Quinta Patiño (também grafada Quinta Patino) é uma antiga propriedade e atual empreendimento residencial privado situado em Alcoitão, na freguesia de Alcabideche, município de Cascais, em Portugal. A propriedade deve o nome ao empresário boliviano Antenor Patiño, membro da família Patiño, cuja fortuna esteve ligada à exploração e comercialização internacional de estanho durante a primeira metade do século XX.
Formada a partir da aquisição de terrenos por Patiño durante a década de 1950, a quinta teve inicialmente como elemento central o chamado Palácio Patiño, residência construída em 1957 segundo uma linguagem historicista inspirada na arquitetura portuguesa dos séculos XVII e XVIII. A partir do final da década de 1980 e sobretudo durante a década de 1990, grande parte da propriedade foi transformada num empreendimento residencial fechado, constituído principalmente por moradias unifamiliares e por um conjunto de apartamentos.
A Quinta Patiño tornou-se também conhecida pela festa organizada por Antenor e Beatriz Patiño em 6 de setembro de 1968, que reuniu personalidades da aristocracia, das casas reais europeias, do cinema e da alta sociedade internacional e que ficou posteriormente conhecida como uma das grandes festas sociais realizadas em Portugal no século XX.
A Câmara Municipal de Cascais inclui a Quinta Patiño entre as quintas históricas do concelho, destacando o edifício construído no século XX, a existência de azulejaria dos séculos XVII e XVIII e uma capela setecentista remontada na propriedade.
Localização
A Quinta Patiño localiza-se em Alcoitão, na freguesia de Alcabideche, no interior do município de Cascais, nas proximidades do Estoril.
A documentação oficial relativa à constituição do Clube da Quinta Patino, conservada pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, identifica a respetiva sede como estando instalada no Palácio Patino, lote 1 da Quinta Patino, na Avenida da República, em Alcoitão, freguesia de Alcabideche e concelho de Cascais.
A propriedade situa-se numa zona marcada pela proximidade ao Estoril e aos principais acessos rodoviários entre Cascais e Lisboa.
As fontes publicadas não são inteiramente coincidentes quanto à área total da antiga propriedade e do posterior empreendimento. Diferentes referências apontam para valores próximos dos 50 a 60 hectares, consoante o perímetro e a fase da propriedade considerados.
História
Antenor Patiño
A propriedade recebeu o nome de José Antenor Patiño Rodríguez (1896–1982), empresário boliviano e filho de Simón Iturri Patiño, um dos principais industriais mineiros da primeira metade do século XX.
A fortuna da família Patiño foi construída sobretudo através da exploração e comercialização de estanho na Bolívia. Simón Patiño chegou a controlar uma parte significativa da produção mundial daquele minério e tornou-se um dos empresários mais ricos da sua época.
Antenor Patiño manteve interesses empresariais e propriedades em vários países e viveu grande parte da sua vida fora da Bolívia.
Durante a década de 1950 começou a adquirir terrenos na região de Alcoitão, formando a propriedade que viria a ser conhecida como Quinta Patiño.
A escolha da região de Cascais e Estoril enquadrava-se num período em que aquela zona se afirmava como local de residência ou estadia de empresários internacionais, diplomatas, aristocratas e membros de antigas famílias reais europeias.
Palácio Patiño
Em 1957, Antenor Patiño mandou construir na propriedade uma residência de grandes dimensões, posteriormente conhecida como Palácio Patiño.
Embora construído no século XX, o edifício foi concebido segundo uma linguagem arquitetónica inspirada em modelos residenciais e palacianos portugueses dos séculos XVII e XVIII.
A Câmara Municipal de Cascais destaca a existência no conjunto de elementos de azulejaria dos séculos XVII e XVIII.
A propriedade inclui igualmente uma capela do século XVIII, proveniente de outro local e posteriormente remontada na Quinta Patiño.
O edifício principal foi implantado numa zona elevada da propriedade e rodeado por jardins e áreas arborizadas.
A decoração interior incorporava antiguidades, azulejos, madeiras trabalhadas e outros elementos decorativos relacionados com a tradição artística portuguesa.
Antenor e Beatriz Patiño
Antenor Patiño casou em segundas núpcias com Beatriz de Rivera y Digeon. Durante as décadas de 1960 e 1970, o casal utilizou regularmente a Quinta Patiño como residência e espaço de receção de convidados.
A propriedade passou assim a integrar os circuitos sociais internacionais associados ao Estoril e a Cascais, onde durante o século XX residiram ou permaneceram temporariamente membros de famílias reais europeias, aristocratas, diplomatas, empresários e personalidades da cultura e do espetáculo.
Festa de 1968
Em 6 de setembro de 1968, Antenor e Beatriz Patiño organizaram no palácio uma receção de grandes dimensões que viria a tornar-se o acontecimento social mais conhecido da história da propriedade.
A festa reuniu cerca de 1 500 a 1 700 convidados, de acordo com diferentes reconstruções jornalísticas posteriores.
Entre os convidados referidos pela imprensa encontravam-se membros de famílias reais e aristocráticas europeias e personalidades do cinema internacional, incluindo Audrey Hepburn, Gina Lollobrigida e Zsa Zsa Gabor. O então príncipe herdeiro Harald da Noruega, futuro rei Harald V, esteve igualmente entre os convidados referidos nas fontes.
A preparação da receção envolveu um número elevado de trabalhadores, fornecedores e decoradores, tendo sido dada especial atenção à utilização de elementos decorativos associados a Portugal.
A festa ocorreu num momento particularmente relevante da história política portuguesa. António de Oliveira Salazar encontrava-se então hospitalizado na sequência do acidente que conduziria ao seu afastamento da Presidência do Conselho ainda nesse mês.
