Metal gótico (conhecido pelo anglicismo — gothic metal ou goth metal) é um gênero de fusão que combina a agressividade do heavy metal com as atmosferas sombrias do rock gótico (gothic rock). A música do gothic metal é diversa, com bandas conhecidas por adotar a abordagem gótica em diferentes estilos de heavy metal.

A sonoridade do "gothic metal" surgiu no início da década de 1990 na Europa, originalmente como uma excrescência do death/doom, a fusão do death metal com doom metal. O doom metal já possuía uma atmosfera que evocava um clima sombrio e apavorante, a sua fundição com o death metal o deixou ainda mais agressivo. As bandas que possuíam estas características no final da década de 1980 e início da década 1990 começaram a incorporar elementos mais dramáticos e sombrios do rock gótico britânico do final da década de 1970 e início da década seguinte. Isso se intensificou com o lançamento do álbum Gothic da banda de death/doom inglesa Paradise Lost, lançado em 1991. A partir do título deste álbum, o termo "gothic metal" foi cunhado a bandas posteriores que seguiam um estilo semelhante ao de Gothic, ou que combinavam o death/doom com atmosferas sombrias. No final da década de 1990, a música do gothic metal se diversificou em vários outros estilos e o termo "gótico" associado ao metal foi acatado pela mídia no início dos anos 2000.

O termo "gothic metal" em si é frequentemente usado para descrever bandas de heavy metal com temáticas sombrias ou vitorianas, vocais femininos sopranos ou bandas de heavy metal com abordagens e estéticas consideradas dentro das características do gótico. As letras do estilo geralmente são épicas, obscuras ou introspectivas. As características gerais do estilo são descritas como pesado, atmosférico, lento, romântico, dramático, melancólico ou medieval, com inspirações na ficção gótica, fantasia, romantismo, feminino, vampirismo, erotismo ou experiencias pessoais.

Pioneiros do gothic metal (embora as bandas em si negassem associações com o gênero) incluem Celtic Frost (1984) da Suíça, Paradise Lost (1988), My Dying Bride (1990) e Anathema (1990) do norte da Inglaterra. Outros grupos pioneiros em misturar elementos góticos ao metal na primeira metade dos anos 1990 includem Type O Negative (1989) dos Estados Unidos, Tiamat (1988) da Suécia, e The Gathering (1989) dos Países Baixos.

Os noruegueses do Theatre of Tragedy e Tristania desenvolveram a estética "a bela e a fera" combinando vocais agressivos masculinos com vocais limpos femininos, um contraste que foi adotado por muitos grupos de gothic metal.

Durante o meio desta década, Moonspell, Theatres des Vampires e Cradle of Filth trouxeram a bordagem gótica para o black metal.

No fim da década, uma variante de metal sinfônico do gothic metal foi desenvolvida por Tristania, Penumbra e Within Temptation.

No século XXI, o gothic metal chegou ao mainstream na Europa, particularmente na Finlândia, onde grupos como Entwine, HIM,Mesquita Borges, Mario. [ "H.I.M."]. Allmusic. Retrieved 2012-05-18. Lullacry e Poisonblack lançaram hits ou álbuns número-um nas paradas. Nos Estados Unidos, contudo, algumas bandas como Type O Negative, Lacuna Coil,DaRonco, Mike. [ "Lacuna Coil"]. Allmusic. Retrieved 2012-05-18. Evanescence"Evanescence chart awards". Allmusic. Retrieved 2012-05-18. e Cradle of FilthAnkeny, Jason. [ "Cradle of Filth"]. Allmusic. Retrieved 2012-05-18. obtiveram um grande grau de sucesso comercial.

Etimologia O termo gothic entrou no heavy metal com o lançamento do álbum Gothic da banda inglesa Paradise Lost em 1991. Desde então, os fãs têm frequentemente entrado em desacordo sobre "quais bandas são, ou quais definitivamente não são autenticamente góticas".Baddeley 2002, p. 271 Alguns músicos tem disputado o rotulo de gótico associado aos seus grupos, incluindo Rozz Williams do Christian Death e Andrew Eldritch do The Sisters of Mercy.Baddeley 2002, p. 248 No subgênero do gothic metal, membros de bandas como After Forever, HIM e Nightwish tem minimizado ou rejeitado o rótulo "gótico" em sua música.

Características O gothic metal é considerado um estilo musical bastante amplo e controverso, gerando diversas discussões sobre o que é necessário para uma banda ser considerada do estilo ou até mesmo a sua existência propriamente dita. Alguns pontos comuns entre estas bandas podem ser citados abaixo:

A afinação dos instrumentos de corda tende a ser mais grave que o normal (E); variam entre D (Tiamat, Paradise Lost), C# (My Dying Bride), ou até B (Type O Negative). Os teclados tem um papel de destaque neste estilo, auxiliando na criação da atmosfera e clima das canções. Os teclados são utilizados para simular outros instrumentos em sua maioria de sopro ou de cordas. As características dos vocais é a personalidade feminina, mas algumas bandas, como a pioneira Paradise Lost, possui vocais masculinos. Os vocais masculinos podem ser tanto de um tenor ou barítono quanto guturais. Já os vocais femininos tendem a ser agudos, também guturais e operísticos (geralmente soprano), por vezes cantados em um tom regular com vários efeitos de reverberação. Nos backing vocals temos a utilização de coros e de canto gregoriano. A atmosfera das canções de gothic metal é sombria, porém sem a lentidão do doom metal (Exceto o Type O Negative) ou a virtuose do symphonic metal e do power metal (Estilos musicais às vezes associados ao gothic metal, por causa de bandas como Nightwish e After Forever que costumam mesclar a temática gótica às suas composições).

Variações do gótico dentro do metal Desde a década de 1990 o gothic metal se tornou um gênero variado, com bandas de metal gótico seguindo muitas direções diferentes, fundindo a atmosfera sombria e gótica aos mais variados estilos e subgêneros dentro do heavy metal, de "variações lentas e pesadas" a "orquestrais, sinfônicas e melancólicas". A experiência do death/doom metal dos pioneiros como Anathema,J. Purcell, Nathalie (maio de 2003). Death Metal Music: The Passion and Politics of a Subculture , pp. 23, 59 . . Paradise Lost e My Dying Bride foi tomada por grupos como Artrosis, Ava Inferi e Draconian, do black metal de Cradle of Filth, Theatres des Vampires e do início da carreira de Moonspell e em bandas subsequentes como Graveworm, Drastique e Samsas Traum, enquanto também no metal sinfônico de Tristania e Within Temptation pode ser encontrado em outros grupos como Epica, Sirenia e After Forever. Outras observações do gótico dentro do metal incluem o black metal sinfônico de Trail of Tears, o folk metal de Midnattsol, o metal industrial de Deathstars, Gothminister e Neon Synthesis, o metal alternativo e nu metal de Evanescence, Lacuna Coil, We Are the Fallen e Mushroomhead, o doom metal e heavy metal de Type O Negative e o metalcore de Motionless in White.

Temática

As letras do gothic metal abordam alegoricamente temas de escolas literárias tradicionais do século XIX como o Ultra-romantismo e o Simbolismo incluindo críticas à religião, horror, tragédias e romances, histórias de fantasia e ficção científica, releituras mitológicas e temas medievais. Estas duas últimas características são notadas em diversas bandas de gothic metal, porém, não são essenciais.

O metal gótico é permeado pelo lado escatológico do imaginário judaico-cristão. Alguns exemplos:

A banda inglesa Paradise Lost tirou seu nome do poema épico de John Milton, O Paraíso Perdido (1667), onde Lúcifer é tratado como uma figura trágica. Os suecos do Tiamat tiraram seu nome de uma divindade suméria, uma "serpente do abismo" que luta com Deus no momento da criação do mundo. a Música "The Profit of Doom" de Type O Negative é baseado no livro do Apocalipse

Precursores Os primórdios do gothic metal já podem ser vistos em quatro bandas dos anos 1980.

