thumb|250px|direita|Vista aérea de floresta estacional semidecidual no Parque Estadual Morro do Diabo, SP.

A floresta estacional semidecidual, conhecida também como floresta tropical subcaducifólia,Embrapa. Espécies Árboreas Brasileiras - Glossário: Floresta Estacional Semidecidual constitui uma vegetação pertencente ao bioma da Mata Atlântica (Mata Atlântica do Interior), ocasionalmente também no cerrado,Pereira, B. A. D. S., Venturoli, F., & Carvalho, F. A. (2011). Florestas estacionais no cerrado: uma visão geral. Pesq. Agropec. Trop. 41: 446-455. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pat/v41n3/a19v41n3.pdf>. sendo típica do Brasil Central e condicionada a dupla estacionalidade climática: uma estação com chuvas intensas de verão, seguidas por um período de estiagem.IBGE (1992). Manual técnico da vegetação brasileira. 1a. ed. Rio de Janeiro: IBGE. 92 p. (Manuais técnicos em geociências, n. 1). Disponível em: . É constituída por fanerófitos com gemas foliares protegidas da seca por escamas (catáfilos ou pelos), tendo folhas adultas esclerófilas ou membranáceas deciduais. O grau de decidualidade, ou seja, a perda das folhas é dependente da intensidade e duração de basicamente duas razões: as temperaturas mínimas máximas e a deficiência do balanço hídrico. A porcentagem das árvores caducifólias no conjunto florestal, é de 20-50%.

Localiza-se no norte e oeste do Paraná, região do terceiro planalto, onde apresenta neossolo, argissolo, latossolo e cambissolo.

Também está amplamente distribuída na porção Sul do Estado de Mato Grosso do Sul, entremeada por campos até o paralelo 21°, em que aparece nas matas ciliares, sendo chamada floresta estacional semidecidual aluvial.

Terminologia

De acordo com Rodrigues (1999),Rodrigues, R. R. 1999. A vegetação de Piracicaba e municípios do entorno. Circular Técnica IPEF, n. 189, p. 1-17, . a floresta estacional semidecidual (IBGE, 1993)IBGE. Mapa de vegetação do Brasil. Rio de Janeiro, 1993, . corresponde aproximadamente às designações: floresta pluvial subtropical (Wettstein, 1904)Wettstein, R.R. (1904). Vegetationsbilder aus Südbrasilien. Leipzig: Granz Denticke, . Tradução de 1970: Aspectos da Vegetação do Sul do Brasil. Ed. Univ. S. Paulo e Ed. Edgard Blücher, . matas pluviais do interior (Campos, 1912)Campos, G. (1912). Mappa Florestal. Secretaria de Estado do Meio Ambiente. São Paulo. 102 p., . Edição Fac-similar, 1987. floresta latifoliada semidecídua tropical (Kuhlmann, 1956)Kuhlmann, E. Os tipos de vegetação do Brasil: elementos para uma classificação fisionômica. Anais da Associação Geográfica do Brasil, v.8, n.1, p.133-180, 1956. floresta pluvial estacional tropical do planalto centro-sul (Veloso, 1962)Veloso, H.P. Os grandes clímaces do Brasil: 1-considerações sobre os tipos vegetativos da região sul. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, v.60, n.1, p.175-194, 1962. floresta mesófila semidecídua (Rizzini, 1963)Rizzini, C.T. (1963). Nota prévia sobre a divisão fitogeográfica do Brasil. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro: IBGE, ano 25, n. 1, p. 3-64, jan./mar. Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/115/rbg_1963_v25_n1.pdf> floresta estacional sub-caducifolia ou tropical (Andrade-Lima, 1966)Andrade-Lima, D. (1966). Vegetação. In: Atlas nacional do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, f. II-11. floresta semidecídua de planalto (Eiten, 1970)Eiten, G. A vegetação do Estado de São Paulo. Boletim do Instituto de Botânica de São Paulo, v.7, p.1-147, 1970. matas foliadas subtropicais (Hueck, 1972)Hueck, K. (1972). As Florestas da América do Sul: Ecologia, composição e importância econômica. Trad. Hans Reichardt. São Paul: Ed. Universidade de Brasília/Ed. Polígono. 466 p. floresta estacional semidecídua submontana (Veloso e Góes Filho, 1982)Veloso, H. P.; Góes-Filho, L. (1982). Fitogeografia brasileira: classificação fisionômico-ecológica da vegetação neotropical. Salvador: Projeto Radambrasil. 86 p. (Boletim técnico. Vegetação, n. 1). Disponível em: <>. floresta latifolia semicaducifólia ou mata de planalto (Leitão Filho, 1982)Leitão Filho, H.F. Aspectos taxonômicos das florestas do Estado de São Paulo. Silvicultura em São Paulo, v.16A, parte 1, p.197-206, 1982. Mata de CipóSOARES FILHO, A, O. 2010. FITOGEOGRAFIA E ESTRUTURA DAS FLORESTAS ESTACIONAIS DECIDUAIS NO BRASIL. Tese (Doutorado em Botânica)- Universidade Estadual de Feira de Santana..

