O solo ou jogo do solo é um jogo de naipes tradicional da família dos triunfos. Seu nome vem dado pelo lance elementar do jogo, no que um dos jogadores se converte em solante e compete com os outros dos. É junto ao voltarete e a calabresella um dos grandes jogos para três pessoas tradicionais da baralho espanhol.

De origem portuguesa ou espanhol, o solo consiste uma fusão entre os dois principais jogos ibérios da sua época: o hombre e a manilha. Diferencia-se, por tanto, de outros jogos contemporâneos que têm sido chamados posteriormente com o mesmo nome, facto que gera muita confusão aos historiadores. O problema com frequência resolve-se acrescentando um apelativo referido à proveniencia da cada jogo. Assim teríamos ao solo ibério propriamente dito, diferente do solo alemão (deutsches solo), o solo inglês (solo whist) e o solo americano (six-bid solo).

Foi muito jogado em países de presença e imigração espanhola e portuguesa: Espanha, Portugal, Cuba, Brasil, Macao e as demais colónias portuguesas. Ainda se joga em vários povos do Sur de Brasil, onde é fomentado activamente pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho.

História Não se sabe com exactidão a data e o lugar de origem do solo, mas pode se generalizar sitúandolo em algum lugar da Península Ibéria, ao menos para fins a segunda metade do século .

Suas primeiras menções em tratados específicos datam da primeira metade do , onde o mesmo já é descrito como a transposición das mecânicas mais básicas do jogo do <i id="mwSg">homem</i> -os lances, a dinâmica de três jogadores, o sistema de pagamentos com fichas, o baralho recortado a 40 naipes- ao popular jogo da manilha. Este processo pode homologarse ao sucedido com a tressette para engendrar a calabresella, entre muitos outros casos similares.

Regras

Objectivo O solo é um jogo no que três jogadores competem entre si ao longo de sucessivas partidas. Na cada uma delas, um dos três jogará contra os outros dois e procurará ganhar a maioria dos pontos em jogo. Dependendo o resultado da cada partida, os jogadores obterão ou perderão fichas que podem ou não representar um valor em dinheiro.

O jogo joga-se a uma quantidade de partidas pactuada, finalizando quando os jogadores assim o lembrem. Quem tenha mais fichas é o ganhador, e pode exigir a seus rivais o pagamento convindo.

As cartas O solo utiliza um baralho de 36 naipes sem os doses, os ochos, os nueves e os dieces. Suas cartas valem e jerarquizan da mesma forma que na manilha:

Manilhas: 5 tantos. Áses: 4 tantos. Reis: 3 tantos. Valetes: 2 tantos. Damas: 1 tanto. Cartas brancas (seises, cincos, cuatros e treses): 0 tantos.

Distribuição Distribuiam-se todas as cartas a razão de 12 para a cada jogador.

Os lances Segue a fase dos lances, na que os jogadores terão a opção de passar ou de tentar converteste em solistas. Quem faça-o terá o direito de eleger o naipe de trunfo e a possibilidade de sacar maior vantagem de seus rivais.

Há, em esencia, três tipos de lance: solo, bolo preto, e bolo natural. No solo, o jogador elege o naipe de trunfo e compromete-se a obter a maioria dos tantos em jogo (36 ou mais). No bolo preto, o jogador está obrigado a ganhar todas as vazas sem margem de erro; para compensar isto tem a possibilidade de pedir uma carta específica a seus rivais. No bolo natural, o jogador renuncia a esta última atribuição e tenta realizar o bolo sem pedir nenhuma carta.

Nenhum lance pode igualar-se, sina só superar-se. Começa o jogador mano, e as opções são as seguintes, de menor a maior:

Passar Solo Solo de ouros Bolo preto Bolo preto de ouros Bolo natural Bolo natural de ouros

O jogo do solo conta claramente com um naipe de favor, ao igual que outros jogos da mesma família. O mesmo é ouros, e sempre duplica o valor de um lance.

