A Gestão Jaques Wagner no governo da Bahia, também conhecida como Governos Jaques Wagner, corresponde ao período da história política do estado da Bahia em que o petista Jaques Wagner exerceu o cargo de chefe do Poder Executivo estadual, entre 1.º de janeiro de 2007 e 31 de dezembro de 2014. O governo foi iniciado após sua vitória nas eleições estaduais de 2006 e renovado com sua reeleição em 2010, marcando o início e a consolidação do petismo na Bahia. A chegada de Wagner ao governo encerrou mais de dezesseis anos de administrações vinculadas ao grupo político liderado por Antônio Carlos Magalhães e representou a primeira vez que o Partido dos Trabalhadores assumiu o comando do Poder Executivo baiano.

Durante os dois mandatos, a administração priorizou políticas de inclusão social, ampliação dos investimentos em infraestrutura e fortalecimento dos serviços públicos. O governo executou obras nas áreas de mobilidade urbana, saneamento, saúde, educação e logística, além de implementar programas voltados ao desenvolvimento regional e ao combate à pobreza. Entre os projetos de maior destaque estiveram a implantação do Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas, o desenvolvimento da Ferrovia de Integração Oeste–Leste (FIOL) e do Complexo Intermodal Porto Sul, bem como investimentos na expansão da rede hospitalar e da malha rodoviária estadual. O período, entretanto, também foi marcado por críticas relacionadas aos índices de violência e segurança pública, à lentidão na execução de algumas obras de infraestrutura, a dificuldades na gestão da saúde e da educação e a questionamentos da oposição sobre a eficiência administrativa e o ritmo do desenvolvimento econômico em determinadas regiões do estado.

Politicamente, os governos coincidiram com as administrações dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, período marcado por estreita cooperação entre os governos estadual e federal e pela ampliação dos investimentos da União na Bahia. A gestão consolidou a presença do Partido dos Trabalhadores na política baiana, mantendo ampla base de apoio na Assembleia Legislativa e garantindo a continuidade do projeto político com a eleição de Rui Costa nas eleições estaduais de 2014.

Secretariado

Iniciativas de governo

Sucateamento da Cesta do Povo Ao longo da gestão de Jaques Wagner, a Cesta do Povo, rede estadual de supermercados populares criada na década de 1970, passou por um processo de redução gradual de suas atividades. A diminuição do número de unidades em funcionamento, a redução da oferta de produtos e a perda de competitividade frente ao comércio varejista convencional e aos programas federais de transferência de renda resultaram no enfraquecimento da rede durante o período. O processo foi alvo de críticas por parte de parlamentares, entidades representativas de trabalhadores e outros setores da sociedade civil, que o classificaram como um "sucateamento" da Cesta do Povo, atribuindo-o à redução dos investimentos e à ausência de uma política de modernização da empresa. O governo estadual, por sua vez, afirmou que a rede enfrentava dificuldades operacionais e financeiras acumuladas ao longo dos anos, defendendo a reestruturação de suas atividades como medida necessária para adequar o modelo de funcionamento às novas condições do mercado e às políticas públicas de segurança alimentar.

Saúde miniaturadaimagem|225x225px|Hospital Estadual da Criança, em 2011.

Hospital Estadual da Criança Entre as principais obras da área da saúde executadas esteve a construção do Hospital Estadual da Criança, localizado no município de Feira de Santana. A unidade foi concebida para ampliar a oferta de atendimento pediátrico de média e alta complexidade no interior da Bahia, tornando-se referência estadual em especialidades infantis. Inaugurado em 2010, o hospital passou a oferecer serviços de urgência e emergência, internação, centro cirúrgico, unidade de terapia intensiva (UTI), atendimento ambulatorial e apoio diagnóstico, atendendo pacientes encaminhados por meio da rede pública de saúde.

Segurança Pública

Greves da Polícia Militar As greves da Polícia Militar da Bahia constituíram alguns dos episódios mais marcantes da gestão, especialmente as paralisações de 2012 e 2014. Os movimentos reivindicavam reajustes salariais, reestruturação da carreira e melhorias nas condições de trabalho, mas também provocaram uma grave crise na segurança pública do estado. Durante as paralisações, foram registrados aumento nos índices de criminalidade, suspensão de serviços públicos e redução do policiamento ostensivo em diversas cidades baianas, levando o governo estadual a solicitar o apoio da Força Nacional de Segurança Pública e das Forças Armadas para garantir a manutenção da ordem pública.

A condução das crises foi alvo de intenso debate. Críticos da administração apontaram falhas na negociação com a categoria e na gestão da segurança pública, atribuindo ao governo demora na resolução dos conflitos e insuficiência das políticas voltadas aos policiais militares. O governo estadual, por sua vez, sustentou que as greves eram ilegais, afirmou ter mantido canais de negociação com representantes da categoria e defendeu a adoção de medidas judiciais e administrativas para assegurar a continuidade dos serviços essenciais e restabelecer a normalidade.

Relações institucionais Em dezembro de 2008, a relação política entre o governador Jaques Wagner e o então prefeito de Salvador João Henrique Carneiro foi oficialmente rompida. A decisão foi anunciada após o prefeito intensificar sua aproximação com lideranças do Democratas, especialmente durante as articulações para as eleições de 2010. A partir do rompimento, o governo estadual passou a tratar a administração municipal como integrante da oposição, embora tenha afirmado que manteria as relações institucionais entre os dois entes de forma republicana.

No contexto das eleições municipais de 2008, a aliança entre o Partido dos Trabalhadores e o PMDB na Bahia entrou em crise após o PT decidir lançar candidatura própria à Prefeitura de Salvador, rompendo o apoio à tentativa de reeleição do prefeito João Henrique Carneiro. A decisão provocou reações de lideranças peemedebistas, entre elas o então ministro Geddel Vieira Lima, que criticou o rompimento da aliança firmada nas eleições estaduais de 2006. Nos meses seguintes, o desgaste entre os dois partidos se aprofundou, culminando no rompimento político entre o governador Jaques Wagner e João Henrique em dezembro de 2008, após divergências quanto às alianças para as eleições estaduais de 2010. Jaques Wagner Categoria:Governo Jaques Wagner Categoria:Jaques Wagner Jaques Wagner