Marie-Jeanne Lamartinière foi uma revolucionária e enfermeira haitiana. Ela cresceu em uma plantação em Porto Príncipe, onde recebeu educação formal antes de se casar com Louis Daure Lamartinière, um oficial do Exército Indígena.
Em 1802, lutou ao lado do exército contra as forças francesas na Batalha de Crête-à-Pierrot, usando roupas masculinas, sendo descrita como muito corajosa em combate.
Biografia Lamartinière é descrita como uma mulher mulata, nascida em Porto Príncipe. Ela provavelmente nasceu de uma mulher africana escravizada e seu senhor francês branco, mas a natureza do relacionamento dos seus pais não é clara, sendo possível uma relação não consensual ou baseada na necessidade de subsistência. Ela também pode ter tido ascendência taíno. Lamartinière foi criada em uma plantação baseada na escravidão, e recebeu educação formal de professores especializados em vodu haitiano e cultura africana.
Lamartinière casou-se com Louis Daure Lamartinière, um oficial do Exército Indígena, que lutou na Revolução Haitiana.
Marie-Jeanne Lamartinière fez parte do Exército Revolucionário de Toussaint de Louverture e lutou ao lado do marido, que serviu como um oficial superior e morreu em combate durante a Batalha de Crête-à-Pierrot, uma das mais importantes da Revolução Haitiana, com duração de 4 a 24 de março de 1802.
Marie-Jeanne Lamartinière lutou ao lado do exército de 1.200 homens escravizados para proteger o forte das forças francesas, compostas por 10.000 soldados, vestindo um uniforme masculino e portando um rifle e uma espada. Seu uniforme foi descrito como semelhante ao dos mamelucos, usando na cabeça uma touca de onde escapavam algumas mechas de cabelo. A atuação de Lamartinière na batalha teria incluído percorrer o forte distribuindo cartuchos de munição, carregando canhões e disparando contra as tropas inimigas. Posteriormente à batalha, a revolucionária teria cuidado de seu marido em um canavial quando este adoeceu. Há um relato de que após a morte de seu marido, Marie-Jeanne teria sido amante de Jean Jacques Dessalines.
Em 1804, após a Independência do Haiti, Lamartinière se casa com o oficial Jean-Louis Larose; mas, fora isso, há poucas informações sobre a vida dela após a independência. Tornou a guarda-costas pessoal e chefe da segurança do Imperador Dessalines. Embora existam poucos registros históricos sobre Lamartinière, ela é popular em todo o Haiti e foi retratada em um selo postal e uma moeda no país.
alt=A woman in a dress and a man in a uniform posing in front of troops.|miniaturadaimagem|Marie-Jeanne e Louis Daure Lamartinière em um selo postal de 1954, comemorando o 150º aniversário da independência do Haiti
Legado e homenagens Liderada por mulheres e homens negros, escravizados e livres com papéis de destaque no movimento revolucionário de independência do século XIX. Lamartinière é uma das poucas mulheres, cuja participação na Revolução Haitiana é reconhecida na história. Ainda assim, pouco se sabe sobre ela, especialmente sobre sua infância. Lamartinière é popularmente conhecida como "a Joana d'Arc do Haiti" e é muito famosa em todo o país.
Marie-Jeanne Lamartinière é uma das personagens do drama histórico La Crête-à-Pierrot, obra do escritor haitiano Charles Moravia publicada em 1908.
Uma pintura do artista plástico haitiano François Cauvin representando Lamartinière integrou no ano de 2025 uma exposição do Fitzwilliam Museum sobre lutas antiescravistas.
Em Port-à-Piment, uma caverna foi batizada em sua homenagem, a grotte Marie-Jeanne. Ela recebeu esse nome pois Marie-Jeanne Lamartinière teria feito dessa caverna subterrânea o seu lar no início do século XIX.
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