Abu Sufiane ibne Alharite ibne Abede Almotalibe (; m. 640–641) foi um membro dos haxemitas e companheiro de Maomé. Filho de Alharite ibne Abede Almotalibe e bisneto de Haxime ibne Abede Manafe, era primo paterno de Maomé e, segundo algumas tradições, também seu irmão de leite. Casou-se com sua prima Jumana, filha de Abu Talibe ibne Abede Almotalibe e Fátima binte Açade, com quem teve um filho chamado Jafar. Embora as fontes descrevam suas relações com Maomé como amistosas antes do início da pregação islâmica, Abu Sufiane tornou-se posteriormente um de seus adversários, compondo poemas satíricos contra ele e seus seguidores e acompanhando os coraixitas em suas campanhas militares. Às vésperas da Conquista de Meca, Abu Sufiane procurou reconciliar-se com Maomé e aderiu ao islã, embora as tradições apresentem versões diferentes sobre as circunstâncias de sua conversão e sobre a recepção inicialmente hostil que encontrou.
Aluaquidi atribui a Jumana participação em sua aproximação com Maomé, enquanto Atabari afirma que Abu Sufiane se converteu juntamente com o filho Jafar. Depois da conquista de Meca, participou da Batalha de Hunaine, na qual diferentes tradições o incluem entre os combatentes que permaneceram junto de Maomé durante a debandada inicial das forças muçulmanas. Relatos sobre a batalha destacam sua atuação ao lado de Maomé e apresentam o episódio como o momento de sua reconciliação definitiva com o antigo adversário. Abu Sufiane morreu em Medina, tradicionalmente em 20 A.H. (640–641), poucos meses depois de seu irmão Naufal ibne Alharite. Omar conduziu sua oração fúnebre, e ele foi sepultado no pátio de Aquil ibne Abi Talibe, no cemitério de Albaqui. As tradições sobre seus últimos anos contrastam sua prolongada oposição inicial a Maomé com sua posterior adesão ao islã e participação em Hunaine, transformação que constitui o principal tema dos relatos biográficos preservados a seu respeito.
Vida
Abu Sufiane foi um membro dos haxemitas e companheiro de Maomé. Era filho de Alharite ibne Abede Almotalibe, neto de Abede Almotalibe e bisneto de Haxime ibne Abede Manafe, pertencendo, portanto, ao mesmo ramo dos coraixitas que Maomé, de quem era primo paterno. Segundo uma tradição registrada por Atabari, os dois eram também irmãos de leite, pois Halima binte Abi Duaibe teria amamentado Abu Sufiane por alguns dias; outras fontes, contudo, atribuem esse vínculo a Tuaiba, outra ama de leite de Maomé. Casou-se com sua prima Jumana, filha de Abu Talibe ibne Abede Almotalibe e Fátima binte Açade, com quem teve um filho chamado Jafar. Atabari afirma que Abu Sufiane mantinha relações amistosas com Maomé antes do início de sua pregação, mas tornou-se seu adversário depois do começo de sua missão e compôs poemas satíricos contra ele e seus companheiros. Segundo o mesmo relato, sua hostilidade prolongou-se por cerca de vinte anos, período durante o qual acompanhava os coraixitas quando estes partiam para combater Maomé. Aluaquidi transmite uma tradição semelhante, segundo a qual Abu Sufiane, apesar de seu parentesco próximo com Maomé, tornou-se um de seus adversários após o início da pregação, insultando-o e compondo versos satíricos contra ele e os muçulmanos, além de acompanhar os coraixitas em suas campanhas.
Às vésperas da Conquista de Meca, Abu Sufiane decidiu procurar Maomé e aderir ao islã. Segundo um dos relatos preservados por Aluaquidi, ao comunicar sua intenção à esposa, Jumana, esta o censurou por ter demorado a reconhecer a posição alcançada por Maomé, ao que Abu Sufiane partiu acompanhado do filho Jafar. Encontrou Maomé nas proximidades de Alabuá, mas foi inicialmente rejeitado por ele e evitado pelos muçulmanos. Procurou então a intercessão de Alabás ibne Abede Almotalibe, que se recusou a intervir por recear a reação de Maomé, e continuou acompanhando o exército até Meca. Após a conquista da cidade, Jumana teria intercedido em favor do marido quando visitou Maomé acompanhada de outras mulheres dos almotalibitas, depois do que este passou a demonstrar maior benevolência para com Abu Sufiane. Aluaquidi preserva ainda outra versão de sua conversão, segundo a qual Abu Sufiane e Abedalá ibne Abi Omaia ibne Uabe Alaçadi procuraram Maomé em Nique Alucabe durante sua marcha contra Meca, mas este inicialmente se recusou a recebê-los. Diante da rejeição, Abu Sufiane teria ameaçado partir com o filho e vagar até que ambos morressem de fome e sede, ao que Maomé acabou permitindo que se aproximassem; segundo o relato, os dois se converteram e foram posteriormente considerados bons muçulmanos. Atabari apresenta uma versão mais sucinta, segundo a qual Abu Sufiane encontrou Maomé antes de seu acampamento em Alabuá, converteu-se juntamente com Jafar e acompanhou-o na conquista de Meca e, em seguida, na Batalha de Hunaine.
Abu Sufiane participou da Batalha de Hunaine e figura em diferentes tradições entre os homens que permaneceram junto de Maomé durante a debandada inicial das forças muçulmanas. Segundo um relato transmitido por Alabás ibne Abede Almotalibe, enquanto parte do exército se dispersava, Abu Sufiane permaneceu junto de Maomé segurando o estribo de sua mula. Quando Maomé perguntou quem estava ao seu lado, Alabás identificou Abu Sufiane como seu primo e irmão de leite, ao que Maomé teria pedido a Deus que perdoasse sua hostilidade anterior. Outras tradições preservadas por Aluaquidi incluem Abu Sufiane entre os grupos de combatentes que permaneceram firmes ao redor de Maomé, embora divirjam quanto ao número dos que resistiram à debandada: uma delas menciona trinta e três homens, enquanto outra, atribuída a Ibne Abas, fala de cerca de cem e situa Abu Sufiane à direita de Maomé. Um terceiro relato também o inclui entre o pequeno grupo que permaneceu junto de Maomé no momento crítico da batalha. Atabari, por sua vez, preserva uma narrativa atribuída ao próprio Abu Sufiane, segundo a qual, ao encontrar o inimigo, desmontou de seu cavalo com a espada desembainhada, disposto a morrer por Maomé. Alabás teria então chamado a atenção de Maomé para a presença de seu primo e irmão de leite e pedido que o favorecesse, ao que Maomé teria respondido com uma súplica para que Deus perdoasse toda a hostilidade anterior de Abu Sufiane. Abu Sufiane morreu em Medina. Segundo Atabari, sua morte ocorreu quatro meses menos treze dias depois da de seu irmão Naufal ibne Alharite, enquanto outra tradição a situa em 20 A.H. (640–641). Omar conduziu sua oração fúnebre, e Abu Sufiane foi sepultado no pátio de Aquil ibne Abi Talibe, no cemitério de Albaqui. Atabari relata ainda que ele próprio havia cavado sua sepultura três dias antes de morrer.
Bibliografia
Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Haxemitas (clã coraixita) Categoria:Árabes do século VII Categoria:Primos de Maomé Categoria:Pessoas sepultadas no Cemitério de Albaqui