O Partido Democrático Trabalhista (PDT) é um partido político brasileiro de centro-esquerda à esquerda. Foi fundado em 26 de maio de 1980, em meio ao início do processo de abertura política da ditadura militar, sendo alinhado às ideologias trabalhista, socialista democrática e nacionalista. Seu símbolo é "o punho e a rosa", um tradicional símbolo social-democrata criado por Didier Motchane inicialmente para o Partido Socialista francês e usado posteriormente por outros partidos e organizações de esquerda, como o PSOE da Espanha, o Partido Trabalhista britânico e a Internacional Socialista. O código eleitoral do partido é o 12.Tribunal Superior Eleitoral: Partidos políticos registrados no TSE , acessado em 25 de julho de 2007 Com 1.081.821 filiados em dezembro de 2025, é o sexto maior do país, o segundo maior no Rio Grande do Sul e o maior no Rio de Janeiro.

Em junho de 1979, em Lisboa, Portugal, o político Leonel Brizola, em exílio durante a ditadura civil-militar brasileira, associou-se com socialistas e sociais-democratas ligados a Mário Soares, para organizar o "Encontro dos Trabalhistas do Brasil com os Trabalhistas no Exílio". No evento, foi elaborada a Carta de Lisboa, documento que continha as bases programáticas do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) que Brizola pretendia restaurar no Brasil no contexto de redemocratização anunciada no fim da década, após sua extinção com o Ato Institucional Número Dois de 1965. O partido e sua proposta restaurativa eram fundamentados no pensamento de teóricos brasileiros como Alberto Pasqualini e San Tiago Dantas, no fenômeno social do sindicalismo brasileiro e na liderança política de Getúlio Vargas. Na nova fase, o trabalhismo do PDT comprometeu-se com o "socialismo democrático", anunciando em seu manifesto a "defesa da democracia, do nacionalismo e do socialismo". Com a anistia geral, o exílio de Brizola chegaria ao fim e este retornaria ao Brasil como liderança política, mas seria impedido de usar o nome histórico do PTB, que fora concedido pelo TSE a um grupo rival, liderado pela deputada Ivete Vargas, sobrinha-neta de Getúlio Vargas, o que motivaria a fundação do PDT no dia 26 de maio de 1980 no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Em seu programa, o PDT elegeu sete pontos prioritários de atuação: assistência à infância e aos jovens; defesa dos interesses dos trabalhadores, das mulheres, das populações negras, das populações indígenas e da natureza brasileira, contra a poluição e a deterioração do meio ambiente resultante da exploração predatória, e recuperação de concessões feitas a grupos estrangeiros que são consideradas pelo partido "lesivas ao patrimônio e à economia nacionais". Após a morte de Brizola (em 2004), foi iniciado um período de aproximadamente 20 anos em que o presidente nacional do partido foi Carlos Lupi.

História miniaturadaimagem|Leonel Brizola anda pelo Palácio do Piratini portando uma metralhadora O PDT é um dos partidos políticos brasileiros mais tradicionais, criado após a abertura política no final da ditadura militar.

miniaturadaimagem|Convenção do PTB com Leonel Brizola. Arquivo Nacional.Seu legado é herdado do antigo Partido Trabalhista Brasileiro, fundado em 1945, com base eleitoral no operariado urbano e forte ligação com os sindicatos. O partido teve dois líderes que foram eleitos pelo voto direto a presidência da República: Getúlio Vargas, de 1951 a 1954 que, pressionado por setores da imprensa e do exército para a renúncia, terminou o mandato com seu suicídio, e João Goulart, eleito vice-presidente e assumindo o cargo com a renúncia de Jânio Quadros (do Partido Trabalhista Nacional).

Em meio a uma crise institucional, militares conservadores tentaram impedir a posse de Goulart, dando início a Campanha da Legalidade, comandada por Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul pelo PTB. Goulart é empossado num sistema parlamentarista, amplamente rejeitado pela população em um plebiscito que, dois anos depois, culminaria no retorno do presidencialismo. Em 1964, Goulart seria deposto por um golpe militar liderado pelo alto escalão do Exército e, em outubro de 1965, através do AI-2, o PTB seria extinto, assim como todos os partidos políticos até então existentes. Depois de tentativas frustradas de resistência, Leonel Brizola exilou-se no Uruguai. Até o final da década de 1970, a inteligência norte-americana ajudou nos esforços das ditaduras latino-americanas a controlar Brizola, havendo, mais tarde, mudanças da política externa dos EUA para a América Latina, ocorrida com o governo de Jimmy Carter, orientadas contra o abusos aos direitos humanos internacionais.

Fundação miniaturadaimagem|Na volta do exílio, Leonel Brizola é recebido nos braços do povo. miniaturadaimagem|12 de Maio 1980, Golbery tira de Brizola a sigla do PTB. O marco da fundação do PDT ocorreu após a tentativa de refundação do PTB entre 1978-1980, culminando com a elaboração da Carta de Lisboa, de 17 de junho de 1979. Lançada no Encontro dos Trabalhistas em Lisboa, , este documento apontava a respeito sobre a formação do PTB em novas bases, a partir da linha socialista adotada pela organização. Com a iminência da assinatura da Lei da Anistia, Leonel Brizola, que, após a morte de João Goulart, se tornara o líder natural do trabalhismo democrático brasileiro, convocou personalidades progressistas, ativistas da esquerda pós-1964 e intelectuais que se encontravam no exílio, assim como outros jovens, quadros e dirigentes trabalhistas vindos do Brasil, ao "Encontro dos Trabalhistas do Brasil com Trabalhistas no Exílio" realizado na cidade de Lisboa, em Portugal, para um congresso com vistas a reorganizar o movimento trabalhista no Brasil, juntamente com socialistas ligados ao secretário-geral do Partido Socialista português e ex-primeiro-ministro de Portugal Mário Soares.

Deste encontro, na presença de refugiados de doze países da América e da Europa, ao lado de oitenta trabalhistas brasileiros, produziu-se a Carta de Lisboa, documento que continha as bases programáticas do partido político que Brizola pretendia reorganizar (e reestruturar após sua extinção com o AI-2 em 1965) no contexto da redemocratização que se anunciava no fim da década de 1970, o Partido Trabalhista Brasileiro.

Entretanto, com a perda da sigla do PTB em 12 de maio de 1980, os trabalhistas se reorganizariam e fundariam o PDT em 26 de maio de 1980, no auditório da Associação Brasileira de Imprensa. O Tribunal Superior Eleitoral reconheceu a fundação do partido ocorrida nesta data (e seu registro só viria a ser concedido em 10 de novembro de 1981).

A disputa pela legenda do PTB Com a anistia política concedida em agosto de 1979, e a volta do pluripartidarismo ao sistema eleitoral brasileiro, muitos políticos, ao voltarem do exílio, tentaram recuperar os antigos partidos políticos que existiam antes do início da Ditadura Militar (período pré-1964). Com a morte de João Goulart no exílio em 6 de dezembro de 1976, Leonel Brizola surgiu naturalmente como o principal líder do antigo PTB e, antes de sua chegada ao país, tentou reorganizar a legenda. Porém, Brizola teria que enfrentar a ação concorrente de Ivete Vargas, sobrinha-neta de Getúlio Vargas, que também reivindicou, para si, o controle da legenda do PTB.

Após disputas judiciais, o TSE decidiu, finalmente, conceder a legenda ao grupo liderado por Ivete Vargas, que agrupava políticos que não coadunavam com os ideais trabalhistas históricos do partido, sem também possuírem uma história partidária no antigo PTB. Nomes como o de Jânio Quadros (político que se elegeu Presidente da República em 1960 fazendo oposição ao PTB) e Sandra Cavalcanti (secretária de Carlos Lacerda, da União Democrática Nacional - UDN) encontraram abrigo no novo PTB. Na época, acusou-se Golbery do Couto e Silva de tramar a cessão da sigla para Ivete, a fim de enfraquecer o grupo de Brizola, então um dos políticos mais populares do país, e ferrenho opositor da ditadura.

