Jean-Baptiste Bideau, também referido nas fontes venezuelanas como Juan Bautista Bideau, foi um corsário e marinheiro natural de Santa Lúcia que participou na Guerra de Independência da Venezuela. A historiografia recente situa-o entre os dirigentes afro-antilhanos e pardos que intervieram nas guerras revolucionárias do Caribe e, depois, nas forças patriotas venezuelanas.

Carreira no Caribe

Bideau já se encontrava ligado aos conflitos revolucionários caribenhos antes da sua participação na luta independentista venezuelana. Em 1796, figura entre os oficiais franceses e afro-antilhanos que combateram os britânicos na ilha de Trindade. Segundo Frédéric Spillemaeker, tinha sido corsário ao serviço de Victor Hugues e participara, entre 1794 e 1796, numa guerra em que a abolição da escravatura nas colónias francesas constituía um elemento central do conflito.

Expedição de Chacachacare e campanha do Oriente

Após a queda da Primeira República da Venezuela, Bideau integrou o grupo de emigrados patriotas reunido na ilha de Chacachacare, entre Trindade e a costa de Güiria. Em 11 de janeiro de 1813, os expedicionários assinaram a acta que entregava o comando da expedição a Santiago Mariño. Entre os 45 participantes encontrava-se Bideau, juntamente com Mariño, Manuel Piar, José Francisco Bermúdez e outros patriotas.

A expedição tomou Güiria em 13 de janeiro. Mariño e Bideau relataram a operação numa carta dirigida a Pablo Pietri, residente em Trindade, na qual assinalavam que o grupo dispunha de apenas cinco mosquetes e que apreendera a artilharia local. A tomada de Güiria marcou o início da ofensiva que ficaria conhecida como Campanha de Oriente.

Escravatura, recrutamento e a retirada de Güiria

A actuação de Bideau esteve ligada às tensões entre a causa patriota, as autoridades britânicas de Trindade e a escravatura no Caribe. Em junho de 1813, as autoridades britânicas acusaram-no de recrutar escravos fugitivos em Trindade; numa carta dirigida ao governador Ralph Woodford, Bideau negou a acusação, declarando que pretendia devolver os fugitivos aos seus proprietários. Spillemaeker observa que, por essa razão, não está demonstrado que Bideau defendesse uma nova abolição em 1813, apesar da sua experiência anterior nas guerras revolucionárias francesas.

Em 16 de fevereiro de 1815, Bideau e José Francisco Bermúdez evacuaram Güiria e os restos das forças patriotas perante a aproximação das tropas realistas de Francisco Tomás Morales. Segundo o relato de um comandante realista, Bideau proclamou, antes de partir, a liberdade geral dos escravos e apelou à resistência contra as forças realistas.

Ocumare e morte

Depois da retirada de Güiria, Bideau acompanhou outros patriotas no exílio no Haiti, onde se voltou a encontrar com Simón Bolívar. Em 1816, no decurso da retirada posterior ao desembarque de Ocumare de la Costa, tornou-se conhecido por ter resgatado Bolívar quando este corria o risco de cair nas mãos dos realistas. Morreu em combate no ano seguinte.

Interpretação historiográfica

A trajectória de Bideau é usada na historiografia para evidenciar a dimensão caribenha e afro-antilhana da independência venezuelana. Spillemaeker aproxima o seu percurso do de Manuel Piar: ambos tiveram experiência militar nas revoluções caribenhas e assumiram papéis de chefia nas forças patriotas, num processo de independência que proclamava novos princípios de cidadania, mas continuava a excluir os escravos. O seu caso mostra também que a relação entre guerra, recrutamento de escravos e abolição não foi uniforme: as fontes documentam simultaneamente a acusação britânica de 1813, a sua negação e a proclamação atribuída a Bideau durante a retirada de Güiria em 1815.

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