Christian Death O gênero death rock, através de bandas como Christian Death, teve grande influência no que seria futuramente o gothic metal, mas esta influência parece vir dos últimos trabalhos da banda com Valor Kand, que considerava o estilo da banda como um tipo de heavy metal diferentemente da formação original da banda com Rozz Williams, época na qual a banda possuía grande influencia do punk rock e glam rock.www.discogs.com

Apesar de Rozz Williams nunca ter negado suas raízes hard rock – especificamente o Kiss e Alice Cooper – com a saída dele o Christian Death tendeu visivelmente ao heavy metal. Um exemplo disso é Born in a Womb, Died in a Tomb, faixa de abertura do álbum All the Hate (1989); essa música têm alguns elementos bem explícitos do thrash metal.

Apesar de sua fusão pioneira entre metal e rock gótico, a música do Christian Death não transcendeu o círculo composto pelos fãs de death rock. A oportunidade disso acontecer veio quando a Century Media quis lançar o seu disco duplo ao vivo deles, o Amen (1995); essa oportunidade veio água abaixo quando a Century Media descobriu que a banda tinha pêgo a arte da capa sem a devida autorização, forçando a gravadora a retirar o disco do mercado.

Fields of the Nephilim Fields of the Nephilim lançou apenas três álbuns de estúdio antes de sua dissolução inicial em 1991. Eles reformaram, lançaram mais álbuns e foram reconhecidos por sua influência no "excesso de bandas de metal" no início do século 21 "que incorporaram elementos óbvios do gótico em seu som, especialmente detectado em sua apreciação de sons sinfônicos e de teclado (bem como seu senso de moda e o vocal gutural do vocalista Carl McCoy)".

Samhain

Temos também o caso Glenn Danzig, então ex-vocalista do The Misfits. Danzig continuou sua empreitada musical montando o Samhain, que aproximava o horror punk de sua ex-banda com o heavy metal. O gothic metal também pode ser visto aqui em suas formas embriônicas, apesar do Samhain exibir um humor macabro discrepante com a "seriedade" dos seus equivalentes europeus. Assim como o Christian Death, a música do Samhain teve pouca repercussão sobre o gothic metal contemporâneo. Apesar disso, algumas bandas de Black Metal gravarem covers da banda (como o Marduk e o Cradle of Filth).

Celtic Frost

Os suíços do Celtic Frost foram de fundamental importância para o desenvolvimento do gothic metal europeu. O grupo é uma influência assumida do My Dying Bride, Katatonia, Paradise Lost, Moonspell, Tiamat, The Gathering e muitos outros que ajudaram a moldar o estilo para o que ele é hoje.

O Celtic Frost foi um grande pioneiro dentro do metal extremo, porque:

Eles não tinham a mesma obsessão por velocidade que era característica de seus contemporâneos (Slayer, p. ex.). Preferiam compor músicas mais lentas, que pudessem exibir mais variedade. O grupo usava frequentemente elementos de música erudita nas suas composições: vocais em falsete, tímpanos, cordas e metais. A banda fazia experimentos com a música ambiente. Dois exemplos: "Danse Macabre", do EP Morbid Tales (1984) e "Tears in a Prophet’s Dream", do álbum To Mega Therion (1985). Tom Warrior (vocalista e guitarrista) foi um dos primeiros – senão o primeiro – a intercalar vocais "brutais" com uma voz "gótica", mais suave (porém sombria). A faixa "Mesmerized" do Into the Pandemonium (1987) é um exemplo disso.

História thumb|O estilo de guitarra lento e "sujo" de Tony Iommi e a atmosfera sombria do primeiro álbum autointitulado e Master of Reality de Black Sabbath foram grandes influências para o doom metal e sua ramificação death/doom, mais tarde servindo de influências para o gothic metal no final da década de 1980 e início da década seguinte.