Tipos Para fins apenas de delimitar regiões de estudo há uma divisão altimétrica do IBGE (2012):IBGE (2012). Manual Técnico da Vegetação Brasileira. 2a ed. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: . floresta estacional semidecidual aluvional: mais frequente no Pantanal floresta estacional semidecidual de terras baixas: do Rio Grande do Norte ao rio de Janeiro, caracteriza-se pelo gênero africano Caesalpinia, inclusive o pau-brasil floresta estacional semidecidual submontana: do Espírito Santo ao Paraná, entrando pelos estados do interior, nos planaltos e nas serras da Mantiqueira e dos Órgãos floresta estacional semidecidual montana; pouca área, como em Itatiaia e Roraima

Algumas autores indicam ainda um quinto tipo, a floresta estacional semidecidual costeira (ou Mata dos Tabuleiros), presente ao longo da costa leste do Brasil, principalmente entre os estados da Bahia e Rio de Janeiro.

Flora Dominam os gêneros amazônicos de distribuição brasileira:

Astronium Cariniana Lecythis Parapiptadenia Peltophorum

Conservação thumb|direita|upright=1.11|Vista lateral, ao fundo, de remanescente de Mata Atlântica do Interior em Santa Fé do Sul, SP. thumb|direita|Interior da mata, Santa Fé do Sul, SP. thumb|direita|Interior da mata, Santa Fé do Sul, SP. A Mata Atlântica do Interior é das ecorregiões da Mata Atlântica que se encontra em pior estado de conservação. O maior trecho (cerca de 471.204km²) de floresta estacional semidecidual fazia parte da ecorregião da Floresta Atlântica do Alto Paraná (ou Selva Paranaense). Ela se estendia desde o Noroeste Paulista até o sudeste do Paraguai e província argentina de Misiones. É notável que o grau de fragmentação dessa floresta foi tamanho, que no Brasil resta apenas 2,7% da cobertura original (cerca de 7.716km²), que tem no Parque Estadual Morro do Diabo, no Parque Nacional do Iguaçu e no Parque Estadual do Turvo, seus maiores trechos bem conservados. Na realidade, a maior parte dos remanescentes dessa floresta, se localiza na província argentina de Misiones, com cerca de 11.230km². No Paraguai, existem 11.523km², que representam apenas 13,5% da cobertura original. Deve-se salientar, que a situação das florestas no Brasil é a mais crítica. A maior parte dos remanescentes de floresta do interior paulista, por exemplo, não ultrapassa 10hectares. Para que um fragmento seja considerado grande, e que abrigue espécies significativas do bioma, como grandes mamíferos (como a onça-pintada), ele precisa ter no mínimo 10.000hectares (100km²). No interior de São Paulo, o único fragmento que tem área maior de 10.000hectares é o Parque Estadual Morro do Diabo. No estado do Rio Grande do Sul, esse tipo de vegetação foi reduzido 4,26% (cerca de 2.102,75km²) da cobertura original.

Ver também Floresta estacional

Bibliografia Ramos, V. S.; Durigan, G.; Franco, G. A. D. C.; Siqueira, M. F. Árvores da floresta estacional semidecidual: guia de identificação de espécies. São Paulo: EDUSP; Biota/FAPESP, 2008. 320 p., .

Categoria:Florestas do Brasil Categoria:Mata Atlântica Categoria:Amazônia