BrasilCampeãocentro|semmoldura|224x224pxAssociaçãoCBDConfederaçãoCONMEBOLParticipação6º (todas as Copas)Melhor resultado anteriorVice-campeão: 1950Técnico Vicente Feolaborder|270px A edição de 1958 da Copa do Mundo FIFA marcou a sexta participação da Seleção Brasileira de Futebol nessa competição. Era o único país a participar de todas as edições do torneio da FIFA, fato que persiste até hoje.

O Brasil chegava pela segunda vez em uma final e enfrentaria a anfitriã, Suécia. A seleção brasileira obteria seu primeiro título mundial. O capitão foi Bellini.

Após chegar perto da conquista nas edições de 1938 (3º lugar) e de 1950 (vice-campeonato), além do fracasso no Mundial de 1954, a seleção brasileira montou para o campeonato mundial na Suécia um esquema que primava pela organização, comparado à completa bagunça dos anos anteriores. O empresário paulista Paulo Machado de Carvalho chefiou a delegação que viajou para a Suécia, que contava até mesmo com um psicólogo.Plano inovador leva Brasil ao topo em 58 - Folha de S.Paulo, 4 de maio de 2008

O esquema tático do técnico brasileiro Vicente Feola fazia com que Zagallo atacasse e recuasse para marcar no meio-campo, dando origem ao 4-3-3. Com isso, o Brasil mostrou a mais sólida defesa do Mundial (quatro gols sofridos, ao lado do País de Gales). A frente era composta pelo trio Pelé, Garrincha e Vavá.

Eliminatórias Na disputa de uma das três vagas destinadas a seleções sul-americanas para a Copa de 1958, o Brasil caiu no Grupo 1, ao lado das seleções do Peru e da Venezuela. Mas os venezuelanos desistiriam da disputa pouco antes dos duelos. Com isso, a decisão de uma das vagas da CONMEBOL ficou restrita a brasileiros e peruanos.

Os jogos contra o Peru foram tensos, devido a partida do Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1957 que não chegou a terminar. Em Peru, 1 a 1. Terry abriu o placar para os peruanos e Índio recebeu passe de Bellini e empatou o jogo em chute de meia distância. Na volta no Maracanã, 120 mil pessoas assistiram o jogo decisivo. O peruano Carlos Lazon colocou uma bola no poste. Garrincha pôs outra. E Didi de falta, a chamada Folha seca, falta sofrida por Índio, decidiu o jogo e o Brasil se classificou para a Copa do Mundo.

CONMEBOL - Grupo 1 Seleção1 3211021+12 1201112–1

A desistiu.

Classificado: Brasil

Preparação Vicente Feola, que inicialmente foi indicado para assistente-técnico, foi designado o treinador da equipe. Convocou 31 jogadores, sendo mais dois extras aos treinos (Almir Pernambuquinho e Roberto Belangero).

O grupo foi submetido a exames médicos e odontológicos na cidade do Rio de Janeiro e em 10 de abril de 1958 seguiram para Poços de Caldas para a primeira fase da preparação, permanecendo ali 11 dias. A seguir o grupo instalou-se em Araxá para uma semana de treinos. No retorno ao Rio de Janeiro, os primeiros cortes foram feitos: o goleiro Carlos Alberto Cavalheiro da Portuguesa, o lateral Cacá do Fluminense, o volante Chico Formiga do Palmeiras, o volante Pampolini do Botafogo e o meia Almir Pernambuquinho do Vasco da Gama.

Providenciados jogos treino no Pacaembu contra o Corinthians e no Maracanã contra o Flamengo, antes de duas partidas contra o Paraguai (5-1) e (0-0) e duas contra a Bulgária (3-0) e (3-1). Em seguida foi divulgado os nomes dos últimos cortes: o goleiro Ernani Ribeiro Guimarães do Bangu, Jadir do Flamengo, Altair do Fluminense, Gino do São Paulo e Canhoteiro do São Paulo.

A seleção embarcou em 24 de maio e realizou duas partidas amistosas na Itália: em Florença contra a Fiorentina (4-0) e Internazionale (4-0). Chegou ao vilarejo de Hindås próximo a Gotemburgo, que foi o local de concentração da Seleção durante a Copa. A equipe brasileira foi muito modificada ao longo da preparação. Dos três brasileiros eleitos para a equipe ideal do Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1957, Roberto Belangero não foi ao mundial, Pepe foi reserva e Djalma Santos começou o mundial no banco de reserva. Jogadores como Pelé, Garrincha e Vavá também começaram o torneio como reservas.

Pelé foi o jogador mais jovem da história das copas do mundo até Norman Whiteside bater o recorde na Copa do Mundo FIFA de 1982.

Delegação brasileira Jogadores

Nº CamisaJogadorPosiçãoClubeJogosGols1CastilhoGoleiro31 anos (27.04.1927) 002Bellini Zagueiro28 anos (7.6.1930) 603GilmarGoleiro27 anos (22.8.1930)604Djalma SantosLateral29 anos (27.2.1929)105Dino SaniMeia26 anos (23.5.1932) 206DidiMeia29 anos (8.10.1928)617ZagalloAtacante26 anos (9.8.1931) "Como eu disse, quando fui convocado para a seleção brasileira eu ainda era jogador do Flamengo. Nós fomos campeões do mundo no dia 29 de junho e o meu contrato com o Flamengo acabava no dia seguinte."—  Zagallo, em entrevista a Jayme Pimenta Valente Filho no livro ‘Mário Jorge Lobo Zagallo: Entre o Sagrado e o Profano, uma história de vida’, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, Portugal, 2006618OrecoLateral26 anos (13.6.1932)009ZózimoZagueiro25 anos (19.6.1932)0010PeléAtacante17 anos (23.10.1940)4611GarrinchaAtacante24 anos (28.10.1933)4012Nilton SantosLateral33 anos (16.5.1925)6113MoacirMeia22 anos (18.5.1936)0014De SordiLateral27 anos (14.2.1931)5015OrlandoZagueiro22 anos (20.9.1935)6016MauroZagueiro27 anos (30.8.1930)0017JoelAtacante26 anos (23.11.1931)2018MazzolaAtacante19 anos (24.7.1938)3219ZitoMeia25 anos (8.8.1932)4020VaváAtacante23 anos (12.12.1934)4521DidaAtacante24 anos (26.3.1934)1022PepeAtacante23 anos (25.2.1935)00 Chefe: Paulo Machado de Carvalho Secretário: Abílio de Almeida Tesoureiro: Adolpho Marques Júnior Delegado ao Congresso: Luiz Murgel Supervisor técnico: Carlos Nascimento Técnico: Vicente Feola Preparador físico: Paulo Amaral Observador técnico: José de Almeida Psicólogo: João Carvalhaes Médico: Hilton Gosling Dentista: Mário Trigo LoureiroDentista e piadista, Dr. Trigo ainda ri com 1958 - Folha de S.Paulo, 7 de maio de 2008Garrincha só sossegou com 2º rádio - Folha de S.Paulo, 7 de maio de 2008 Massagista: Mário Américo Auxiliar: Francisco de Assis (roupeiro)

A Copa thumb|250px|right|Pelé, na final da Copa, driblando os jogadores suecos Na Copa do Mundo de 1958, a Seleção Brasileira conquistou seu primeiro título mundial, com destaque para as atuações de Pelé e Garrincha, que naquele torneio afirmaram sua projeção no futebol internacional.

A equipe dirigida pelo técnico Vicente Feola fez uma boa campanha na fase de grupos, como duas vitórias e um empate. O Brasil ficou no Grupo 4, ao lado de Áustria, Inglaterra e União Soviética. Para a Copa de 1958, o Brasil mudou a maneira tática de jogar, passando do 4-2-4 pra 4-3-3. A inovação tática foi o posicionamento de Zagallo como "ponta recuado". Conforme Zagallo: "Estávamos com sete jogadores atrás. Quando pegávamos a bola, eu entrava como se fosse um ponta esquerda ofensivo. Jogávamos ofensivamente com a posse de bola e nos fechávamos quando a perdíamos". . A escolha de Zagallo para a função se deveu à preparação física: "Eu tive a felicidade de ser escolhido pelo Feola. Tinha outros bons pontas, como o Pepe, mas ele era um jogador de 50m. Eu era um jogador de 100m". Antes do torneio, Vicente Feola reuniu os capitães dos times (Castilho, Didi, Nilton Santos, Gylmar, Mauro, Bellini) e mandou que eles escolhessem o capitão. "Vocês é que vão decidir", disse Feola. Os jogadores escolheram Bellini.

Na estreia, uma vitória por 3 a 0 sobre os austríacos. Aos 38 minutos do primeiro tempo, Mazzola abriu o marcador em passe de Didi. Aos 49 minutos, Nilton Santos recuperou uma bola na defesa e avançou. O técnico Vicente Feola gritou, desesperadamente: "volta, volta!", uma vez que os laterais na época tinham funções defensivas, mas o Nilton Santos, resolveu avançar ainda mais, tabelou com Mazzola, invadiu a área e tocou na saída do goleiro austríaco: 2 a 0 para o Brasil. Desconcertado, o técnico recuou: “Boa, Nílton”. Outro passe de Didi para Mazzola fechar o marcador. 3 a 0. De acordo com Djalma Santos, com o jogo tranquilo, Feola dormiu no banco de reservas. Acordou e mandou o time atacar. Aí alguém falou para o Feola: "Professor, já está três a zero". Então, ele berrou: "Segura, segura, que já está bom demais!".

Na partida seguinte, contra os ingleses, apenas um empate em 0 a 0. O primeiro jogo da história das Copas a terminar sem gols. Vavá entrou no time titular no lugar de Dida. Segundo Nilton Santos: "Foi um jogo duro porque a Inglaterra defendia mais do que atacava.(..) O ataque brasileiro não era criativo. O Joel, ponta direita, por exemplo, era um ponta de características previsíveis, normais como os outros.". . Didi: "Não perdemos esse jogo contra a Inglaterra com muita sorte. Faltavam três minutos para terminar o jogo, e o meia esquerda inglês dominou uma bola praticamente no pênalti, e apareceu o Nílton De Sordi que se jogou de peito e a bola tocou no corpo do De Sordi e aí nos salvamos da derrota.". Após o jogo, Paulo Machado de Carvalho falou com Didi: "Eu falei que o Joel era um excelente jogador, mas estava habituado a fazer o quarto homem, o Zagallo também fazia o quarto homem, e ficava praticamente o Vavá e o Mazzola isolado lá na frente, e nós precisávamos de mais força ofensiva, então resolveram contra a União Soviética incluir o Garrincha e o Pelé.".

Na última rodada, os brasileiros eram obrigados a derrotar os soviéticos para garantir a classificação à próxima fase. O jogo envolveu as duas favoritas ao título antes do torneio começar. Faltando um mês para a competição, em 18 de maio de 1958, as bolsas de apostas inglesas colocavam a União Soviética, medalha de ouro nos Futebol nos Jogos Olímpicos de Verão de 1956, com boa vantagem como favorita na proporção de 3.5. O Brasil era o segundo favorito pagando 6.0 e a Argentina em terceiro lugar com cotação de 7. Devido à má apresentação da equipe, o treinador decidiu para o terceiro jogo substituir Joel, Mazzola e Dino Sani por Garrincha, Pelé e Zito.

Nos primeiros três minutos, a seleção colocou a bola na trave duas vezes e abriu o placar com Vavá. O correspondente do L'Équipe, Gabriel Hanot, denominou a atuação inicial do Brasil de "os três melhores minutos de futebol já jogados". Vittorio Pozzo, treinador da Itália campeã do Mundo em 1934 e 1938, após o jogo afirmou: "nenhum time pode bater o Brasil quando atua nessa forma". Pozzo descreveu: "os [jogadores] brasileiros trataram os seus adversários com um sentido de humor que, para além do gozo estético, divertiu e fez o público soltar sonoras gargalhadas". O Brasil derrotou os soviéticos por apenas 2 a 0, mas a atuação foi considerada tão espetacular quanto a impressionante vitória sobre a Espanha na Copa de 1950

250px|miniaturadaimagem|esquerda|Jogadores da Seleção Brasileira comemoram o primeiro título mundial na Suécia Nas quartas de final, com Mazzola no lugar de Vavá, o Brasil teve dificuldades para eliminar o País de Gales por 1 a 0. Mazzola colocou uma bola no poste no primeiro tempo. O gol da vitória foi antológico de Pelé, que após passe de Didi aplicou um lençol em Mel Charles e finalizou aos 28 do segundo tempo. Aos 38 minutos de segundo tempo, Mazzola fez um gol de bicicleta, anulado pelo juiz por perigo de gol. Pelé se tornou o jogador mais jovem a marcar em uma Copa do Mundo, recorde que persiste até hoje.