Alabás ibne Mirdas () foi um companheiro de Maomé, chefe e poeta árabe dos soleimitas. De ascendência nobre tanto paterna quanto materna, era considerado um saíde de sua tribo e tornou-se conhecido por uma produção poética que compreendia poemas de orgulho tribal e pessoal, elegias e composições relacionadas aos acontecimentos de sua vida. Segundo a tradição, converteu-se ao islamismo em 8 A.H. (629) ou antes, depois de experiências oníricas associadas à queda do paganismo, e dirigiu-se a Medina para abraçar a nova religião. Alabás reuniu novecentos soleimitas para participar da Conquista de Meca ao lado de Maomé e tomou parte posteriormente na Batalha de Hunaine e no Cerco de Taife. Depois de Hunaine, manifestou em uma cássida sua insatisfação com a distribuição dos despojos tomados aos hauazinitas, levando Maomé a aumentar sua parte até cem camelos.
Após as campanhas, retornou para junto de sua tribo e, durante o califado de Omar , estabeleceu-se em Baçorá, embora também haja tradições sobre sua presença na Síria. Transmitiu quatro hádices atribuídos a Maomé e morreu em data desconhecida durante o califado de Otomão . Sua poesia preservada está particularmente relacionada às campanhas militares das quais participou e à sua experiência após a conversão ao islamismo. Versos seus foram conservados em fontes medievais como o Kitab al-Aghani e a Sira de Ibne Hixame, e antigas recensões de seu divã foram atribuídas a Ibne Aciquite, e Açucari, embora não tenham chegado à atualidade. Parte do corpus foi preservada separadamente, e uma edição moderna publicada por Yaḥyā al-Jubūrī em 1968 reuniu setenta e sete poemas atribuídos a Abas.
Vida
Alabás ibne Mirdas pertencia aos soleimitas e era filho de Mirdas, que permaneceu pagão até a morte. A Encyclopaedia of Islam apresenta Alabás como um saíde de sua tribo por ascendência nobre tanto paterna quanto materna e afirma que, embora não tivesse alcançado o nível dos irmãos Alcança como poeta, sua produção literária teria superado a deles em quantidade e variedade e adquirido maior destaque depois de sua morte. Segundo uma tradição biográfica, sua conversão ao islamismo teria sido precedida por dois sonhos ou experiências epifânicas envolvendo o ídolo familiar Dimar (Ḍimār), que anunciaram a queda do paganismo e a ascensão da religião verdadeira. Alabás dirigiu-se então a Medina para abraçar o islamismo. A TDV situa sua conversão em 8 A.H. (629) ou em data anterior e afirma que se apresentou a Maomé acompanhado de alguns membros dos soleimitas. Quando Maomé preparava a Conquista de Meca, Alabás reuniu uma força de novecentos homens de sua tribo e juntou-se à campanha. A Encyclopaedia of Islam registra que ele encontrou Maomé em Cudade com seus homens e a bandeira dos soleimitas e participou da conquista ao lado do exército muçulmano. Sua esposa Habiba, entretanto, retornou para junto de seu próprio povo por desaprovar a conversão do marido. Alabás participou posteriormente da Batalha de Hunaine e do Cerco de Taife. Na conquista de Meca, é apresentado pela Encyclopaedia of Islam como um dos chefes dos muʾallafa qulūbuhum, os homens cuja lealdade Maomé procurava assegurar por meio de presentes.
Depois da vitória em Hunaine, Alabás manifestou em versos sua insatisfação com a distribuição dos despojos tomados aos hauazinitas, alegando que outros convertidos recentes haviam recebido porções maiores. Maomé ordenou então que sua parte fosse aumentada até atingir cem camelos. A Encyclopaedia of Islam afirma que Alabás compôs uma cássida de protesto contra a distribuição e que o episódio se tornou posteriormente conhecido também por uma tradição segundo a qual Maomé teria ordenado que lhe "cortassem a língua", expressão interpretada como uma instrução para satisfazê-lo mediante o aumento de sua parte dos despojos. Depois das campanhas das quais participou ao lado de Maomé, Alabás não permaneceu em Meca ou Medina, mas retornou para junto de sua tribo. Durante o califado de Omar , estabeleceu-se em Baçorá, embora algumas fontes registrem também uma viagem ou permanência na Síria. A Encyclopaedia of Islam registra igualmente sua fixação em Baçorá e observa que tradições locais da cidade reivindicaram-no posteriormente como um de seus transmissores de hádice. Alabás transmitiu quatro hádices atribuídos a Maomé. Sua data de morte não é conhecida com precisão, mas a TDV situa seu falecimento durante o califado de Otomão .
Poesia
A poesia preservada de Alabás ibne Mirdas está estreitamente relacionada aos acontecimentos de sua vida e, sobretudo, às campanhas militares das quais participou. Entre suas composições conservadas figuram poemas sobre a Conquista de Meca e a Batalha de Hunaine, incluindo a cássida na qual protestou contra a distribuição dos despojos desta última batalha. A Encyclopaedia of Islam observa que sua poesia devia sua notoriedade tanto à personalidade pitoresca atribuída ao poeta quanto aos méritos dos próprios versos. Sua produção compreenderia principalmente poemas de orgulho tribal e pessoal (mufākhara), elegias por membros dos soleimitas mortos em combate e, depois de sua conversão, composições de protesto relacionadas a acontecimentos de sua vida como muçulmano. A mesma fonte considera que o material conservado demonstra certa energia expressiva, mas não revela talentos particularmente incomuns, e assinala que alguns versos despertam interesse por peculiaridades dialetais e outros pela maneira como refletem sua experiência do islamismo. As fontes medievais conservaram numerosos exemplos de seus versos, particularmente o Kitab al-Aghani e a Sira de Ibne Hixame. Seu divã teria sido organizado separadamente por Ibne Aciquite, e Açucari, mas essas recensões não chegaram à atualidade. Uma coleção parcial de seus poemas reunida por Jamīl Bek al-ʿAẓm encontra-se na , enquanto Yaḥyā al-Jubūrī reuniu setenta e sete poemas atribuídos ao autor e publicou-os em Baguedade, em 1968, sob o título Dīwān al-ʿAbbās ibn Mirdās al-Sulamī.
Bibliografia
Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Árabes do século VII Categoria:Generais do Califado Ortodoxo Categoria:Soleimitas