Na mesma época foi realizada na região de Colares outra grande receção, associada ao empresário e colecionador Pierre Schlumberger, contribuindo para que o verão de 1968 ficasse particularmente associado à vida social internacional da região de Cascais e Sintra.
A festa Patiño continuou a ser recordada décadas mais tarde pela imprensa portuguesa como um dos episódios mais marcantes da vida social do Estoril e de Cascais no século XX.
Morte de Antenor Patiño
Antenor Patiño morreu em Nova Iorque em 2 de fevereiro de 1982.
Após a sua morte, o corpo esteve temporariamente na capela existente na Quinta Patiño antes de ser posteriormente trasladado para a Bolívia.
A morte do empresário marcou o início de uma nova fase na história da propriedade, que viria progressivamente a deixar de funcionar essencialmente como uma grande residência privada.
Transformação em empreendimento residencial
Desenvolvimento urbanístico
A transformação de grande parte da antiga Quinta Patiño num empreendimento residencial começou a ganhar forma no final da década de 1980.
Segundo uma reconstrução histórica publicada pelo Observador, o projeto imobiliário esteve ligado a um grupo de investidores no qual participaram capitais relacionados com o Banco Espírito Santo.
O desenvolvimento procurou preservar uma parte significativa das áreas verdes existentes e organizou grande parte da propriedade em lotes destinados à construção de moradias unifamiliares.
A construção das novas residências intensificou-se durante a década de 1990.
O antigo Palácio Patiño manteve-se inicialmente integrado nas estruturas associadas ao empreendimento e chegou a ser utilizado para atividades relacionadas com o próprio condomínio.
Lotes e habitações
De acordo com a imprensa, o empreendimento foi dividido em 93 lotes, predominantemente destinados à construção de moradias unifamiliares.
Além das moradias, o empreendimento integra também habitação coletiva.
O denominado lote 23 compreende um conjunto de aproximadamente 55 apartamentos, segundo informação publicada pelo Observador.
A urbanização não apresenta uma linguagem arquitetónica uniforme, uma vez que as residências foram construídas ao longo de diferentes períodos e projetadas por diferentes arquitetos.
Existem, por isso, edifícios de inspiração clássica ou tradicional e outros de linguagem contemporânea.
Segundo o arquiteto António Nunes da Silva, citado pelo Observador, os projetos das moradias eram objeto de apreciação por uma comissão interna antes da sua submissão aos procedimentos urbanísticos da Câmara Municipal de Cascais.
Clube da Quinta Patino
O Clube da Quinta Patino foi formalmente constituído em 18 de abril de 1996.
De acordo com a documentação conservada pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, tratava-se de uma associação de natureza cultural, desportiva e recreativa.
A associação tinha a sua sede no Palácio Patino, identificado como lote 1 da Quinta Patino, em Alcoitão.
O respetivo processo administrativo decorreu entre abril e maio de 1996.
A constituição do clube coincidiu com o período de consolidação do empreendimento residencial.
Evolução do Palácio Patiño
O Palácio Patiño manteve uma existência autónoma em relação à generalidade das moradias construídas posteriormente na antiga quinta.
Durante uma fase da história do empreendimento, o edifício foi utilizado como espaço de convívio e clube dos residentes e teve igualmente outras utilizações, segundo relatos posteriores publicados na imprensa.
O empresário de Macau Stanley Ho adquiriu posteriormente o palácio.
Segundo o Observador, a aquisição ocorreu em 2007, por um valor então referido como próximo dos dez milhões de euros.
O conjunto associado ao palácio inclui o edifício principal, jardins e outras instalações, formando uma unidade distinta dentro da área mais vasta da Quinta Patiño.
Arquitetura e património
Apesar de o atual empreendimento ser predominantemente constituído por construções contemporâneas, a antiga propriedade conserva elementos históricos e artísticos associados à residência de Antenor Patiño.
A Câmara Municipal de Cascais destaca três elementos principais:
o edifício principal, construído no século XX; a presença de azulejos dos séculos XVII e XVIII; uma capela do século XVIII, desmontada no seu local de origem e reconstruída na propriedade.
O município inclui a Quinta Patiño entre as suas quintas históricas.
O Palácio Patiño constitui um exemplo de arquitetura historicista do século XX, recorrendo deliberadamente a soluções e elementos decorativos evocativos de períodos anteriores da arquitetura portuguesa.
Paisagem e espaços comuns
Uma parte significativa da vegetação da antiga propriedade foi preservada durante o processo de urbanização.
As moradias encontram-se geralmente implantadas em lotes arborizados e afastados das principais vias internas.
As fontes jornalísticas referem a existência de diferentes equipamentos e espaços comuns, nomeadamente:
jardins e zonas verdes; percursos pedonais; campos de ténis; campo de futebol; parque infantil; ginásio; piscina comum; lago.
Muitas das moradias possuem igualmente jardins e piscinas privados.
Segurança e acesso
A Quinta Patiño funciona como uma urbanização residencial de acesso condicionado.
O acesso de visitantes é controlado e depende de autorização dos residentes.
O empreendimento dispõe de portarias, sistemas de vigilância e serviços privados de segurança, características frequentemente mencionadas na imprensa como um dos elementos distintivos da urbanização.
Mercado imobiliário
Desde a década de 1990, os imóveis situados na Quinta Patiño integram o segmento de maior valor do mercado residencial da região de Cascais e Estoril.
As propriedades apresentam características muito diferentes quanto à dimensão dos lotes, área construída, arquitetura, idade e estado de conservação.
Esta heterogeneidade dificulta a utilização de um valor médio único para caracterizar o conjunto do empreendimento.