Prosthechea é um género botânico pertencente à família das orquídeas (Orchidaceae). O gênero Prosthechea foi proposto por Knowles & Westc., publicado em Floral Cabinet 2: 111-112, em 1838, quando descreveram a Prosthechea glauca, sua espécie tipo. O nome Prosthechea foi escolhido em referência aos apêndices presentes na coluna da espécie tipo.

Distribuição O gênero Prosthechea é composto por cerca de quinze a vinte espécies epífitas, raro rupícolas, de crescimento subcespitoso, do norte da América Latina, desde sul do México e Caribe até o norte da América do Sul crescimento cespitoso, que ocorrem em matas abertas e florestas úmidas ou sazonalmente secas. Uma espécie obscura registrada para o centro oeste do Brasil.

Descrição thumb|left|226px|Prosthechea glaucaOrigem de toda a confusão na classificação das espécies deste gênero. Prosthechea, como vêm aqui, é um gênero composto por um grupo de espécies bem diversas, algumas obscuras ou mal esclarecidas, que, por sua morfologia única ou dificuldade em se encontrar material, não foram incluídas em qualquer dos gêneros dele segregados posteriormente à sua criação.

Apresentam morfologia bastante variável, rizoma curto ou alongado com pseudobulbos ligeiramente espaçados ou aglomerados, em regra fusiformes, mas também elípticos, cilíndricos ou ovais, levemente comprimidos lateralmente, com uma a três folhas, quando novos guarnecidos por brácteas não foliares, algumas vezes toda a planta com aparência de estar recoberta por poeira esbranquiçada. folhas herbáceas ou carnosas, de formatos variados. A inflorescência brota de espata terminal dos pseudobulbos, é longa, flexuosa ou ereta, paniculada ou racemosa, com uma, poucas ou muitas flores que ressupinam parcial ou totalmente e abrem simultâneas ou em rápida sequência permanecendo então todas abertas.

As flores, médias ou pequenas, por vezes são externamente muito tricomatosas, com sépalas de formatos variados, lanceoladas, eretas, apiculadas, côncavas ou levemente arcadas para trás; pétalas também variáveis de formatos, mas sempre mais estreitas que as sépalas; labelo m regra pequeno, variadamente trilobado, com calo basal que não se estende em venulações espessas pelo restante do disco. A coluna termina em três dentes que parcialmente recobrem a antera, o mediano bastante diferente dos laterais, muitas vezes denticulado ou ciliado.

Histórico thumb|left|226px|Prosthechea ochraceaUma miniatura muito florífera raramente vista em cultivo no Brasil. thumb|left|226px|Prosthechea grammatoglossaEspécie cujas flores são muito parecidas com as de Hormidium. A história de Prosthechea é bastante interessante. Meses após proporem este gênero, julgando-o inválido por seu nome ser muito parecido com o nome de outro gênero já existente, Knowles & Westc., descreveram Epithecia, novo gênero para a mesma planta. Mais tarde, sem observar que já existia um Epidendrum glaucum, hoje subordinado ao gênero Dichaea, John Lindley subordinou a Prosthechea glauca ao gênero Epidendrum, transformando-a em um homônimo inválido. Schlechter então tomando uma espécie pela outra, por engano restabeleceu o gênero Epithecia para um dos grupos de Dichaea, o qual em realidade nada tinha em comum com este gênero.

Devido a estas confusões iniciais, O gênero Prosthechea permaneceu na obscuridade até 1998, quando Wesley Higgins, baseando-se em estudos de filogenia, publicou sua revisão sobre um grupo controverso grupo de espécies na ocasião subordinadas a Encyclia. Por diversas vezes tentara-se anteriormente a separação de grupos destas espécies em outros gêneros no entanto nenhuma das propostas logrou ser definitiva.

Apenas para ilustrar brevemente a confusão existente, citamos algumas das principais tentativas de classificação desses grupos: Em 1960 Brieger separou um grupo de espécies subordinando-o ao gênero Hormidium. Em 1961 Dressler subordinou Hormidium ao gênero Encyclia. Em 1981 Pabst, Pinto e Moutinho subordinaram novamente algumas dessas espécies ao gênero Anacheilium outras a Hormidium. Em 1993 Dressler transferiu-as novamente para Encyclia. Em 1998 Higgins separou-as uma vez mais e então passaram a ser classificadas como Prosthechea. Duas novas alterações foram propostas depois disso, em 2002 e 2004 como veremos adiante.

A distância entre as espécies de Prosthechea e de Encyclia foi comprovada por Higgins no resultado de suas análises moleculares e mais tarde confirmada por Cássio van den Berg em pesquisa adicional. A separação filogenética e morfológica de Encyclia é indiscutível. No entanto as espécies subordinadas por Higgins ao gênero Prosthechea, a despeito de formaram um grupo monofilético, ainda resultaram bastante heterogêneas. Segundo o conceito de Higgins, Prosthechea subordina mais de cento e vinte espécies compreendidas entre os [clado]s de Epidendrum, incluídos alguns outros pequenos gêneros aliados a este e de Encyclia.

Em 2002, quatro anos após a publicação da tese de Higgins, Chiron & Castro dividiram Prosthechea em gêneros menores, sem entretanto restabelecerem Anacheilium ou Hormidium, mas criando o gênero Pseudencyclia. Em 2004 Withner & Harding dividiram novamente o gênero restabelecendo Anacheilium, Hormidium e outros propuseram novos gêneros.

A aceitação ou não dos diversos gêneros criados a partir de Prosthechea ainda se encontra sujeita a grande controvérsia. Sua aceitação é apenas uma questão subjetiva implicando em que uns concordam que, por razões morfológicas, o gênero Prosthechea deve ser dividido, outros consideram esta divisão desnecessária.

Filogenistas alegam que ao aceitar a divisão em gêneros menores e mais homogêneos arriscamo-nos a incorrer em enganos uma vez que presentemente o relacionamento entre espécies ou pequenos grupos de espécies com pouca variação genética ainda não pode ser comprovado com segurança pela pesquisa genética. Algumas vezes espécies aparecem em posicionamentos diferentes no clado conforme a sequência testada. Neste sentido a proposta de Higgins privilegia a estabilidade em detrimento da morfologia, ou seja, mesmo quando no futuro o posicionamento exato puder ser comprovado, não será necessário alterar novamente o gênero dessas espécies.

No caso das três propostas de classificação recentes para estas espécies, os gêneros resultantes são sempre monofiléticos, isto é atendem aos critérios considerados necessários para serem válidos em termos de filogenia, por vezes notadas pequenas discrepâncias na localização de alguns grupos de espécies ao comparar os cladogramas de Higgins e de Castro & Chiron, devido a variações resultantes da metodologia adotada no sequenciamento dos genes.

De modo geral aqui seguimos a divisão de Withner & Harding, ressalvando entretanto que um dos gêneros por eles criados é supérfluo pois, poucos meses antes, Chiron & Castro publicaram seu trabalho e neste momento a publicação de Withner & Harding já havia sido enviada para publicação não sendo possível mais alterá-la.

Outros gêneros e espécies classificados em Prosthechea thumb|right|226px|Anacheilium bueraremenseEspécie descoberta há poucos anos no estado da Bahia, Brasil. thumb|right|226px|Pseudencyclia magnispathaChiron e Castro classificam esta espécie no gênero Pseudencyclia. thumb|right|226px|Hormidium pseudopygmaeumHormidium é um dos gêneros mais controversos. thumb|right|226px|Panarica ionocentraO nome deste gênero vem de Panamá a Costa Rica, países de onde estas espécies se originaram.