Anre ibne Alhadrami (; m. ) foi um coraixita de Meca, conhecido sobretudo por sua morte durante a Expedição de Nacla. Integrava uma caravana coraixita atacada pelo destacamento comandado por Abedalá ibne Jaxe e foi morto por uma flecha disparada por . Sua morte, considerada a primeira de um politeísta às mãos dos muçulmanos, tornou-se controversa por ter ocorrido em Rajabe, um dos meses sagrados, durante os quais o combate era tradicionalmente proibido.
Vida
Pouco se sabe sobre a vida de Anre ibne Alhadrami antes de sua morte. Era um coraixita de Meca e é mencionado nas fontes sobretudo em razão de seu envolvimento nos acontecimentos da Expedição de Nacla, um dos primeiros confrontos armados entre os seguidores de Maomé e seus adversários mecanos. Segundo Aluaquidi, Anre integrava uma caravana coraixita que passava por Nacla juntamente com , e . Ao avistarem o destacamento comandado por Abedalá ibne Jaxe, os integrantes da caravana ficaram receosos quanto às intenções dos homens. , que havia raspado a cabeça, mostrou-se aos mecanos, levando-os a acreditar que o grupo era formado por peregrinos e que não representava uma ameaça. Os homens da caravana então desmontaram, deixaram seus animais pastarem e começaram a preparar sua comida. Enquanto isso, os integrantes do destacamento discutiram se deveriam atacá-los, pois era o último dia de Rajabe, um dos meses sagrados, durante os quais o combate era tradicionalmente proibido. Parte do grupo argumentou que, se esperassem até o dia seguinte, a caravana alcançaria o território sagrado de Meca e ficaria protegida; ao fim da discussão, decidiram realizar o ataque.
avançou à frente do grupo, armou seu arco e disparou uma flecha contra Anre, matando-o. Aluaquidi apresenta Anre como o primeiro politeísta morto pelos muçulmanos. No mesmo ataque, Alhaqueme e Otomão renderam-se e foram capturados, enquanto Naufal conseguiu escapar, e os homens de Abedalá apoderaram-se da caravana. Sua morte adquiriu particular importância em razão de ter ocorrido durante um mês sagrado. O ataque foi condenado pelos coraixitas, que acusaram Maomé e seus seguidores de terem violado a sacralidade de Rajabe, enquanto Maomé inicialmente se recusou a aceitar a caravana e os despojos e afirmou não ter ordenado que o destacamento combatesse durante o mês sagrado. Aluaquidi preserva ainda tradições divergentes acerca das consequências da morte de Anre. Uma delas afirma que Maomé pagou o preço de sangue devido por sua morte, ao passo que outra, transmitida sob a autoridade de Ibne Abas, afirma expressamente que esse pagamento não ocorreu.
Bibliografia
Categoria:Naturais de Meca Categoria:Coraixitas Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII