Basílio do Nascimento (Suai, 14 de junho de 1950 – Dili, 30 de Outubro de 2021) foi um bispo católico timorense. Liderou a Diocese de Baucau, Timor-Leste, de 1996 até 2021, primeiro como Administrador Apostólico e, após 2004, como Bispo Diocesano.

Biografia Nasceu em 14 de junho de 1950 em Suai, no então Timor português, hoje Timor-Leste. Fez estudos em humanidades no Seminário Menor de Dare.

Formação académica e eclesiástica Foi aí ordenado sacerdote em 25 de junho de 1977, ficando incardinado na Diocese de Díli. Devido à invasão e perpetuação no poder dos indonésios em Timor-Timur, o Pe. Basílio do Nascimento transferiu-se para Paris. Em dezembro de 1978, deu uma entrevista ao jornalista A.S.S., do semanário A Defesa, órgão do Arcebispado de Évora, em que textualmente diz: "[s]inceramente, neste momento ainda não sei, mas dou precedência a Timor. Se não puder entrar lá[,] há um sítio para onde quero ir. Évora!"A.S.S., "O Pe. Basílio do Nascimento fala-nos da Pastoral da Diocese de Paris", A Defesa, ano 61, n.º 2893 (27 de dezembro de 1978), p. 2.

Permaneceu em Paris até 1982, tendo aí conseguido a Licenciatura em Teologia Pastoral e Catequese no Instituto Católico de Paris, assim como um diploma em Literatura e Língua francesa. Paralelamente aos seus estudos, o Cardeal Gabriel Auguste François Marty, arcebispo de Paris, confiou-lhe a pastoral dos imigrantes da língua portuguesa na capital francesa.

Segundo um antigo professor do sacerdote, Monsenhor José Filipe Medeiros, o futuro segundo bispo de Timor-Leste desempenhou também as funções de coadjutor da missão portuguesa em Paris (foi pároco dos portugueses residentes naquela cidade).

Por não ter sido possível regressar ao seu território natal, devido à guerra, o sacerdote voltou à Arquidiocese de Évora, em 1982, onde começou por ser pároco de Cano e Casa Branca (Sousel) e Santa Vitória do Ameixial (Estremoz). Considerado pelo seus pares como um "óptimo músico", Basílio do Nascimento foi nomeado para dirigir o pré-seminário em Évora, além de ser professor de teologia-pastoral no Instituto Superior de Teologia da cidade.

Antes da sua partida para Timor-Leste, em setembro de 1994, o padre pertenceu, ainda, ao secretariado diocesano da pastoral das vocações.

Em outubro de 1994 regressou à sua diocese de origem, Díli. E, depois de ter seguido durante alguns meses um curso de língua indonésia, em Java, trabalhou inicialmente como coadjutor na paróquia de Ainaro. Falava português, espanhol, francês, italiano, inglês e sabia também a língua litúrgica local, tétum, e um pouco de indonésio.

No dia 30 de novembro de 1996, o Papa João Paulo II nomeia-o Administrador Apostólico de Baucau e Bispo de Septimunicia.

No dia 6 de janeiro de 1997, na Basílica de São Pedro, o mesmo Papa João Paulo II ordena-o Administrador Apostólico de Baucau e Bispo de Septimunicia, sendo ele o consagrante.

No dia 19 de março de 1997, na Festa de São José, é acompanhado pelo Núncio Apostólico em Jacarta, monsenhor Pietro Sambi.

Episcopado D. Basílio do Nascimento está à frente da Diocese de Baucau desde 6 de março de 2004, tendo anteriormente sido administrador apostólico de Baucau (nomeado em 1996), bispo titular de Septimunícia (em 1997) e Administrador Apostólico de Díli (em 2002).

A 7 de dezembro de 1999, foi agraciado com o grau de Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

O D. Basílio do Nascimento esteve presente no VII Encontro das Presidências das Conferências Episcopais dos Países Lusófonos, que teve lugar em Fátima, nos dias 10 a 14 de outubro de 2006.http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=38099

No dia 28 de maio de 2011, o Núncio Apostólico em Timor-Leste, arcebispo D. Leopoldo Girelli, "entregou aos bispos de Timor-Leste o decreto da Congregação para a Evangelização dos Povos com o qual se declara a ereção canónica da Conferência Episcopal Timorense".http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=90421

Sendo o Bispo de Baucau e, conquentemente, o presidente da Conferência Episcopal Timorense, esteve presente pela primeira vez num Sínodo dos Bispos, apresentou por escrito a sua intervenção nesta assembleia consultiva que decorreu no Vaticano, sublinhando o “orgulho” de viver num país asiático católico. "Pode dizer-se que sentimos uma grande alegria e um grande orgulho, um santo orgulho por ser uma nação que acredita em Jesus Cristo e pertence à Igreja Católica, em plena Ásia, embora nem sempre estejamos conscientes de tudo o que isso implica"http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=92922 referiu D. Basílio do Nascimento, citado pelo boletim oficial do Sínodo. Segundo o prelado, trata-se de uma "afirmação de identidade" que faz de Timor, juntamente com as Filipinas, um caso particular no cenário asiático: 97% da população timorense assume-se como católica. Esta foi o 13.ª Sínodo dos Bispo Ordinário, nos dias 7 a 28 de outubro de 2012. Este sínodo tem mais de 260 bispos e foi criada por Paulo VI, em 1965.

Depois esteve como observador na Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, reunida em Fátima, no dia 18 de abril de 2012.http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=90571

Entretanto, foram dez "anos de esperanças não respondidas e de sonhos e desejos também não realizados, isso é um facto", quem o diz é Basílio do Nascimento, bispo de Baucau, analista fino da realidade timorense. D. Basílio do Nascimento, com a autoridade da Igreja, constata a erosão da liderança histórica e alerta para o isolamento dos pais da pátria. "Para esta população jovem, hoje em dia, a saga dos heróis faz parte do passado, faz parte já do antigo testamento. Estes jovens já não têm essa sensibilidade", disse no dia 18 de maio de 2012, numa entrevista dada ao Serviço em português da Deutsche Welle."Balanço mitigado de dez anos de independência em Timor-Leste", Deustche Welle, 18-5-2012

No entanto, há uma multiplicação "de requerimentos se assim se pode dizer, ou de exigências, da parte dos ditos heróis, dos que fizeram a luta. Cada vez mais há uma exigência, há uma busca, uma procura, para que sejam estes a terem influência e a terem presença, em todos os mercados, tanto no mercado do trabalho como no mercado social", acrescenta Basílio do Nascimento.

No X Encontro das Presidências das Conferências Episcopais dos Países Lusófonos - CPLP, que teve lugar em Díli, nos dias 6 a 10 de setembro de 2012, teve como tema principal «O desafio das seitas, no horizonte da nova evangelização».http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=92392

D. Basílio demonstrou sinais de intolerância religiosa ao referir as missões protestantes em Timor Leste como "praga" e "seitas".http://www.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=353651

No dia 17 de março de 2014, iniciaram a visita “ad limina Apostolorum” (Papa e Cúria Romana) dos três bispos que compõem a Conferência Episcopal de Timor-Leste. O presidente da Conferência Episcopal Timorense, prelado Basílio do Nascimento, revelou hoje que convidou o Papa Francisco a visitar o país em 2015, ano da comemoração dos 500 anos da chegada dos portugueses a Timor-Leste. "Como soubemos que em 2015 ele fará uma visita à Ásia, às Filipinas e ao Bangladesh, nós fizemos o convite. Agora, não sei se aceita ou se não, mas pelo menos ele não pôs imediatamente de lado, não levantou obstáculos", acrescentou, ressalvando que "vai depender fundamentalmente da calendarização e disponibilidade do papa", disse à Agência Lusa.http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=691289

Em entrevista concedida à Rádio Vaticano, evocaram o interesse, a humanidade e a humildade com que o Santo Padre os recebeu, assim como alguns dos pontos sobre os quais o Papa os encorajou a pôr a tónica a fim de consolidar a vivência cristã / católica no país, cuja população é quase totalmente baptizada. Não deixaram de fazer comentários sobre a influência que a Igreja no país tem sobre a vida da população. Referiram-se, igualmente, ao encontro dos Bispos lusófonos realizado em Timor há cerca de dois anos atrás, e aos ensinamentos que o processo de pacificação em Timor-Leste pode representar para os outros países, nomeadamente africanos. No que toca especificamente a esta visita "ad limina", D. Basílio disse que, para eles, tratou-se antes de mais de uma aprendizagem.

