Hannah Wangeci Kìnoti (1 de agosto de 1941 - 30 de abril de 2001) foi uma teóloga feminista queniana e membro do Círculo de Teólogas Africanas Preocupadas.Shisanya, Constance (2002). "Professor Hannah Wangeci Kinoti: Your Seeds are Growing in Kenya". Em Phiri, Isabel; Govinden, Devarkasham; Nadar, Sarojini (eds.). Her-stories: Hidden Stories and Women of Faith in Africa. Pietermaritzburg: Cluster Publishers. pp. 227–347. Kìnoti era uma Eticista africana e Estudiosa de Estudos Religiosos com mais de cinquenta publicações. Ela foi um membro fundador do Jornal Wajibu, criado em 1985, centrando-se em religião, valores africanos, moralidade, política e cultura. Kìnoti foi a primeira presidente mulher do Departamento de Filosofia e Estudos Religiosos da Universidade de Nairóbi.

Vida inicial e educação Hannah Kìnoti nasceu a 1 de agosto de 1941, no Distrito de Nieri (agora Condado de Nieri). Ela foi a caçula de cinco crianças na família de Ruben e Ruth Gathii. Ela cresceu na Igreja Presbiteriana Escocesa, que mais tarde se tornou na Igreja Presbiteriana da África Oriental. Ela tornou-se cristã aos 15 anosKinoti, Hannah (2010). African Ethics: Gikuyu Traditional Morality. Leiden: Brill. p. 1. ISBN 978-90-420-3089-3. e foi formada pelo evangelismo da sua igreja. Mais tarde tornou-se uma pregadora laica da Igreja Metodista no Quénia.

Carreira Depois de se graduar como professora, Kìnoti ensinou conhecimento bíblico, inglês, divindade, e literatura na Kenya High School por cinco anos. Ela tornou-se bolseira guia em 1974, Palestrante assistente em 1982 na Universidade de Nairobi, onde obteve o seu doutorado no Departamento de Filosofia e Estudos Religiosos com a dissertação "Aspetos da Moralidade Tradicional Gikuyu" em 1983 e foi contratada como palestrante em 1984. Ela foi também palestrante adjunta na Escola Jesuíta de Teologia na Faculdade de Hekima e na Universidade Kenyatta. Kìnoti serviu como Professora Associada no Departamento de Filosofia e Estudos Religiosos até a sua morte súbita em abril de 2001. Como professora e pregadora laica, ela falava sobre vários tópicos éticos, espirituais, morais, e sociais.Kinoti, Hannah (1988). "Some Principles of Man-Woman Relationships in traditional Gikuyu Society". Wajibu. 2 (3): 2–4.

Kìnoti era uma eticista, teóloga, e administradora. Ela serviu como a Presidente do Departamento de Filosofia e Estudos Religiosos na Universidade de Nairobi por seis anos. Além dos seus deveres universitários, ela serviu num número de quadros teológicos e educacionais: como membro do Quadro de Governadores de Limuru (agora Jumuia) do Centro de Conferência ; membro do Quadro de Governadores, Escola de S. André, Turi; membro do Quadro de Governadores da Faculdade Teológica de S. Paulo, Limuru (agora Universidade de S. Paulo); membro do Quadro de Diretores do Fundo de Aconselhamento de Pesquisa das Organizações Cristãs, e foi presidente do Programa de Melhoramento da Comunidade Urbana junto com o Comité de Bolsa, um departamento do Conselho Nacional Cristão do Quénia. Ela foi também membro do quadro editorial e editora consultora do Wajibu.

Kìnoti era membro de várias organizações profissionais, como o Simpósio Ecumênico da África Oriental, da divisão queniana da Associação Ecumênica de Teólogos do Terceiro Mundo, do Círculo de Teólogas Africanas Preocupadas, da Associação de Instituições Teológicas na África Oriental, e da Conferência Mundial de Associações de Instituições Teológicas.

Ética feminista comunitária africana Primariamente, Kìnoti procurava construir uma ética feminista africana de liberação que exaltava sistemas de conhecimento indígena e maneiras africanas únicas de ser. As suas obras foram influenciadas pelo avanço da Teologia da Libertação e nutrida pela sua missão de ver a total liberação e empoderamento das mulheres africanas e toda a humanidade. Kìnoti concetualizou uma ética feminista comunitária africana que desconstruía a opressão das mulheres e reivindicava a agências das mulheres, traçando um caminho de total realização dos seus direitos, empoderamento, e liberação. Este foco estudioso era informado pela sua experiência como Gikuyu e cristã e os desafios enfrentados por muitas africanas integrando o Cristianismo com os seus valores tradicionais. Ela criticava os missionários ocidentais por imporem os seus códigos morais e éticos, que frequentemente ofuscavam e marginalizavam os valores africanos. Kìnoti argumentava que a colonização perturbou os sistemas africanos e promoveu o neocolonialismo, que enfraqueceu as normas africanas e representava estas normas negativamente. Ela reivindicou e reconstruiu a ética africana ao fundir o Cristianismo com os valores culturais africanos. Ela usava o conhecimento indígena como a linguagem, provérbios, e folclore para desenvolver um enquadramento moral que honrava a sua identidade Gikuyu e africana. Com este enquadramento ético, ela encontrou uma casa no Círculo de Teólogas Africanas Preocupadas e no Feminismo africano.

A teorização de Kìnoti tem três temas significantes que são essenciais no entendimento das estruturas comunais africanas e críticos quanto à liberação total das mulheres e humanidade. Primeiro, ela concebeu de valores humanos e viver uma vida virtuosa como indicadores chave do bem-estar de um indivíduo e da comunidade indígena africana. Segundo é o papel fundamental das relações indispensáveis no estruturamento e sobrevivência do código moral de uma comunidade, que forma ações individuais e define o caráter da comunidade. Por fim, a centralidade do mundo imaterial e o reconhecimento, veneração, e reverência do reino espiritual e seres ancestrais são críticos para o entendimento da vida comunal e formação do tecido moral das comunidades africanas. Com isto, Kìnoti criticou as epistemologias coloniais e imperiais do Ocidente de gênero e a interação entre homens e mulheres. A sua metodologia avançava a descolonização e indigenização das morais e sugeriu a possibilidade de gerar uma epistemologia liberativa localizada que assegura o florescimento completo das mulheres africanas e as suas comunidades. A ética feminista comunitária africana de Kìnoti centrava-se nas identidades das mulheres africanas.

Vida pessoal Hannah Wangeci casou-se com George Kìnoti e tomou o seu apelido. Tiveram cinco crianças.

Morte Kìnoti morreu a 30 de abril de 2001, aos cinquenta e nove anos.

Obras selecionadas

Kìnoti, H.W. (2013). Growing Old in Africa: New Challenges for the Church. Em Waruta, D. W. e Kinoti, H.W. (Eds). Pastoral care in African Christianity: Challenging essays in pastoral theology. Acton Publications, Nairobi, 191–218. Kìnoti, H. W. (2010). African ethics: Gĩkũyũ traditional morality. CUEA Press, Nairobi. Kìnoti, H.W. (2003). Christology in the East African Revival movement. Em Mugambi, J. K., & Magesa, L. (Eds). Jesus in African Christianity: experimentation and diversity in African Christology. Acton, Publishers, Nairobi, 60–79. Kìnoti, H. W. (2002). Caring in the Family and Community. Crises of life in African religion and Christianity, Lutheran World Federation. Kìnoti, H. W. (1999). "African morality: Past and present." Em Moral and Ethical Issues in African Christianity: Exploratory Essays in Moral Theology, 2nd ed., editado por J. N. K. Mugambi e Anne Nasimiyu-Wasike, 73–82. Nairobi: Acton Publishers. Kìnoti, H. W. (1999). "Matthew 5:1-12 An African Perspective." Em Priscilla Pope-Levison e John R. Levison (eds) Return to Babel: Global Perspectives on the Bible, 125–131. Louisville, KY: Westminster John Knox Press. Kìnoti, H.W. (1998). Proverbs in African Spirituality. In Getui, M. N. (Ed). Theological method and aspects of worship in African Christianity. Acton Publishers, Nairobi, 55–78. Kìnoti, H.W. (1997). Well-being in African Society and the Bible. Em Waliggo, J. M., & Kinoti, H. W. (Eds). The Bible in African Christianity: Essays in Biblical Theology. Acton Publishers, Nairobi, 112–143. Kìnoti, H.W. (1997). The Church in the Reconstruction of our Moral Self. Em Mugambi, J. N. K. (Ed). The church and reconstruction of Africa: Theological considerations. All Africa Conference of Churches, 115–128. Kìnoti, H.W. (1996). Nguiko: A Tempering of Sexual Assault Against Women. Em Wamue, G. & Getui, M. Violence Against Women: Reflections by Kenyan Women Theologians. Acton Publishers, Nairobi, Kìnoti, H.W. (1994). Pastoral Care in African Christianity: Challenging Essays in Pastoral Theology; Action Publishers Kìnoti, H. W. (1993). The Challenge of the New Age Movement and Oriental Mysticism. Mission in African Christianity, Uzima-Press. Kìnoti, H.W. (1992). African Morality: Past and Present. Em J. N. Mugambi, & N. Wasike, Moral and Ethical issues in African Christianity.  Nairobi: Initiatives, 73–82. Kìnoti, H. W. (1988). "Some principles of man-woman relationships in traditional Gĩkũyũ society." Wajibu 2(3): 2–4.

Referências

Categoria:Teólogos feministas Categoria:Mortos em 2001 Categoria:Nascidos em 1941 Categoria:!Artigos com hCards