As Vinte e uma Condições, oficialmente as Condições de Admissão à Internacional Comunista, são as condições, a maioria das quais foi proposta por Vladimir Lenin, para a adesão dos partidos socialistas à Terceira Internacional (Comintern), criada em 1919. As condições foram formalmente adotadas pelo Segundo Congresso da Internacional Comunista em 1920.

Conteúdo As condições eram:Atas do Segundo Congresso da Internacional Comunista

1Toda propaganda e agitação devem ter um caráter verdadeiramente comunista e corresponder ao programa e às decisões da Internacional Comunista. Todos os órgãos de imprensa do partido devem ser dirigidos por comunistas confiáveis que tenham demonstrado sua devoção à causa do proletariado. A ditadura do proletariado não deve ser tratada simplesmente como uma fórmula corrente aprendida de cor. A propaganda em seu favor deve ser conduzida de tal modo que sua necessidade seja compreensível para todo trabalhador comum, toda trabalhadora, todo soldado e camponês a partir dos fatos de sua vida cotidiana, que devem ser sistematicamente observados por nossa imprensa e utilizados dia após dia.

A imprensa periódica e as demais publicações, bem como todas as instituições editoriais do partido, devem estar subordinadas à direção partidária, independentemente de, em determinado momento, o partido como um todo atuar legal ou ilegalmente. Não se deve permitir que as editoras abusem de sua independência e sigam políticas que não correspondam inteiramente às políticas do partido.

Nas colunas da imprensa, em reuniões públicas, nos sindicatos, nas cooperativas — onde quer que os membros da Internacional Comunista consigam acesso — é necessário desmascarar sistemática e implacavelmente não apenas a burguesia, mas também seus auxiliares, os reformistas de todos os matizes. 2Toda organização que deseje filiar-se à Internacional Comunista deve remover regular e metodicamente os reformistas e os centristas de todos os cargos de responsabilidade no movimento operário (organizações partidárias, conselhos editoriais, sindicatos, grupos parlamentares, cooperativas, administrações locais) e substituí-los por comunistas testados, sem se preocupar excessivamente com o fato de que, sobretudo no início, trabalhadores comuns oriundos das massas substituirão oportunistas "experientes". 3Em quase todos os países da Europa e da América, a luta de classes está entrando na fase de guerra civil. Nessas condições, os comunistas não podem depositar qualquer confiança na legalidade burguesa. Têm a obrigação de criar um aparato organizacional paralelo que, no momento decisivo, possa ajudar o partido a cumprir seu dever para com a revolução. Em todo país onde um estado de sítio ou leis de emergência privem os comunistas da possibilidade de realizar legalmente todo o seu trabalho, é absolutamente necessário combinar a atividade legal com a ilegal. 4O dever de propagar as ideias comunistas inclui a obrigação especial de realizar uma propaganda enérgica e sistemática no exército. Quando essa agitação for interrompida por leis de emergência, deverá prosseguir ilegalmente. A recusa em realizar esse trabalho equivaleria a uma traição do dever revolucionário e seria incompatível com a condição de membro da Internacional Comunista. 5É necessária uma agitação sistemática e metódica no campo. A classe trabalhadora não poderá vencer se não contar com o apoio do proletariado rural e de pelo menos uma parte dos camponeses mais pobres, e se não assegurar, por meio de sua política, a neutralidade de pelo menos uma parte do restante da população rural. O trabalho comunista no campo está adquirindo enorme importância neste momento. Ele deve ser realizado principalmente com a ajuda de trabalhadores comunistas revolucionários da cidade e do campo que tenham ligações com o meio rural. Recusar-se a realizar esse trabalho, ou confiá-lo a mãos pouco confiáveis e semirreformistas, equivale a renunciar à revolução proletária. 6Todo partido que deseje pertencer à Internacional Comunista tem a obrigação de desmascarar não apenas o social-patriotismo aberto, mas também a insinceridade e a hipocrisia do social-pacifismo, demonstrando sistematicamente aos trabalhadores que, sem a derrubada revolucionária do capitalismo, nenhum tribunal internacional de arbitragem, nenhum acordo sobre limitação de armamentos e nenhuma reorganização "democrática" da Sociedade das Nações será capaz de impedir novas guerras imperialistas. 7Os partidos que desejem pertencer à Internacional Comunista têm a obrigação de reconhecer a necessidade de uma ruptura completa com o reformismo e com a política "centrista", e de difundir essa ruptura entre os círculos mais amplos possíveis de seus membros. Uma política comunista consequente é impossível sem isso.