O documento final do Sínodo colocou a família no centro das discussões e preocupações da Igreja, para além de ter elogiado a instituição como tal – confirma D. Basílio do Nascimento, Bispo de Baucau, em Timor-Leste, que participou no Sínodo dos Bispos sobre a Família, que teve lugar nos dias 5 a 19 de outubro de 2014.

O Sínodo foi também um encorajamento a todos aqueles que, não obstante todos os sacrifícios, vivem a vida de casal com todas as consequências e com toda a fidelidade, dando assim um grande testemunho. Quanto às "famílias feridas" é necessária a compreensão e a misericórdia, o acolhimento e também uma caminhada que a própria Igreja deve fazer com eles, para a sua integração na Igreja – sublinha D. Basílio do Nascimento.

Uma das coisas mais bonitas do Sínodo foi a colegialidade juntamente com o Sucessor de Pedro, para encontrar caminhos novos e respostas aos desafios – conclui o Bispo de Baucau, que não deixou de elogiar o testemunho cativante das famílias que participaram no Sínodo."Família no centro das preocupações da Igreja: encorajamento a quem vive na fidelidade e acompanhamento às 'famílias feridas' para a sua integração – D. Basílio do Nascimento", Rádio Vaticano, 20-10-2014, 09:55:46

O Papa Francisco recordou hoje, dia 7 de agosto de 2015, a memória de inúmeros “empreendedores missionários” que tiveram a “coragem” de seguir para Timor-Leste onde, no próximo dia 15 de agosto, se assinalam os 500 anos da evangelização do território."Papa Francisco recorda o papel da Igreja em Timor-Leste", http://observador.pt/2015/08/07/papa-francisco-recorda-papel-da-igreja-timor-leste/

Numa mensagem divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé, Francisco refere-se às comemorações – onde estará o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin – considerando “justo e oportuno que este acontecimento seja recordado adequadamente”.

A mensagem do Papa é transmitida numa carta dirigida a Parolin, na qual o pontífice recorda as “incontáveis dificuldades” de quem, há séculos, levou o Evangelho até essa região do globo.

À Igreja Católica, escreve, “cabe a liberdade de anunciar o Evangelho de modo integral, até quando vai contracorrente, defendendo os valores que recebeu e aos quais deve permanecer fiel”.

Recorda o papel da igreja na história timorense, o “suspirado e feliz nascimento desta pátria” e as “dolorosas surpresas” que a igreja em Timor-Leste enfrentou no longo processo de “concertação nacional”.

Na sua mensagem, em latim, o papa Francisco desafia os bispos e a igreja timorense para que continuem a ser uma “consciência crítica da nação”, mantendo a independência do poder político numa colaboração equidistante que deixe a este a responsabilidade do bem comum da sociedade e de promovê-lo”.

Recorde-se que Timor-Leste e o Vaticano assinam este mês a Concordata, o quadro jurídico das relações bilaterais entre os dois Estados, sendo a primeira vez que um documento deste tipo é assinado fora do Vaticano.

O acordo vai ser assinado pelo primeiro-ministro timorense, Rui Maria de Araújo, e pelo cardeal Parolin, que ocupa no Vaticano um cargo equivalente ao de primeiro-ministro.

Em comunicado recente, o chefe do executivo timorense referiu que “a Igreja Católica, ao longo de 500 anos, prestou um grande apoio espiritual, humano e material ao povo” de Timor-Leste “tendo também contribuído de forma decisiva para o processo de libertação” do país.

“A sua ação é reconhecida e valorizada na Constituição da República. Com efeito, durante a luta pela Independência, fomentou a resistência do povo e legitimou internacionalmente os propósitos da resistência”, sublinhou.