Urbano Augusto Tavares Rodrigues GCSE • GCIH (Santa Catarina, Lisboa, – Lisboa, ) foi um escritor e jornalista português.
Biografia Primeiros anos e formação Urbano Tavares Rodrigues nasceu na freguesia de Santa Catarina, na cidade de Lisboa, em 6 de Dezembro de 1923. Era filho do escritor Urbano Rodrigues e de Maria da Conceição Tavares Rodrigues, doméstica, natural de Sintra (freguesia de Colares). Provinha de uma família de grandes proprietários agrícolas. Passou a infância e a adolescência na região do Alentejo, tendo frequentado a escola primária em Moura. Estudou depois no Liceu de Camões, em Lisboa, com o seu irmão Miguel Urbano Rodrigues. Tirou a licenciatura em filologia românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Embora tivesse sido educado num ambiente católico tradicional, abandonou a religião durante a sua adolescência, por motivos morais.
Carreira profissional e artística Exerceu como professor, primeiro no Liceu de Camões e a partir de 1957 na Faculdade de Letras, a convite de Vitorino Nemésio, onde ensinou Literatura Francesa e Portuguesa. No ano seguinte, apoiou a candidatura de Humberto Delgado a presidente da república, tendo sido por esse motivo interdito de trabalhar como professor em estabelecimentos de ensino do estado. Esteve preso em Caxias, tendo-se depois exilado em França. Na cidade de Paris, esteve com algumas das figuras intelectuais mais marcantes dos anos 50, como Albert Camus, que o influenciaram no Existencialismo francês. Foi leitor de português nas Universidades de Montpellier, Aix-en-Provence e Sorbonne, em Paris, entre 1949 e 1955.
No Regresso a Portugal, ensinou no Colégio Moderno e no Liceu Francês. Começou igualmente a trabalhar em publicidade e no jornalismo, tendo escrito para os periódicos Artes e Letras, Jornal do Comércio, O Século e Diário de Lisboa, onde fez crítica teatral, Bulletin des Études Portugaises, Colóquio-Letras, Jornal de Letras, Vértice e Nouvel Observateur. Ocupou igualmente a posição de director na revista Europa, e escreveu crónicas de viagens de várias partes do mundo para o jornal Diário de Lisboa, que foram compiladas nos volumes Santiago de Compostela (1949), Jornadas no Oriente (1956) e Jornadas na Europa (1958).
Urbano Tavares Rodrigues foi um defensor dos ideais democráticos, tendo sido em grande parte influenciado pelo seu pai, de índole republicana, que apoiou a candidatura de Manuel Teixeira Gomes à presidência da República. Lutou contra o governo ditatorial, tendo enfrentado a polícia de choque duas vezes, uma delas em meados da década de 1960, contra a deportação de um amigo, tendo ficado com um dos braços fracturado. Foi atacado pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado desde a sua juventude, tendo chegado a ser preso em 1963 e 1968. Era amigo de Mário Soares, ligação que esmoreceu com a integração de Urbano Tavares Rodrigues no Partido Comunista Português. Com efeito, fez parte da direcção intelectual do partido, embora se tenha recusado a utilizar as suas obras como um instrumento de propaganda, e tenha fortemente criticado, em diversas ocasiões, a linha estalinista. Autoclassificou-se como um comunista heterodoxo, ideais que se reflectiram no seu estilo literário. Devido às suas diferenças culturais em relação à linha comunista, chegou a ter problemas dentro do partido, embora tenha permanecido como militante. Segundo o próprio, foi devido aos seus ideais políticos que nunca chegou a receber o Prémio Camões.
Urbano Tavares Rodrigues destacou-se igualmente como crítico literário e como escritor, tendo publicado principalmente obras de romance, prosa poética, conto, poesia e ensaios. O seu primeiro livro foi a colectânea de novelas e contos A Porta dos Limites, em 1952, que foi bem recebido pela crítica.LOPES, João Marques. «Entrevista a Urbano Tavares Rodrigues», in Navegações, v. 3, n. 1, jan./jun. 2010, pp. 96-98. Apesar dos problemas que enfrentou durante a ditadura, ainda escreveu cerca de vinte obras de ficção durante esse período, tendo a última sido Estrada de Morrer, em 1972.