A Internacional Comunista exige incondicional e categoricamente que essa ruptura seja efetuada no menor prazo possível. A Internacional Comunista não pode tolerar uma situação em que oportunistas notórios, representados por Turati, Giuseppe Emanuele Modigliani, Kautsky, Hilferding, Morris Hillquit, Jean Longuet, MacDonald etc., tenham o direito de passar por membros da Internacional Comunista. Isso só poderia levar a Internacional Comunista a tornar-se algo muito semelhante aos destroços da Segunda Internacional. 8É necessária uma atitude particularmente definida e clara quanto à questão das colônias e das nações oprimidas por parte dos partidos comunistas daqueles países cujas burguesias possuem colônias e oprimem outras nações. Todo partido que deseje pertencer à Internacional Comunista tem a obrigação de denunciar as manobras de seus "próprios" imperialistas nas colônias, de apoiar todo movimento de libertação nas colônias não apenas em palavras, mas também em atos, de exigir que seus compatriotas imperialistas sejam expulsos das colônias, de cultivar no coração dos trabalhadores de seu próprio país uma relação verdadeiramente fraterna com a população trabalhadora das colônias e com as nações oprimidas e de realizar propaganda sistemática entre as tropas de seu próprio país contra qualquer opressão dos povos coloniais. 9Todo partido que deseje pertencer à Internacional Comunista deve desenvolver sistemática e persistentemente atividades comunistas nos sindicatos, nos conselhos operários e de fábrica, nas cooperativas de consumo e em outras organizações operárias de massa. Dentro dessas organizações, é necessário organizar células comunistas que, por meio de um trabalho incessante e persistente, conquistem os sindicatos etc. para a causa do comunismo. Em seu trabalho cotidiano, as células têm a obrigação de denunciar em toda parte a traição dos social-patriotas e as vacilações dos "centristas". As células comunistas devem estar completamente subordinadas ao partido como um todo.10Todo partido pertencente à Internacional Comunista tem a obrigação de travar uma luta obstinada contra a "Internacional" de Amsterdã das organizações sindicais amarelas. Deve explicar da maneira mais enérgica possível aos sindicalistas a necessidade de romper com a Internacional Amarela de Amsterdã. Deve apoiar, por todos os meios à sua disposição, a Associação Internacional dos Sindicatos Vermelhos, ligada à Internacional Comunista e então em processo de formação.11Os partidos que desejem pertencer à Internacional Comunista têm a obrigação de submeter à revisão a composição pessoal de seus grupos parlamentares, de retirar deles todos os elementos pouco confiáveis e de subordinar esses grupos à direção partidária, não apenas em palavras, mas também em atos, exigindo que cada parlamentar comunista individual subordine toda a sua atividade aos interesses da propaganda e da agitação verdadeiramente revolucionárias.12Os partidos pertencentes à Internacional Comunista devem ser construídos com base no princípio do centralismo democrático. Na atual época de aguda guerra civil, o partido comunista só poderá cumprir seu dever se estiver organizado da maneira mais centralizada possível, se nele reinar uma disciplina de ferro e se o centro partidário, sustentado pela confiança dos membros do partido, for dotado dos mais amplos direitos e autoridade e dos poderes de maior alcance.13Os partidos comunistas dos países em que os comunistas possam realizar legalmente seu trabalho devem, de tempos em tempos, efetuar expurgos (recadastramentos) entre os membros de suas organizações partidárias, a fim de limpar sistematicamente o partido dos elementos pequeno-burgueses em seu interior.14Todo partido que deseje pertencer à Internacional Comunista tem a obrigação de prestar apoio incondicional a toda república de sovietes em sua luta contra as forças da contrarrevolução. Os partidos comunistas devem realizar propaganda clara para impedir o transporte de material bélico aos inimigos das repúblicas soviéticas. Devem também realizar propaganda legal ou ilegal, etc., por todos os meios à sua disposição, entre as tropas enviadas para sufocar repúblicas operárias.15Os partidos que ainda conservem seus antigos programas social-democratas têm a obrigação de modificar esses programas o mais rapidamente possível e elaborar um novo programa comunista correspondente às condições particulares do país e de acordo com as decisões da Internacional Comunista.