A Capela de Santo Antônio do Bengo, oficialmente denominada Capela de Santo Antônio de Pádua – Bengo, é um templo católico localizado na Colônia do Bengo, zona rural do município de São João del-Rei, em Minas Gerais. Sua construção teve início em 1905 por iniciativa do benzedor e líder comunitário Emygdio Apollinário dos Passos Moraes, conhecido como Emídio do Bengo, contando com a participação dos moradores da comunidade.

O templo constitui um dos principais marcos da religiosidade popular do Campo das Vertentes. Além de sediar as tradicionais festividades em honra de Santo Antônio, é reconhecido pelo Inventário Municipal do Patrimônio Cultural como um testemunho da atuação religiosa de seu fundador e da formação histórica da comunidade do Bengo.

História A Capela de Santo Antônio do Bengo localiza-se na Colônia do Bengo, na zona rural de São João del-Rei, próxima à antiga estrada que ligava o município a Ritápolis. O nome da localidade deriva do Córrego do Bengo, nas proximidades do qual se estabeleceu a comunidade rural onde o templo foi erguido.

A construção da capela teve início em 1905 por iniciativa do benzedor e líder comunitário Emygdio Apollinário dos Passos Moraes, conhecido como Emídio do Bengo, que era devoto de Santo Antônio. A edificação foi construída em pedra e barro, por etapas, contando com o trabalho coletivo dos moradores da comunidade. O projeto original previa duas torres sineiras, mas apenas uma delas chegou a ser concluída.

Antes da construção do templo, Emídio promoveu a instalação de um cruzeiro nas proximidades de sua residência, onde diariamente reunia familiares, vizinhos e amigos para a oração do terço. Após a conclusão da capela, passou a organizar as festas religiosas dedicadas a Santo Antônio, Sant'Ana e São João Batista, celebrações que reuniam moradores de toda a região, contando com a participação da Orquestra Joaquim Ramalho, de Tiradentes, e da Banda de Santa Cecília, de São João del-Rei.

Em 1964, diante do estado de deterioração do edifício e da possibilidade de sua demolição, os moradores organizaram uma campanha para sua preservação. As obras de restauração foram financiadas por meio de leilões, campanhas e doações da comunidade, sendo concluídas em 1972.

Em julho de 1989 a capela sofreu um ato de vandalismo, quando foi furtada a imagem de Santo Antônio de Pádua e danificadas outras imagens sacras. Em 19 de abril de 1990 um incêndio destruiu completamente o altar-mor, dando início a uma nova campanha comunitária de reconstrução. A recuperação contou com doações de materiais, mão de obra e recursos oferecidos por moradores, empresas e benfeitores da região, permitindo a continuidade das atividades religiosas.

A capela permanece como um dos principais referenciais religiosos da comunidade do Bengo. O documento destaca que o edifício constitui um testemunho da devoção de seu fundador e da participação da população local na preservação do patrimônio religioso e cultural do município.

Arquitetura A capela foi construída em posição elevada em relação à estrada vicinal que liga a Colônia do Bengo à rodovia BR-494, implantando-se de forma isolada no terreno e destacando-se na paisagem rural. Sua localização contribui para o caráter simbólico e religioso do conjunto, tornando o edifício um marco visual da comunidade.

A construção original empregou alvenaria de pedra e barro, posteriormente complementada por acréscimos em tijolo cerâmico maciço. A cobertura é composta por telhado de duas águas com telhas cerâmicas do tipo capa e canal, sustentado por estrutura de madeira.

A fachada principal apresenta composição simples, formada por porta central em arco pleno, duas janelas destinadas à iluminação do coro, um óculo em forma de losango e torre sineira lateral. O projeto concebido por Emídio do Bengo previa duas torres, das quais apenas uma foi construída.

O interior é composto por nave única, capela-mor, coro elevado em estrutura de madeira e sacristia. Após o incêndio ocorrido em 1990, o altar-mor original foi perdido, sendo substituído durante as obras de reconstrução promovidas pela comunidade local. O templo conserva bancos de madeira, forro em madeira aparente e piso constituído por lajotão cerâmico, assoalho de madeira e revestimentos cerâmicos instalados em diferentes fases construtivas.

Junto ao edifício principal existe uma construção de apoio destinada à realização das festividades religiosas e atividades comunitárias, composta por cozinha, depósito e espaço coberto para eventos.

Patrimônio cultural A Capela de Santo Antônio do Bengo integra o conjunto de Inventários de Proteção do Acervo Cultural do município de São João del-Rei, elaborado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo no âmbito da política municipal de preservação do patrimônio cultural. O inventário destaca que o edifício possui significativo valor histórico, religioso e artístico para a comunidade rural do Bengo e constitui um dos bens culturais encaminhados ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG) para fins de proteção patrimonial.

O templo representa o testemunho material da devoção de seu fundador, Emygdio Apollinário dos Passos Moraes, e da participação da comunidade na construção, conservação e reconstrução do edifício ao longo de mais de um século. O documento também ressalta que a capela preserva a memória das práticas do catolicismo popular desenvolvidas na região das Vertentes desde o início do século XX.

O levantamento registra ainda que, antes mesmo da construção da capela, Emídio havia erguido um cruzeiro nas proximidades de sua residência, onde diariamente promovia a oração do terço com familiares e moradores da comunidade. Após a inauguração do templo, organizava as festividades de Santo Antônio, Sant'Ana e São João Batista, que reuniam grande número de fiéis e contavam com a participação da Banda de Santa Cecília, de São João del-Rei, e da Orquestra Joaquim Ramalho, de Tiradentes.

Além de seu valor arquitetônico, a capela permanece como espaço de celebrações religiosas e de sociabilidade comunitária, sendo considerada um dos principais referenciais da identidade histórica da Colônia do Bengo.

Festividades Desde sua fundação, a Capela de Santo Antônio do Bengo constitui o principal centro das celebrações religiosas da comunidade da Colônia do Bengo. Seu fundador, Emygdio Apollinário dos Passos Moraes, organizava anualmente as festividades dedicadas a Santo Antônio, Sant'Ana e São João Batista, reunindo moradores de diversas localidades da região.

As celebrações eram marcadas por missas, procissões, novenas, queima de fogos e intensa participação comunitária. Segundo depoimento registrado no inventário, Emídio conduzia as cerimônias com grande devoção, permanecendo frequentemente ajoelhado diante do altar durante os atos religiosos.

O levantamento também registra a participação de importantes corporações musicais da região, entre elas a Banda de Santa Cecília, de São João del-Rei, e a Orquestra Joaquim Ramalho, de Tiradentes, evidenciando a integração da capela às tradições musicais e religiosas do Campo das Vertentes.

As festividades permanecem como uma das principais manifestações do catolicismo popular na comunidade do Bengo, preservando práticas religiosas transmitidas entre gerações e reforçando o papel da capela como espaço de devoção, memória e identidade cultural.

Ver também Emygdio Apollinário dos Passos Moraes Diocese de São João del-Rei São João del-Rei Catolicismo popular

Bibliografia

Rosário Categoria:Patrimônio edificado em São João del-Rei Categoria:Templos católicos de Minas Gerais