Continuou a escrever após a restauração da democracia em 1974, tendo publicado cerca de um livro por ano até ao seu falecimento, totalizando mais de quarenta obras. Ainda em 1974 publicou a obra Dissolução. O seu último livro antes de falecer foi A Imensa Boca dessa Angústia e Outras Histórias, tendo a editora D. Quixote editado postumamente a sua obra Nenhuma Vida, e em 2007 iniciou a publicação das suas obras completas. Também apoiou as carreiras de vários escritores, tendo escrito prefácios ou feito apresentações públicas de diversas obras. Um dos seus poemas foi musicado pelo cantor Adriano Correia de Oliveira.
Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, que restaurou a democracia em Portugal, Urbano Tavares Rodrigues retomou a sua carreira docente na Faculdade de Letras, onde se doutorou em 1984 com a tese Manuel Teixeira Gomes: O Discurso do Desejo. Jubilou-se em 1993 com a posição de professor catedrático.
Esteve muito ligado ao Algarve, tendo retratado a região em várias obras, nomeadamente Nunca diremos quem sois e Os Cadernos Secretos do Prior do Crato. Também participou em diversas iniciativas no Algarve, incluindo uma entrevista filmada com o director do Museu do Traje de São Brás de Alportel sobre o professor Estanco Louro.
Família e falecimento A 3 de outubro de 1949, casou na igreja paroquial de São José, em Lisboa, com a também escritora Maria Judite de Carvalho. Era pai de Isabel Fraga e António Urbano.
Nos seus últimos anos de vida, sofreu de uma insuficiência cardíaca, que o deixou cada vez mais enfraquecido, embora continuasse a sua carreira literária. Em 6 de Agosto de 2013, foi internado no Hospital dos Capuchos, em Lisboa, onde faleceu três dias depois, aos 89 anos de idade. O corpo foi colocado em câmara ardente na sede da Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa, tendo depois seguido para o Cemitério do Alto de São João.
Homenagens e condecorações Aquando do seu falecimento, Urbano Tavares Rodrigues foi homenageado pelos meios de comunicação, incluindo os jornais A Voz do Operário e o Postal de Tavira.MARREIROS, 2015:410-414
A FENPROF, em colaboração com a SABSEG – Corretor de Seguros, criou, em 2012, o Prémio Urbano Tavares Rodrigues, um prémio literário destinado a Professores. O Prémio é anual de ficção. O seu nome foi colocado na Biblioteca de Moura, e numa sala da Biblioteca de Silves. Também foi homenageado pela Biblioteca Nacional de Portugal na exposição O Homem de Letras, entre 1 de Abril e 28 de Junho de 2014.
A 19 de Janeiro de 1994 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e a 6 de Junho de 2008 com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Também recebeu a Legião de Honra, o Prémio Ricardo Malheiros pela obra Uma Pedrada no Charco, Prémio da Imprensa Cultural, Prémio Aquilino Ribeiro, Prémio Jacinto do Prado Coelho de ensaio , Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, Prémio da Crítica, Grande Prémio Vida Literária, e o Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários.