Uma vez determinada a identidade do solante, este pede sua carta (em caso que tenha cantado bolo) e comunica a seus rivais o naipe de triunfo para toda a rodada.

Existe uma antiga variante chamada malilla do campo, que estabelece que, se todos passam, o jogador pé anuncia o triunfo e se joga uma rodada sem solista nem contrários, na que ganha o jogador que faça mais tantos.

Início do jogo Começa o jogador mano saindo com um naipe a sua eleição.

De forma similar a outros jogos de triunfo, no solo sobrepõe-se a hierarquia interna das cartas com a dos diferentes naipes: o de saída, o de triunfo e os dois restantes. Enquanto o primeiro opina-o o jogador mano a cada vez que inicia uma vaza, o segundo o define o solista durante os lances.

Uma vaza é ganhada pela carta de triunfo mais alta que se jogou, e em seu defeito pela mais alta do naipe de saída. Quando se ganha uma vaza, o ou os jogadores reúnem de bruços as cartas da mesma num montão ao que ir-se-ão somando futuras vazas. Quem ganhe ganhe-a será o que inicie a seguinte vaza.

A excepção do jogador que sai, o jogo de vazas não é livre. Ao invés, os jogadores estão obrigados a responder ao naipe de saída, e de matar a carta jogada pelo adversário. Se um jogador não pode responder, deve então cortar jogando um triunfo, sempre seguindo com a obrigação de matar à carta mais alta jogada na mesa. A obrigação de responder sempre se antepõe à de cortar, com o qual se um jogador não pode ganhar à carta jogada, mesmo assim deve jogar seguindo ao naipe de saída.

O jogo é estritamente silencioso, ficando proibida qualquer tipo de intervenção que loja a comunicar o valor das cartas ao colega. A informação só pode ser inferida do próprio jogo de vazas.

Fim da partida A rodada finaliza quando se jogaram as doze vazas. Os jogadores contam os tantos das cartas de seu montão, mais um tantos pela cada vaza ganhada.

Tendo 72 tantos ao todo em disputa (60 das cartas de tanto e 12 pela quantidade de vazas, ganha quem obtenha mais de 36 tantos. Para este e outros fins, os dois jogadores que não são o solante (chamados os contrários ou contristas) são equipa e contam como um só. Se produz-se um empate em 36 tantos, ganha quem seja mão.

Pontuação A pontuação é o aspecto mais variável do solo, facto compartilhado com outros jogos com fichas e tantos. Os jogadores são livres de atribuir ou não à cada tanto um valor em dinheiro, convertendo ao sozinho num jogo de apostas.

As fontes hispânicas mencionam uma hierarquia onde o solo vale 2 tantos, o solo de oro 4 tantos, a bola 8 tantos, a bola de oro 12 tantos, a bola sin pedir 16 tantos, e a bola de oro sin pedir 20 tantos. E ademais, a cada jogador põe um tanto no plato a cada vez que passa. Não é claro quando se jogam estes últimos tantos, ainda que poderia ser na mão de malilla do campo, ou nos lances de bola e superiores.

Nas fontes brasileiras, figura uma hierarquia diferente, onde o sozinho vale 1 tanto, o bolo preto 3 tantos e o bolo natural 4 tantos. A cada um deles, a sua vez, tem valor duplicado se é em ouros. Não há menção ao tanto por passar, e quando todos passam se volta a repartir.

Em todos estes casos, o solista recebe a soma especificada de cada um dos contrários em caso de ganhar o jogo. Em mudança, se perde-o, será ele quem deva pagar a ambos contristas esta soma.

Nos torneios regionais do Movimento Tradicionalista Gaúcho, realizados ao longo do Sur de Brasil, todos os lances têm um valor fixo de 1 tanto, não existindo nenhum tipo de hierarquia em tantos entre os lances.

Referências

Categoria:Jogos de cartas da Espanha Categoria:Jogos de cartas com baralho francês