Pedro Monteiro de Macedo (m. maio de 1744) foi um administrador colonial português que atuou como capitão-mor e governador da Capitania da Paraíba entre os anos de 1734 e 1744. Seu governo foi marcado por profundos conflitos políticos e jurisdicionais com as elites locais, ordens religiosas e autoridades da Capitania de Pernambuco, bem como pela gestão das populações indígenas na região.

Biografia e Governo Pedro Monteiro de Macedo foi nomeado pela Coroa Portuguesa após atender a uma chamada pública para postulantes ao cargo de capitão-mor da Paraíba. Assumiu a administração da capitania em 1734, exercendo a função ao longo de dois mandatos consecutivos.

Conflitos Políticos e Administração O período de seu governo caracterizou-se por instabilidades políticas e econômicas:

Tensão com a Elite Local: Entrou em repetidos confrontos com a Câmara Municipal e com os proprietários de terras da capitania por divergências sobre tributação, autoridade política e normas administrativas. Disputas com Ordens Religiosas: Enfrentou embates diretos com os missionários (como franciscanos e jesuítas) no que tange à jurisdição e à exclusividade da conversão e aldeamento dos povos nativos. Autonomia Colonial e Questão Indígena: Diante das tensões e ameaças de levantes indígenas (notadamente na região da Baía da Traição), defendeu a criação de uma Junta das Missões na Paraíba de forma autônoma em relação à capitania vizinha de Pernambuco. Relação com Pernambuco: Seu mandato transcorreu sob o contexto da crescente centralização administrativa e ascendência econômica exercida por Pernambuco sobre a Paraíba. Essa conjuntura resultaria, cerca de doze anos após o término de seu governo (em 1756), na anexação formal da Paraíba a Pernambuco, situação que durou até 1799.

Ao longo dos dez anos em que esteve no poder, a produção documental da administração colonial registrou centenas de expedientes e representações dirigidas ao Conselho Ultramarino, contendo denúncias e acusações mútuas entre o capitão-mor, a elite local e as ordens religiosas.

Morte e a Lenda da Lápide Pedro Monteiro de Macedo faleceu em maio de 1744 no exercício do cargo.

Segundo o historiador Irineu Pinto, em sua obra Datas e Notas para a História da Paraíba (1908), o capitão-mor teria determinado, poucas horas antes de sua morte, que fosse sepultado na entrada principal da Igreja do Convento de Santo Antônio (Igreja de São Francisco), na capital paraibana. Sob a pedra lavrada com seu brasão de armas, haveria o seguinte epitáfio:"Aqui jaz Pedro Monteiro de Macedo que, por ter governado mal esta Capitania, quer que todos o pisem e a todos pede um Padre Nosso e Ave Maria, pelo amor de Deus."A historiografia aponta que a dita inscrição e sepultura integram a memória e o imaginário popular sobre as rivalidades da época. Contudo, já no início do século XX, pesquisas e inspeções no local demonstraram que não há vestígios físicos do túmulo nem da referida lápide.

Referências

ARAÚJO, Lana Camila Gomes de. O governo do capitão-mor Pedro Monteiro de Macedo na Capitania Real da Paraíba: colonos, indígenas e religiosos (1734-1744). Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Campina Grande, 2019. PINTO, Irineu. Datas e Notas para a História da Paraíba. João Pessoa: Imprensa Oficial, 1908. BOTELHO, Sérgio. Parahyba e suas Histórias: O governador que quis ser pisado pelo povo. Polêmica Paraíba, 2026.

Precedido por João de Abreu Castelo BrancoCapitão-mor da capitania da Paraíba 1734 — 1744Sucedido por Paulo António de Carvalho e Mendonça

Categoria:Governadores da Paraíba (Colônia) Categoria:Militares de Portugal do século XVIII