Obras literárias Viagens
1949 - Santiago de Compostela 1956 - Jornadas no oriente 1958 - Jornadas na Europa 1963 - De Florença a Nova Iorque 1973 - Viagem à União Soviética e outras páginas 1973 - Redescoberta da França 1976 - Registos de outono quente 1999 - Agosto no Cairo:1956
Ensaios
1950 - Manuel Teixeira Gomes 1954 - Présentation de Castro Alves 1958 - O tema da morte na moderna poesia portuguesa (Nota: Integrado depois em O tema da morte: ensaios) 1960; 1981 - O mito de don Juan 1960 - Teixeira Gomes e a reacção antinaturalista 1961 - Noites de teatro 1962; 2001 - O Algarve na obra de Teixeira Gomes 1964 - O romance francês contemporâneo 1966; 1978 - Realismo, arte de vanguarda e nova cultura 1966; 1978 - O tema da morte: ensaios 1968 - A saudade na poesia portuguesa 1969 - Escritos temporais 1971; 2001 - Ensaios de escreviver 1977 - Ensaios de após-Abril 1980 - O gosto de ler 1981 - Um novo olhar sobre o neo-realismo 1984 - Manuel Teixeira Gomes: o discurso do desejo 1993 - A horas e desoras 1994 - Tradição e ruptura 1995 - O homem sem Imagem 2001 - O texto sobre o texto 2003 - A flor da utopia - álbum com ilustrações de Rogério Ribeiro 2005 - O mito de don Juan e outros ensaios de escreviver 2011 - A natureza do acto criador
Romances/Novelas
1952; 1990 - A porta dos limites 1955; 1985 - Vida perigosa 1956; 1982 - A noite roxa 1957; 1998 - Uma pedrada no charco 1959; 2012 - As aves da madrugada 1959; 1994 - Bastardos do Sol 1960; 1978 - Nus e suplicantes 1961; 2003 - Os insubmissos 1962; 1982 - Exílio perturbado 1963; 2000 - As máscaras finais 1964 - A samarra 1964; 2001 - Terra ocupada 1966; 1988 - Imitação da felicidade 1967 - Carnaval negro 1967; 1974 - Despedidas de verão 1968; 1987 - Casa de correcção 1968 - Tempo de cinzas 1971; 1996 - Estrada de morrer 1972 - A impossível evasão 1972 - Esta estranha Lisboa 1974; 1999 - Dissolução 1976; 1987 - Viamorolência 1977; 1985 - As pombas são vermelhas 1979; 1986 - Desta água beberei 1982; 1992 - Fuga imóvel 1985 - Oceano oblíquo 1986; 1987 - A vaga de calor 1989 - Filipa nesse dia 1991 - Violeta e a noite 1993 - Deriva 1995 - A hora da incerteza 1997 - O ouro e o sonho 1998 - O adeus à brisa 1999 - O último dia e o primeiro 2000 - O supremo interdito 2002 - Nunca diremos quem sois 2005 - O eterno efémero 2006 - Ao contrário das ondas 2007 - Os cadernos secretos do Prior do Crato 2012 - Escutando o rumor da vida 2013 - Nenhuma Vida (Póstuma)
Contos 1962 - Uma noite e nunca. Edições Tempo. 1970; 1992 - Contos da solidão 1977 - Estórias alentejanas 2003 - A estação dourada 2008 - A última colina
Antologia
1958 - O Alentejo 1966 - O mundo do toureio na literatura de língua portuguesa 1968 - A Estremadura 2003 - O Algarve em poemas 2004 - Poemas da minha vida
Narrativa
1969; 1973 - Horas perdidas
Crónicas
1970; 1974 - A palma da mão 1971; 1976 - Deserto com vozes 1974 - As grades e os rio 2003 - God bless América
Teatro
1971; 2001; 2012 - As torres milenárias
Texto e fotografia
1996 - A luz da cal 1998 - Margem da ausência
Outros
1965; 1998 - Dias lamacentos 1966 - Roteiro de emergência 1974 - Perdas e danos 1975 - Diário da ausência 1975 - Palavras de combate 1998 - Os campos da promessa
Bibliografia
Categoria:Nascidos em 1923 Categoria:Naturais de Lisboa Categoria:Comunistas de Portugal Categoria:Escritores de Portugal Categoria:Jornalistas de Portugal Categoria:Romancistas de Portugal Categoria:Ensaístas de Portugal Categoria:Contistas de Portugal Categoria:Cronistas de Portugal Categoria:Professores universitários de Portugal Categoria:Académicos de Portugal Categoria:Alumni da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa Categoria:Alumni da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa Categoria:Grã-Cruzes da Ordem do Infante D. Henrique Categoria:Grã-Cruzes da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada Categoria:Prémio de Consagração de Carreira da SPA Categoria:Políticos do Partido Comunista Português Categoria:Mortes por insuficiência cardíaca Categoria:Prisioneiros políticos de Portugal Categoria:Professores da Universidade Autónoma de Lisboa