Inconformados com tal atitude, considerando que o novo PTB não representava mais os ideais trabalhistas históricos, o grupo liderado por Leonel Brizola foi obrigado a formar em duas semanas um novo partido. No dia 26 de maio de 1980, na sede da ABI no Rio de Janeiro, o Partido Democrático Trabalhista (PDT) foi fundado, com a assinatura de 258 membros na ata de fundação da agremiação trabalhista. A Executiva Nacional Provisória foi constituída por dez nomes, entre eles: Brizola, Doutel de Andrade, Lidovino Antônio Fanton, Alceu Colares, José Frejat, Benedito Cerqueira, Susana Thompson Flores Pasqualini, José Guimarães Neiva Moreira, Antônio Guaçu Dinaer Piteri e Darcy Ribeiro.

Um dos fatos mais marcantes da perda da legenda PTB foi a cena em que Leonel Brizola chorou copiosamente e rasgou um papel com a sigla PTB dizendo: "consumou-se o esbulho". No dia seguinte, a foto desta cena foi publicada no Jornal do Brasil ao lado do seguinte poema de Carlos Drummond de Andrade:

Década de 1980 Dando sequência ao processo de abertura política no país, o regime militar restabeleceu o pluripartidarismo e convocou as primeiras eleições gerais diretas (com exceção dos cargos de Presidente da República, prefeitos de capitais e prefeitos de cidades designadas como áreas de segurança nacional) em 1982. Com apenas um ano de existência, o PDT saiu das eleições como o terceiro maior partido brasileiro, ficando atrás somente dos partidos tradicionais, PDS (substituto da ARENA) e PMDB (substituto do MDB), e se apresentando como a primeira força de esquerda do país, posição que manteria até meados da década de 1990.

Nas eleições majoritárias (governos estaduais e renovação de 1/3 do Senado Federal), o PDT foi o único dos novos partidos a conseguir vitórias.

O PDS ganhou em 12 estados, concentrando-se mais no Nordeste brasileiro. O PMDB ganhou em 9 estados, e o PDT ganhou no Rio de Janeiro, com Leonel Brizola para o governo estadual e Saturnino Braga para o Senado Federal. No Rio de Janeiro, as eleições governamentais contaram com uma tentativa de fraude eleitoral pela empresa Proconsult, encarregada de processar os votos. A fraude consistiria na transformação dos votos de Brizola em brancos e nulo. Descoberta a tempo pela Rádio Jornal do Brasil, a manobra foi evitada.AMORIM, P. H. e PASSOS, M. H.: PLIM-PLIM: a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral, acessado em 25 de junho de 2010CASO PROCONSULT: A história da notícia. OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 343 - 19/1/2010, publicação original 22 de agosto de 2005

Nas eleições proporcionais, o PDT elegeu 24 deputados federais, ficando atrás somente de PDS (235 deputados) e PMDB (200 deputados), e na frente do PTB (13 deputados) e do PT (8 deputados).

No plano nacional, o partido se posiciona como oposição ao governo do general João Figueiredo.

Pouco tempo depois, Leonel Brizola e o PDT, junto com os outros partidos e lideranças partidárias consideradas progressistas, lideraram a Campanha das Diretas Já! em favor da realização de eleições diretas para o cargo de Presidente da República. Apesar da grande manifestação popular em favor da aprovação da Emenda Dante de Oliveira pelo Congresso Nacional em 1984, ela não foi aprovada por uma diferença mínima de apenas 22 votos, sendo as próximas eleições presidenciais realizadas indiretamente através de um colégio eleitoral.

Durante a eleição indireta, o PDT apoiou a eleição do candidato do PMDB, Tancredo Neves, que conseguiu a vitória graças à dissidência da candidatura governista, a chamada Frente Liberal, que, insatisfeita com a escolha do candidato do PDS, Paulo Maluf, apoiou a candidatura de Tancredo Neves.

Com a morte de Tancredo Neves, assumiu, em seu lugar, o vice-presidente de sua chapa, José Sarney, dissidente do PDS/ARENA e integrante da Frente Liberal. Tendo em vista esse acontecimento, o PDT se posicionou como oposição ao governo José Sarney.