Branca Edmée Marques de Sousa Torres (Anjos, Lisboa, 17 de outubro de 1899 — Lisboa, 17 de maio de 1986) foi uma cientista, física e química portuguesa. A primeira mulher assistente no Laboratório de Física de Ciências da Universidade de Lisboa, faculdade onde estudou Ciências Físico- Químicas. Foi também a primeira mulher catedrática numa Faculdade de Ciências em Portugal, assim como a doutorar-se, sendo, também, a única mulher portuguesa que trabalhou diretamente com Marie Curie (laureada Nobel pelos trabalhos sobre radioatividade). Foi pioneira na área de Radioquímica em Portugal, e fundou o primeiro laboratório do país dedicado à mesma. Biografia Branca Edmée Marques nasceu em Lisboa a 14 de abril de 1899 e faleceu a 19 de julho de 1986. Era filha de Berta Rosa Marques e de Alexandre Théodor Roux, casada com o Naturalista, Geólogo e Professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa António da Silva e Sousa Torres. Educação e primeiros anos Branca Edmée Marques realizou toda a sua formação inicial em Lisboa. Frequentou o Colégio Luso-Brasileiro, na Travessa das Terras de Santana, seguindo depois para o ensino secundário no Liceu Maria Pia (atual Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho), onde completou do 1.º ao 5.º ano, terminando o 6.º e 7.º anos no Liceu Pedro Nunes.
Posteriormente ingressou na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde concluiu a licenciatura em Ciências Físico-Químicas em 1926, com elevada classificação. Terminou a licenciatura em Ciências Físico-Químicas em 1926 na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa com uma média de 17,4 valores . No ano letivo de 1923-24, ainda estudante, estagiou no Laboratório de Química Analítica no Instituto Superior Técnico sob orientação de Charles Lepierre, e trabalhou como assistente no Laboratório da Faculdade de Ciências de Lisboa com o Aquiles Machado.
Durante esta fase inicial da sua carreira procurou oportunidades de especialização no estrangeiro, enfrentando várias dificuldades burocráticas e sociais que atrasaram a obtenção de uma bolsa de internacionalização. Apenas no início da década de 1930 pôde finalmente iniciar formação avançada num dos centros mais prestigiados da Europa.
Foi bolseira da Junta de Educação Nacional em França em 1931, altura em que uma mulher viajar sozinha para Paris era mal visto, tendo por isso sido acompanhada pela sua mãe, uma vez que o seu marido não podia interromper as suas funções docentes na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Durante este período especializou-se na química dos elementos radioativos, nomeadamente nos tratamentos químicos, métodos de purificação e processos de doseamento de radioisótopos, no Laboratório Curie do Institut du Radium, sob direção de Marie Curie e André-Louis Debierne.
Obteve o doutoramento em 1935, na Universidade de Paris, mediantes provas públicas, sob orientação de Marie Curie e tendo como arguentes os prémios Nobel Jean Perrin, Frédéric Joliot-Curie e, o sucessor de Curie na direção do Institut du Radium de Paris, André Debierne, com a tese Nouvelles recherches sur le fractionnement des sels de baryum radifère. Foi-lhe concedido o grau de Docteur ès Sciences Physiques com a menção de très honorable, a mais alta classificação em provas de doutoramento em França.
Durante este período, Branca Edmée Marques publicou seis artigos nos Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de Paris, quatro deles ainda antes do doutoramento, e, em 1936, três artigos no Journal de Chimie Physique, todos relacionados com os seus estudos sobre o bário radífero. Após o doutoramento, André Debierne convida-a a trabalhar no Instituto do Rádio de Paris, mas Branca escolhe voltar para Portugal.
No ano seguinte, em Portugal, é lhe reconhecida a equiparação deste título ao grau de doutor em Ciências Físico-Químicas das universidades nacionais e funda o primeiro Laboratório de Radioquímica no país, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, precursor do Centro de Estudos de Radioquímica da Comissão de Estudos de Energia Nuclear, do qual foi diretora.O principal objetivo desta instituição era a formação de cientistas e técnicos em ciências nucleares e radioquímica, uma área então emergente no país.
Acompanhando a carreira de cientista, foi professora extraordinária desde 1942, tendo prestado provas públicas para aceder ao título de professora agregada em 1949 e o lugar de professora catedrática em 1966. Quando reingressou como assistente na Faculdade de Ciências, cumpria com todas as competências correspondentes à sua posição: além de orientar o estágio de alguns alunos e fazer parte dos júris de exame, desenvolvia toda a atividade letiva cabendo-lhe as regências de algumas áreas da Química.
Aos 65 anos tornou-se a primeira mulher a obter a cátedra química numa faculdade de ciências em Portugal,Lopes, Quintino (2017). A JUNTA DE EDUCAÇÃO NACIONAL (1929/36) TRAÇOS DE EUROPEIZAÇÃO NA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA EM PORTUGAL, Universidade de Évora. 12 anos depois de se ter habilitado a essa posição.
Branca tinha uma relação de admiração com Marie Curie, era a sua grande mestre, com um génio e força de vontade inquebrável, "Sábia Imortal"Edmée Marques, Branca. «Marie Sklodowska Curie: Grandes lições dadas pela história da sua vida (1867-1934)». ciencia - revista de cultura científica, 1963.. Descrevia-a como incansável, apesar da sua idade. Tinham uma relação próxima de aluna-mestre, e por ser uma excelente aluna, Marie Curie confiava nela para a apoiar nas suas medições no laboratório privado.
Branca Marques tornou-se uma das principais responsáveis pela introdução dos estudos radioquímicos em Portugal e foi um exemplo inspirador para as mulheres interessadas na ciência. Citando-a, “ser mulher era pior do que ser um bicho feroz”.
Toponímia A Câmara Municipal de Lisboa aprovou em 2 de setembro de 2009 a atribuição do nome "Branca Edmée Marques" a uma rua na Cidade Universitária, como forma de homenagear a cientista.
Ver também Livro As Cientistas, onde é retratada
Referências
Bibliografia Tese de Doutoramento de Branca Edmée: Nouvelles Recherches sur le Fractionement des Sels de Baryum Radifère, 1935.
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