Aljade ibne Caice () foi um membro dos cazerajitas de Medina e chefe dos salimaítas durante a Jailia. Viveu até o califado de Otomão ibne Afane. Embora tenha participado de diversas expedições de Maomé, é contado pelas fontes islâmicas entre os hipócritas de Medina.
Vida
Aljade pertencia aos salimaítas, um ramo dos cazerajitas, e exercia a chefia do grupo durante a Jailia. Segundo as tradições preservadas por Aluaquidi, essa posição foi posteriormente retirada dele por Maomé, que designou como chefe dos salimaítas. A TDV igualmente registra que Aljade deixou de exercer a chefia dos salimaítas depois da Hégira de Maomé para Medina. Aljade participou de várias campanhas de Maomé, mas é contado nas fontes entre os hipócritas. Esteve presente na expedição a Hudaibia, em 6 A.H. (628), embora não tenha participado do Juramento de Riduão. Aluaquidi inclui Aljade, juntamente com Abedalá ibne Ubai e , entre os hipócritas que permaneceram observando o poço de Hudaibia quando os muçulmanos enfrentaram escassez de água. Segundo o relato, depois que Maomé realizou suas abluções com um balde e a água foi novamente lançada no poço, este se encheu. Aljade teria permanecido sentado junto à abertura do poço com as pernas estendidas sobre a água. Na mesma tradição, perguntou-lhe por que havia acompanhado a expedição se duvidava do que presenciava. Aljade respondeu que saíra com seu povo, mas não como peregrino. Questionado se não pretendia realizar a unra, respondeu negativamente. Abu Catada posteriormente relatou a Maomé as declarações de Aljade, provocando a indignação de membros dos salimaítas.
Aljade recusou-se a acompanhar Maomé na Expedição de Tabuque, em 9 A.H. (630). Aluaquidi transmite que, durante os preparativos para a campanha contra os bizantinos, Maomé lhe perguntou se participaria, sugerindo que talvez obtivesse mulheres bizantinas. Aljade pediu permissão para permanecer em Medina, alegando que seus companheiros sabiam de sua particular atração pelas mulheres e que temia não conseguir resistir caso encontrasse mulheres bizantinas. Maomé teria então se afastado dele e concedido a permissão. Seu filho, , filho de , havia participado da Batalha de Badre e era irmão materno de Muade ibne Jabal. Segundo Aluaquidi, Abedalá censurou a decisão do pai, afirmando que os salimaítas possuíam mais recursos do que ele e perguntando por que não partiria nem enviaria alguém em seu lugar. Aljade respondeu que não desejava enfrentar as dificuldades da campanha e que preferia permanecer em sua casa a enfrentar os bizantinos. O filho acusou-o de hipocrisia e advertiu-o de que um versículo do Alcorão seria revelado a seu respeito. Aljade ergueu então uma sandália para golpeá-lo, e Abedalá afastou-se sem voltar a falar com ele.
Aluaquidi acrescenta que Aljade procurou desencorajar outros membros dos salimaítas de participar da expedição, aconselhando-os a não se apressarem a partir sob o calor e a moderarem seus esforços. A tradição relaciona essa conduta à revelação de um trecho da sura at-Tawba que censura aqueles que disseram para não partir sob o calor. As tradições exegéticas preservadas por Aluaquidi associam particularmente Aljade ao versículo 49 da mesma sura, no qual uma pessoa pede permissão para não participar da campanha e para não ser submetida à tentação. Nesse contexto, Aljade é descrito como o homem mais rico dos salimaítas e aquele que possuía o maior número de animais entre eles. Segundo a tradição, Maomé teria perguntado se ele não desejava combater os bizantinos e talvez obter uma mulher deles, ao que Aljade respondeu que seu povo conhecia sua atração pelas mulheres e pediu que não fosse submetido a essa tentação. Aluaquidi interpreta a continuação do versículo, segundo a qual essa pessoa já havia caído em tentação, como referência à ausência de Aljade da campanha e à sua hipocrisia.
Ao reproduzir novamente as tradições acerca dos versículos revelados durante a expedição, Aluaquidi inclui Aljade entre aqueles que solicitaram permissão para não partir ao comentar os versículos 44–49, reiterando a associação específica entre ele e o versículo 49. Inclui-o ainda entre os homens cuja permanência em Medina é relacionada ao versículo 81, que menciona aqueles que se alegraram por permanecer para trás, e entre aqueles associados às censuras dos versículos 87, 90 e 93 contra os que preferiram não participar da campanha ou solicitaram permissão para permanecer. A TDV também relaciona sua recusa em participar da expedição e a justificativa referente às mulheres bizantinas às tradições exegéticas sobre a sura at-Tawba. Aluaquidi preserva uma tradição de Abu Catada segundo a qual, quando Aljade adoeceu gravemente, este permaneceu em sua propriedade em e não retornou até que Aljade tivesse morrido e sido sepultado. O relato situa sua morte durante o califado de Otomão. A TDV igualmente afirma que Aljade viveu até o período de Otomão, acrescentando que existem tradições segundo as quais posteriormente se arrependeu de sua conduta e tornou-se um muçulmano sincero.
Bibliografia
Categoria:Hipócritas Categoria:Salimaítas Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII