José Francisco Pereira Maia, popularmente conhecido como Coronel Maínha (Crato, 8 de maio de 1803 — Crato, 22 de setembro de 1880), foi um proeminente chefe político, magistrado e proprietário de terras brasileiro que atuou no polo político desde o contexto da Independência até as últimas décadas do segundo reinado. Serviu como deputado provincial do Ceará, prefeito do Crato, e foi reconhecido com condecorações pelo Imperador Dom Pedro II.
Biografia Nascido na antiga freguesia de Nossa Senhora da Penha, no Crato, em 8 de maio de 1803, era filho do comerciante português Francisco Pereira Maia Guimarães e da cearense Maria Isabel da Penha. Desde jovem, integrou a elite agrária e política do Vale do Cariri.
Como principal fonte de rendas, tinha vastas possessões de terra na região do Monte Alegre, onde explorava o lucro das produções agrícolas; além de demais propriedades de menor extensão que compunham seu patrimônio.
Na esfera da hierarquia militar, alcançou a patente de coronel da Guarda Nacional e serviu como delegado de polícia e juiz ordinário na região. Teve papel de destaque na pacificação de conflitos no interior cearense, participando diretamente das ações relacionadas ao desfecho do movimento do líder monarquista Joaquim Pinto Madeira, executado sob conspirações políticas encabeçadas por ele.
Faleceu no Crato, em 22 de setembro de 1880, aos 77 anos de idade.
Carreira Política Líder influente na política regional, transitou e chefiou tanto o Partido Liberal quanto o Partido Conservador em diferentes momentos históricos do Cariri. Exerceu os cargos de Vereador e de Presidente da Câmara Municipal (equivalente ao cargo de prefeito na época).
Sua influência consolidou-se em nível estadual ao ser eleito Deputado Provincial da Assembleia Legislativa do Ceará em múltiplos biênios (1838–1839, 1850–1851 e 1864–1865). Ficou conhecido pelo jargão político "Eu sou do povo e o povo me pertence", que refletia seu estilo de liderança paternalista na região.
Figurou como símbolo clássico do coronelismo nordestino por sua postura afeita a métodos caudilhos de administração. Aliava, porém, o pleno exercício de seus interesses a demonstrações públicas de generosidade, como a doação de toda madeira a ser utilizada na construção do Seminário de São José, que por isso manteve seu nome entre o quadro de benfeitores.
Por seus serviços prestados ao Império do Brasil, foi agraciado por Sua Majestade Imperial, Dom Pedro II, com o título de Cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa e da Imperial Ordem do Cruzeiro.
Vida Pessoal Casou-se inicialmente com Clara Bezerra Monteiro, uma rica herdeira da antiga aristocracia portuguesa, que trouxe como dote extensas propriedades de terra na região do Brejo. Junto a Clara, Mainha teve apenas uma filha: Josefina Leopoldina Maia, matriarca da família Norões a partir de seu casamento com José Romão de Noronha, tio do Padre Cícero Romão.
Em decorrência da rejeição a representantes da antiga metrópole, o pai de Mainha, Francisco, viu-se forçado a retornar a Portugal. Havendo nascido a primeira filha, Mainha resolveu levá-la em uma longa viagem à Europa, para rever o pai e apresentá-lo a neta.
Entretanto, ao retornar de sua temporada em Portugal, descobriu que sua esposa havia se amasiado a outro homem em sua ausência, motivo pelo qual decidiu separar-se dela, e relacionar-se com um grupo ilimitado de concubinas a quem ele tratava individualmente como esposas, legitimando na prática todos os filhos concebidos por elas.
Em meio a essas muitas mulheres conquistadas pelo coronel, estavam cinco das seis irmãs Ferreira Castão: Raimunda Maria de Jesus (Mundinha), Antônia Maria de Jesus (Toinha), Donana, Gertrudes Patrícia da Encarnação (Tudinha), e Ázia; sendo Joaquina Vicência Romana, mãe do Padre Cícero, a única irmã poupada das investidas de Mainha.
Especula-se que os hábitos conjugais adotados pelo coronel hajam permitido a produção de setenta e quatro filhos, o que ocasionou uma profícua disseminação da família Maia em toda a sociedade caririense. Em razão disso, as famílias Aires, Milfont, e Norões , tradicionalmente oriundas da cidade do Crato, são ramificações da família Pereira Maia, visto que as matriarcas de cada um desses troncos eram filhas de Maínha.
O coronel era, também, sogro do Coronel Aristides Ferreira de Menezes; avô de Paulo Maia (expoente da emancipação de Juazeiro do Norte); e antepassado direto do cantor Gilberto Milfont.
Referências
Bibliografia
ARAÚJO, Padre Antônio Gomes de. Um Civilizador no Cariri. Revista A Província, Crato, v. 3, n. 3, 1955. INSTITUTO CULTURAL DO CARIRI. Revista do Instituto Cultural do Cariri. Crato, Ceará, n. 24, 1980.
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