O conservadorismo no Japão (em japonês: 保守主義; rōmaji: hoshu shugi) é a ideologia dominante da política do país no período pós-guerra, notadamente por meio do estabelecimento do “Sistema de 1955” sob o Partido Liberal Democrata (PLD). Desde sua fundação, em 1955, o PLD tem sido a principal força da política japonesa, incorporando políticas conservadoras e moldando a governança do país durante grande parte da era pós-guerra.

Os conservadores japoneses contemporâneos da corrente principal defendem, em sua maioria, posições como a revisão da Constituição e uma política externa pró-Estados Unidos. Alguns também sustentam propostas como o rearmamento do Japão e uma política externa mais firme em relação à China, à Coreia do Norte e, por vezes, à Coreia do Sul e à Rússia. Além disso, conservadores radicais expressam posições anti-LGBT e anti-imigração, bem como promovem a negação ou minimização dos crimes de guerra cometidos pelo Japão antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

História Durante a Era Meiji (1868–1912), o Japão passou por uma transformação significativa ao iniciar um processo de rápida modernização e ocidentalização. Ao mesmo tempo em que adotava reformas modernas para fortalecer sua economia e suas forças armadas, facções conservadoras dentro do governo e da sociedade buscavam preservar os valores e as instituições tradicionais japonesas. O governo Meiji implementou políticas voltadas para centralizar o poder nas mãos do Imperador, promover o nacionalismo e reforçar as hierarquias sociais. Esses esforços conservadores tinham como objetivo manter a ordem social em meio às profundas mudanças provocadas pela industrialização e pela influência ocidental. Os valores dos samurais (lealdade, dever e honra) continuaram a influenciar o pensamento conservador, enfatizando a fidelidade ao Imperador e a preservação da identidade cultural japonesa diante do avanço do Ocidente.

Nas décadas de 1930 e 1940, o conservadorismo assumiu um caráter mais extremo. Influenciadas pela ascensão do militarismo e pelas ambições expansionistas, facções conservadoras dentro do governo e das forças armadas passaram a defender políticas externas agressivas com o objetivo de assegurar a supremacia do Japão no Leste Asiático. Esse período foi marcado pelo surgimento de partidos ultranacionalistas, como a Associação de Assistência ao Regime Imperial, e pela militarização da sociedade japonesa, com forças conservadoras promovendo a expansão militar e empreendimentos imperialistas na China e em outras partes da Ásia. A ascensão do militarismo e do ultranacionalismo levou ao enfraquecimento das instituições democráticas e ao fortalecimento do autoritarismo, culminando na participação do Japão na Segunda Guerra Mundial.

Após a guerra, o conservadorismo japonês ressurgiu sob a liderança do Partido Liberal Democrata (PLD), que chegou ao poder em 1955 e estabeleceu o chamado “Sistema de 1955”, caracterizado pela predominância conservadora na política japonesa. Como resultado, o PLD consolidou-se como a principal força política do país, posição que mantém até os dias atuais.

Posições O conservadorismo japonês defende posições e valores conservadores clássicos em relação à família nuclear, ao Estado-nação, aos direitos de propriedade, ao Estado de Direito e à monarquia. Assim, esta seção destaca apenas as políticas que são exclusivas do conservadorismo japonês.

Política interna Os conservadores japoneses defendem a revisão d∏a Constituição do país, especialmente do Artigo 9, que renuncia à guerra e proíbe o Japão de manter forças armadas. A revisão constitucional foi uma prioridade de muitos primeiros-ministros conservadores ao longo dos séculos XX e XXI, notadamente durante o segundo mandato de Shinzō Abe de 2012 a 2020.

Conservadores e políticos japoneses frequentemente negam crimes de guerra cometidos pelo Japão durante o período imperial (1868–1945), especialmente os massacres de Nanquim e de Kantō, fazendo alegações pseudo-históricas de que tais eventos nunca ocorreram. Conservadores japoneses também recorrem ocasionalmente ao revisionismo histórico, exaltando aspectos do passado militar do país, como ao visitar o Santuário Yasukuni, um santuário xintoísta em Tóquio que homenageia os 2.466.532 mortos a serviço do Japão, incluindo 1.066 criminosos de guerra condenados. Essas visitas geram controvérsias, pois quando realizadas por primeiros-ministros, ministros de Estado ou parlamentares japoneses, costumam ser condenadas por países como China e Coreia do Sul. Alguns conservadores também tentam justificar a participação do Japão na Segunda Guerra Mundial, apresentando-a como uma causa nobre para “libertar a Ásia das potências coloniais ocidentais”.

Após o acidente nuclear de Fukushima, em 2011, a opinião pública sobre a energia nuclear tornou-se bastante dividida. Embora a maioria dos conservadores japoneses defenda a continuidade e a expansão da energia nuclear, alguns conservadores moderados passaram a defender sua eliminação gradual devido às preocupações com segurança e riscos ambientais.

A prática da caça às baleias no Japão é motivo de controvérsia tanto no país quanto internacionalmente. A maioria dos conservadores japoneses defende sua preservação como uma tradição cultural e uma atividade econômica importante, em contraste com os liberais japoneses, que em geral apoiam regulamentações mais rigorosas ou o fim da caça comercial às baleias.

Os conservadores japoneses frequentemente se opõem a alterações na Lei da Casa Imperial que permitiriam a sucessão feminina ao Trono do Crisântemo. Da mesma forma, também se opõem às reformas da legislação sobre sobrenomes, segundo as quais casais casados poderiam optar pelo sobrenome de qualquer um dos cônjuges ou criar um novo sobrenome para a família.

Política externa Com exceção dos ultranacionalistas, os conservadores japoneses geralmente aceitam e valorizam as estreitas relações do país com os Estados Unidos, apoiando a Aliança Estados Unidos–Japão e a presença de tropas estadunidenses em território japonês, em contraste com os progressistas japoneses, que se opõem tanto à aliança militar quanto à presença dessas forças. Além disso, os conservadores japoneses defendem uma política externa mais firme em relação à China (devido às disputas territoriais e à competição geopolítica) e à Coreia do Norte (por causa de seu programa nuclear e do sequestro de cidadãos japoneses), e, em alguns casos, também em relação à Coreia do Sul (por disputas territoriais, a questão das “mulheres de conforto” e conflitos comerciais) e à Rússia (por disputas territoriais e pela invasão da Ucrânia). Em razão das relações hostis entre Japão e China, a maioria dos conservadores japoneses apoia o fortalecimento dos laços com Taiwan, havendo políticos conservadores de destaque que defendem uma intervenção direta caso ocorra uma guerra entre Taiwan e a China.

Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022, os conservadores japoneses manifestaram forte apoio ao governo ucraniano, em parte devido à disputa territorial entre Japão e Rússia pelas Ilhas Curilas, que o governo japonês considera “ilegalmente ocupadas” pela Rússia. Segundo uma pesquisa do Pew Global Attitudes Project, realizada em 2012, 72% dos japoneses tinham uma visão desfavorável da Rússia, tornando o Japão o país mais antirrusso entre os pesquisados. Já uma pesquisa do governo japonês, realizada em 2017, mostrou que 78,1% dos japoneses declaravam sentir pouca ou nenhuma afinidade com a Rússia, o segundo maior índice entre as oito regiões pesquisadas, atrás apenas da falta de afinidade com a China (78,5%).

Referências

Categoria:Política do Japão Categoria:Conservadorismo por país Categoria:Conservadorismo no Japão Categoria:Nacionalismo no Japão Categoria:Direita política no Japão Categoria:Direita política na Ásia