250px|miniatura|Suposto túmulo de Amina em Alabuá, demolido em 1998

Amina binte Uabe (; m. 575 ou 577) foi a mãe do profeta islâmico Maomé. Pertencia ao clã zuraíta da tribo dos coraixitas de Meca e era filha de Uabe ibne Abede Manafe e . Casou-se com Abedalá ibne Abede Almotalibe, pai de Maomé, que morreu poucos meses após o matrimônio, antes do nascimento do filho. Segundo a tradição islâmica, nunca voltou a casar nem teve outros filhos. Morreu quando Maomé tinha cerca de seis anos de idade, durante a viagem de regresso de Iatrebe para Meca, sendo tradicionalmente considerada sepultada em Alabuá.

Vida

As fontes não registram a data de nascimento de Amina, embora seja consenso que tenha contraído matrimônio ainda jovem. Seu pai, Uabe ibne Abede Manafe, pertencia ao clã zuraíta da tribo dos coraixitas, enquanto sua mãe, , era membro do clã dos abedadaritas. Desde Ibne Isaque, diversos autores descrevem Uabe como uma figura influente entre os zuraítas e atribuem a Amina posição social elevada. Alguns estudiosos modernos sugeriram que essas descrições poderiam representar idealizações posteriores motivadas pelo respeito dedicado à mãe de Maomé. O teólogo turco Bekir Topaloğlu, contudo, considera essa hipótese pouco convincente, observando que os coraixitas já desfrutavam de prestígio entre as tribos árabes e que seria natural que Abede Almotalibe, chefe de seu clã, escolhesse para o filho uma esposa pertencente a uma família igualmente distinta. O casamento de Amina com Abedalá ibne Abede Almotalibe ocorreu após Abede Almotalibe solicitar sua mão a Uabe ou, segundo outra tradição, ao tio paterno da noiva, que exercia sua tutela Conforme o costume da época, o casal permaneceu os três primeiros dias do matrimônio na residência da família da noiva. Segundo um relato preservado por Ibne Sade, no mesmo dia em que Amina foi prometida em casamento a Abedalá, a filha desse tutor, Hala, foi prometida a Abede Almotalibe, episódio que W. Montgomery Watt considera possivelmente um vestígio de um antigo costume matrimonial árabe. Poucos meses depois, porém, Abedalá faleceu durante uma viagem comercial, deixando Amina grávida de seu único filho. É provável que, após a viuvez, ela tenha permanecido vivendo junto de seus parentes.

As fontes biográficas islâmicas preservaram numerosos relatos sobre a gestação de Maomé. Entre eles figuram a tradição segundo a qual Abedalá possuía uma luz extraordinária na fronte, posteriormente transmitida a Amina durante a concepção, e diversos acontecimentos miraculosos ocorridos ao longo da gravidez. Esses relatos tornaram-se parte importante da literatura sobre o nascimento do profeta, especialmente nas obras dedicadas ao maulide e às provas de sua missão profética. Entretanto, já autores clássicos, como Ibne Hixame, registravam tais narrativas com cautela, posição igualmente adotada por diversos pesquisadores modernos. W. Montgomery Watt considera que, embora os principais acontecimentos da vida de Amina possam ser aceitos como historicamente plausíveis, não há razões consistentes para atribuir o mesmo grau de credibilidade às tradições miraculosas ligadas à sua gravidez. Entre as tradições mais amplamente aceitas encontra-se um hádice segundo o qual Amina sonhou com uma intensa luz irradiando de seu ventre, iluminando os palácios de Bostra ou Damasco, visão posteriormente interpretada como um anúncio do nascimento de Maomé. Após o nascimento de Maomé, Amina permaneceu algum tempo com o filho antes de entregá-lo aos cuidados da ama de leite Halima binte Abi Duaibe. Quando a criança tinha aproximadamente quatro anos, voltou a recebê-la em sua companhia, permanecendo com ela por cerca de mais dois anos. Enquanto Amina viveu, Maomé permaneceu sob seus cuidados, excetuando-se o período em que esteve com sua ama de leite entre os beduínos.

Segundo a tradição preservada por Albaladuri, quando Maomé tinha cerca de seis anos de idade, Amina partiu de Meca para Iatrebe, acompanhada do filho e de sua serva Ume Aimane. A viagem destinava-se a visitar os parentes maternos de Abede Almotalibe, pertencentes aos najaritas, bem como o túmulo de Abedalá. Após permanecer aproximadamente um mês na cidade, Amina faleceu durante a viagem de regresso, em Alabuá, onde teria sido sepultada. Embora Watt considere incerta a razão dessa viagem, observa que não existem motivos consistentes para rejeitar a tradição que situa sua morte em Alabuá durante o retorno a Meca. Embora algumas fontes afirmem que morreu em Meca, Ibne Sade considerou essa tradição incorreta e reiterou que seu túmulo localizava-se em Alabuá. A tradição islâmica registra que, em 628, Maomé visitou o túmulo de sua mãe em Alabuá, emocionando-se ao recordar sua ternura e afeição. Algumas obras posteriores afirmam que seus restos mortais teriam sido trasladados para Meca ou mesmo para Medina, mas Topaloğlu considera essas narrativas pouco fundamentadas. Também é atribuída a Albaladuri a notícia de que, durante a Batalha de Uude, alguns líderes coraixitas cogitaram profanar o túmulo de Amina para utilizá-lo como instrumento de pressão contra Maomé, embora a autenticidade desse episódio seja considerada improvável. Segundo a tradição islâmica, Amina nunca voltou a casar após a morte de Abedalá e não teve outros filhos além de Maomé. A condição religiosa de seus pais foi objeto de intenso debate entre estudiosos muçulmanos. Alguns autores sustentaram que ela pertenceu ao chamado povo do intervalo (ahl al-fatra), que viveu entre duas missões proféticas e, por isso, não estaria sujeito à responsabilidade religiosa plena, enquanto outros defenderam que teria sido especialmente beneficiada pelas súplicas de Maomé. A profunda veneração dedicada ao profeta contribuiu para que o nome de Amina fosse amplamente difundido entre os povos muçulmanos, especialmente entre os turcos, como forma de homenagem à mãe do fundador do islão.

Bibliografia

Categoria:Zuraítas Categoria:Pais de Maomé Categoria:Mulheres do século VI Categoria:Árabes do século VI Categoria:Haxemitas (clã coraixita) Categoria:Maquezumitas Categoria:Abedadaritas