A Igreja de Santiago de Gobiendes é uma igreja católica de arquitetura pré-românica asturiana, situada na povoação de Gobiendes, perto da Serra do Sueve município de Colunga, nas Astúrias, Espanha, e uma das igrejas mais antigas existentes da Península Ibérica. Está adstrita à paróquia de Gobiendes, na Arquidiocese de Oviedo. Foi declarada monumento Histórico-Artístico por decreto a 3 de junho de 1931.
História A data da construção da Igreja é desconhecida, sendo a sua primeira aparição em documentos datada de 8 de agosto de 921, quando o rei Ordonho II a doou à Catedral de Oviedo. Esta menção tardia sugere que o templo já existisse e estivesse estabelecida pela altura da doação, pelo que alguns especialistas datam a sua construção na época de Afonso III, ou mesmo antes, durante o reinado de Ordonho I. Construída numa zona rural, próximo da Serra do Sueve, fora do raio de ação da corte em Oviedo, é inferido que tenha sido criada pela nobreza local, de forma a consolidar a sua posição na região. Devido a isto, vários historiadores e pesquisadores associam esta igreja à Igreja de São Salvador de Priesca, outro templo medieval promovido por um grupo de nobres na mesma época e no concelho vizinho de Villaviciosa.
Décadas antes, Afonso II das Astúrias tinha efetuado a primeira peregrinação ao túmulo do apóstolo em Compostela. Apesar de Gobiendes não aparecer nos itinerários oficiais do Caminho, esta igreja está a apenas um quilómetro a sul do seu traçado, inferindo-se. também, que fosse um local de paragem e culto católico.
Ao longo dos séculos, o templo sofreu diversas modificações importantes que alteraram sua aparência original. No século XVIII, a abside foi ampliada e abobadada de acordo com o gosto da época, mais barroco do que asturiano. No ano de 1853, a igreja sofreu, novamente, profundas alterações à sua composição arquitetónica, quando as naves foram renovadas e a antiga estrutura foi modificada para se adequar aos novos gostos estéticos e às necessidades da paróquia. Apesar dessas obras, muitos elementos essenciais de sua estrutura original ainda se conservam, permitindo identificar o estilo original.
Durante a Guerra Civil Espanhola, o edifício da igreja não foi danificada, embora as imagens tenham sido queimadas em uma fogueira do lado de fora do templo. Na década de 1980, a igreja passou por uma extensa restauração sob a direção do arquiteto Magín Berenguer Díez. Essa renovação restaurou o volume original da nave, descobriu as antigas janelas da claraboia e devolveu o piso ao seu nível original. Além disso, foram descobertos vestígios de estuque colorido, sugerindo que a igreja já teve pinturas murais.
Arquitetura e Estilo Sua estrutura original era formada por três naves, e um pórtico tripartido, cobertas por um telhado plano de madeira, e separadas as naves por séries de arcos redondos de tijolo, sobre pilares quadrados com capitéis impostas. A nave central era muito mais larga que as naves laterais, o que permitia a abertura de quatro janelas em cada lado, centradas em arcos de separação que proporcionavam à igreja uma iluminação adequada, e uma satisfatória entrada de luz natural no edifício.
As cabeceira era formada por três absides planas da mesma largura das naves e cobertas por abóbadas de berço. A capela-mor foi bastante alterada durante as obras do século XIX. Nessa altura, foi ampliada, o frontão foi modificado e o arco de entrada foi elevado. Era um pouco mais comprida do que as capelas laterais e tinha vários arcos cegos decorativos nas três paredes. miniaturadaimagem|317x317px|Interior da Igreja (vista para o altar). No lado oeste existia um nártex dividido em três partes, do qual ainda se conservam os espaços laterais. Este comunicava com o resto da igreja através de duas portas com arcos de tijolo. Tal como as outras igrejas do conjunto, também tinha dois compartimentos laterais junto ao último tramo das naves, mas estes desapareceram.
O interior da igreja, muito semelhante ao de São Salvador de Priesca, com mais um trecho de arcos nas naves, conserva todas as suas principais características, exceto a alteração produzida pelo alargamento da abside central e das naves para oeste. Mas, externamente, a referida reforma, num estilo arquitetónico muito diferente, alterou consideravelmente a sua imagem. Na cabeceira, o grande volume da nova abside central gera um efeito estranho e inorgânico, rompendo completamente com a imagem de uma igreja asturiana. A isso, devemos acrescentar que o prolongamento das naves, num estilo muito diferente e sem qualidade artística, ao qual foi acrescentado um campanário moderno, bem como a construção de um pórtico sobre colunas de madeira que percorre toda a fachada oeste e grande parte da fachada sul, ocultam quase totalmente a estrutura original da igreja. esquerda|miniaturadaimagem|317x317px|Interior da Igreja (vista para a entrada). A decoração interior resume-se aos capitéis com folhas de acanto e às faixas em forma de corda que se encontram sobre as colunas encostadas às paredes. Estas colunas sustentam os arcos da cabeceira. Na sacristia conservam-se alguns capitéis, colunas e bases dos arcos cegos que existiam na antiga capela central, entretanto desaparecida. Também aí se encontram restos de uma janela dupla, que provavelmente pertencia à mesma abside. miniaturadaimagem|263x263px|Capitéis da igreja com folhas de acanto Outra janela interessante foi reutilizada na parede sul da nova abside durante as obras de 1853, como indica uma inscrição. É formada por dois arcos, enquadrados por uma moldura retangular, e apoiados numa pequena coluna com capitel. A sua decoração é simples e inclui a figura de uma suástica.
A conservação de duas janelas, que provavelmente pertenciam à parte central da antiga cabeceira, permite concluir que existia um compartimento na abside sem acesso pelo interior da igreja. Provavelmente, esse espaço tinha dois pisos, cada um com uma janela.
Não foram encontrados vestígios de frescos ou outras pinturas. No entanto, é provável que o interior tivesse sido totalmente decorado com pinturas, tal como acontecia nas outras igrejas do mesmo conjunto, e como encontrado em escavações arqueológicas nos anos 80.
Ver também
Arte visigótica Arte das Astúrias Arte pré-românica Igreja Católica na Espanha
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