurso pelo parque era parte protocolar das visitas de Estado, oferecendo ao público parisiense a oportunidade de ver o soberano estrangeiro em deslocamento. O governo francês decretou feriado escolar e a Companhia das Estradas de Ferro do Oeste afretou trens especiais com desconto de 40%, resultando na chegada de 930 mil pessoas de todas as regiões da França à capital. Para Méliès, o parque oferecia condições favoráveis de filmagem ao ar livre — luz natural abundante e espaço aberto para posicionar a câmera — e um público já mobilizado pela visita imperial.
Contexto no catálogo
Registrado sob o número 50 do catálogo da Star Film, Cortège du Tzar au Bois de Boulogne é precedido por Les Haleurs de bateaux (#49) e seguido por Sortie des ateliers Vibert (#51).
Preservação
O filme é considerado perdido. Nenhuma cópia ou fragmento foi localizado em arquivos ou coleções conhecidas.
Ver também
Georges Méliès Star Film Company Nicolau II da Rússia Bois de Boulogne Aliança franco-russa Filme perdido
Ligações externas
— Gallica / BnF — Gallica / BnF — Gallica / BnF
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